<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769</id><updated>2012-02-16T18:12:01.112-03:00</updated><title type='text'>cyberstrigo</title><subtitle type='html'>Os voos da coruja: coletânea de tópicos filosóficos, literários e outros assuntos interessantes</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-6138746281121446514</id><published>2010-01-21T10:04:00.000-03:00</published><updated>2010-01-21T10:04:45.228-03:00</updated><title type='text'>A Ilusão do Livre-arbítrio</title><content type='html'>&lt;div class="artigo"&gt;   &lt;div class="titleft"&gt;&lt;b&gt;A Ilusão do Livre-arbítrio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- FIM DA CAIXA SUPERIOR xxxbr--&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="ptip"&gt;A ilusão do livre-arbítrio foi um obstáculo no caminho do pensamento humano durante milhares de anos. Vejamos se o senso comum e o conhecimento não o podem remover.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O livre-arbítrio é um assunto de grande importância para nós neste caso e devemos tratá-lo com os olhos bem abertos e com a inteligência bem desperta; não porque seja muito difícil, mas porque tem sido atado e torcido num emaranhado de nós górdios durante vinte séculos cheios de filósofos palavrosos e mal sucedidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O partido do livre-arbítrio clama que o homem é responsável pelos seus actos, porque a sua vontade é livre de escolher entre o certo e o errado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Respondemos que a vontade não é livre e que se fosse, o homem não poderia conhecer o certo e o errado enquanto não fosse ensinado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O partido do livre-arbítrio afirmará que, no que respeita ao conhecimento do bem e do mal, a consciência é um guia seguro. Mas eu já provei que a consciência não nos diz e não nos pode dizer o que está certo e o que está errado; apenas nos recorda das lições que aprendemos acerca do certo e errado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;A "suave voz baixa" não é a voz de Deus: é a voz da hereditariedade e do meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E agora para a liberdade da vontade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Quando um homem diz que a sua vontade é livre, ele quer dizer que é livre de todo o controlo ou interferência; que pode dominar a hereditariedade e o meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Respondemos que a vontade é governada pela hereditariedade e pelo meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;A causa de toda a confusão neste assunto pode ser mostrada em poucas palavras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Quando o partido do livre-arbítrio diz que o homem tem livre-arbítrio, eles querem dizer que ele é livre de agir como escolhe agir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Não há necessidade de o negar. &lt;i&gt;Mas o que o faz escolher?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Este é o &lt;i&gt;eixo&lt;/i&gt; em torno do qual toda a discussão gira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O partido do livre-arbítrio parece pensar na vontade como algo independente do homem, como algo fora dele. Eles parecem pensar que a vontade decide sem o controlo da razão humana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Se fosse assim, não provaria que o homem é responsável. "A vontade" seria responsável e não o homem. Seria tão ridículo censurar um homem pelo acto de uma vontade "livre" como censurar um cavalo pela acção do seu cavaleiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Mas vou provar aos meus leitores, apelando ao seu senso comum e ao seu conhecimento comum, que a vontade não é livre; e que é governada pelo hereditariedade e pelo meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Para começar, o homem comum estará contra mim. Ele sabe que escolhe entre dois percursos a toda a hora, e frequentemente a todo o minuto, e pensa que a sua escolha é livre. Mas isso é uma de e o seu meio o fazem escolher. Ele nunca escolhe e nunca escolherá a não ser como a sua hereditariedade e o seu meio ― o seu temperamento e a sua formação ― o fazem escolher. E a sua hereditariedade e o seu meio fixaram a sua escolha antes de ele a fazer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O homem comum diz "Sei que posso agir como desejo agir." Mas o que o faz desejar?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O partido do livre-arbítrio diz "Nós sabemos que um homem pode e efectivamente escolhe entre dois actos." Mas o que decide a escolha?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Há uma causa para todo o desejo, uma causa para toda a escolha; e toda a causa de todo o desejo e escolha tem origem na hereditariedade ou no meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Pois um homem age sempre devido ao temperamento, que é hereditariedade, ou devido à formação, que é meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E nos casos em que um homem hesita ao escolher entre dois actos, a hesitação é devida a um conflito entre o seu temperamento e a sua formação ou, como alguns o exprimem, "entre o seu desejo e a sua consciência."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Um homem está a praticar tiro ao alvo com uma arma quando um coelho se atravessa na sua linha de fogo. O homem tem os olhos postos no coelho e o dedo no gatilho. A vontade humana é livre. Se ele carregar no gatilho, o coelho é morto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Ora, como é que o homem decide se dispara ou não? Ele decide por intermédio do sentimento e da razão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Ele gostaria de disparar apenas para ter a certeza de que é capaz de acertar. Ele gostaria de disparar porque gostaria de ter coelho para o jantar. Ele gostaria de disparar porque existe nele o antiquíssimo instinto caçador de matar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Mas o coelho não lhe pertence. Ele não tem a certeza de que não se mete em sarilhos se o matar. Talvez ― se ele for um tipo de homem fora do comum ― sinta que seria cruel e covarde matar um coelho indefeso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Bem, a vontade do homem é livre. Se quiser, ele pode disparar; se quiser, ele pode deixar ir o coelho. Como decidirá ele? De que depende a sua decisão?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;A sua decisão depende da força relativa do seu desejo de matar o coelho, dos seus escrúpulos acerca da crueldade, e da lei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Além disso, se conhecêssemos o homem muito bem, poderíamos adivinhar como o seu livre-arbítrio agiria antes que tivesse agido. O desportista britânico comum mataria o coelho. Mas sabemos que há homens que nunca matariam uma criatura indefesa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;De um modo geral, podemos dizer que o desportista desejaria disparar e que o humanitarista não desejaria disparar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Ora, como as vontades de ambos são livres, deve ser alguma coisa fora das vontades que faz a diferença.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Bem, o desportista matará porque é um desportista; o humanitarista não matará porque é um humanitarista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E o que faz de um homem um desportista e de outro um humanitarista? Hereditariedade e meio: temperamento e formação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Um homem é, por natureza, misericordioso e outro cruel; ou um é, por natureza, sensível e outro insensível. Esta é uma diferença de hereditariedade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Um pode ter sido toda a sua vida ensinado que matar animais selvagens é "desporto"; o outro pode ter sido ensinado que é inumano e errado; esta à uma diferença de meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Ora, o homem por natureza cruel ou insensível, que foi treinado para pensar que matar animais é um desporto, torna-se aquilo a que chamamos um desportista, porque a hereditariedade e o meio fizeram dele um desportista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;A hereditariedade e o meio do outro homem fizeram dele um humanitarista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O desportista mata o coelho porque é um desportista, e é um desportista porque a hereditariedade e o meio fizeram dele um desportista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Isso é dizer que o "livre-arbítrio" é realmente controlado pela hereditariedade e pelo meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Permitam-me que dê um exemplo. Um homem que nunca pescou foi levado à pesca por um pescador. Ele gostou do desporto e durante alguns meses praticou-o entusiasticamente. Mas um dia um acidente convenceu-o da crueldade que é apanhar peixes com um anzol e ele pôs de lado imediatamente a sua cana e nunca mais voltou a pescar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Antes da mudança, se era convidado, ele estava sempre ansioso por ir pescar; após a mudança, ninguém conseguia persuadi-lo a tocar numa linha. A sua vontade foi sempre livre. Como se transformou então a sua vontade de pescar na sua vontade de não pescar? Foi consequência do meio. Ele aprendeu que pescar é cruel. O conhecimento controlou a sua vontade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Mas, pode perguntar-se, como explica que um homem faça o que não deseja fazer?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Nenhum homem alguma vez faz uma coisa que não deseja fazer. Quando há dois desejos impera o mais forte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Suponhamos o seguinte caso. Uma jovem recebe duas cartas no mesmo correio; uma é um convite para ir com o seu namorado a um concerto, a outra é um pedido para que visite uma criança doente num bairro de lata. A rapariga é uma grande apreciadora de música e receia bairros de lata. Ela deseja ir ao concerto e estar com o namorado; ela receia as ruas imundas e as casas sujas, e evita correr o risco de contrair sarampo ou febre. Mas ela vai ver a criança doente e não vai ao concerto. Porquê?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Porque o seu sentido do dever é mais forte do que seu amor próprio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Ora, o seu sentido do dever é em parte devido à sua natureza ― isto é, à sua hereditariedade ― mas é principalmente devido ao meio. Como todos nós, a rapariga nasceu sem quaisquer conhecimentos e com apenas uns rudimentos de uma consciência. Mas foi bem ensinada e a instrução faz parte do seu meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Podemos dizer que a rapariga é livre de agir como escolhe, mas ela age &lt;i&gt;de facto&lt;/i&gt; como foi &lt;i&gt;ensinada&lt;/i&gt; que &lt;i&gt;deve&lt;/i&gt; agir. Este ensino, que faz parte do seu meio, controla a sua vontade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Podemos dizer que um homem é livre de agir como escolhe. Ele é livre de agir como &lt;i&gt;ele&lt;/i&gt; escolhe, mas &lt;i&gt;ele&lt;/i&gt; escolherá como a hereditariedade e o meio &lt;i&gt;o&lt;/i&gt; fizerem escolher. Porque a hereditariedade e o meio fizeram com que ele seja aquilo que é.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Diz-se que um homem é livre de decidir entre dois percursos. Mas na realidade ele é apenas livre de decidir de acordo com o seu temperamento e a sua formação....&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Macbeth era ambicioso; mas ele tinha consciência. Ele queria a coroa de Duncan; mas ele recuava perante a traição e a ingratidão. A ambição puxava-o num sentido, a honra puxava-o no outro. As forças opostas estavam tão uniformemente equilibradas que ele parecia incapaz de decidir-se. Era Macbeth livre de escolher? Até que ponto era ele livre? Ele era tão livre que não conseguia decidir-se e foi a influência da sua mulher que inclinou a balança para o lado do crime.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Era Lady Macbeth livre de escolher? Ela não hesitou. Porque a sua ambição era de tal modo mais forte que a sua consciência que ela nunca teve dúvidas. Ela escolheu como a sua toda-poderosa ambição a compeliu a escolher.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E a maior parte de nós nas nossas decisões assemelhamo-nos a Macbeth ou à sua mulher. Ou a nossa natureza é de tal modo mais forte do que a nossa formação, ou a nossa formação é de tal modo mais forte que a nossa natureza, que decidimos para o bem e para o mal tão prontamente quanto um rio decide correr colina abaixo; ou a nossa natureza e a nossa formação estão tão bem equilibradas que dificilmente podemos decidir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;No caso de Macbeth a competição é clara e fácil de seguir. Ele era ambicioso e o seu meio ensinou-lhe a olhar a coroa como uma possessão gloriosa e desejável. Mas o meio também lhe ensinou que o assassinato, a traição e a ingratidão são perversos e deploráveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Se nunca lhe tivessem ensinado estas lições ou se lhe tivessem ensinado que a gratidão é uma tolice, que a honra é uma fraqueza, e que o assassinato é desculpável quando leva ao poder, ele não teria de todo hesitado. Foi o seu meio que impediu a sua vontade....&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;A acção da vontade depende sempre da força relativa de dois ou mais motivos. O motivo mais forte decide a vontade; tal como o peso mais pesado decide o equilíbrio dos pratos de uma balança….&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Como podemos, então, acreditar que o livre-arbítrio é exterior e superior à hereditariedade e ao meio? ...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;"O quê! Um homem não pode ser honesto se escolher sê-lo?" Sim, se escolher sê-lo. Mas essa é apenas outra forma de dizer que ele pode ser honesto se a sua natureza e a sua formação o levarem a escolher honestamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;"O quê! Não posso satisfazer-me quer beba ou me abstenha de beber?" Sim. Mas isso é apenas dizer que não irás beber porque &lt;i&gt;te&lt;/i&gt; apraz estar sóbrio. Mas apraz a outro homem beber, porque o seu desejo por bebida é forte ou porque a sua auto-estima é fraca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E tu decides como decides e ele decide como decide, porque tu és &lt;i&gt;tu&lt;/i&gt; e ele é &lt;i&gt;ele&lt;/i&gt;; e a hereditariedade e o meio fizeram de ambos o que são.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E o homem sóbrio pode passar por tempos maus e perder a auto-estima, ou achar o fardo dos seus problemas maior do que aquilo que ele pode aguentar e cair na bebida para se consolar ou esquecer, e tornar-se um bêbado. Não acontece isto frequentemente?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E o bêbado pode, devido a algum choque, ou a algum desastre, ou a alguma paixão, ou a alguma persuasão, recuperar a auto-estima e renunciar à bebida e levar uma vida sóbria e útil. Não acontece isto frequentemente?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E em ambos os caso a liberdade da vontade permanece intacta: é a mudança no meio que eleva os caídos e lança os honrados por terra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Podemos dizer que a vontade de uma mulher é livre e que ela poderia, se o desejasse, saltar de uma ponte e afogar-se. Mas ela não pode &lt;i&gt;desejar&lt;/i&gt;. Ela é feliz, ama a vida e teme o rio frio e rastejante. E no entanto, devido a alguma cruel volta da roda da fortuna, ela pode tornar-se pobre e infeliz; tão infeliz que odeia a vida e está ansiosa pela morte e, &lt;i&gt;por isso&lt;/i&gt;, pode saltar para o temeroso rio e morrer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;A sua vontade é tão livre numa altura como na outra. Foi o meio que forjou a mudança. Antigamente ela não podia desejar morrer; agora não pode desejar viver.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Os apóstolos do livre-arbítrio acreditam que todos os homens são livres. Mas um homem pode apenas desejar aquilo que é capaz de desejar. E um homem é capaz de desejar aquilo que outro homem é incapaz de desejar. Negá-lo é negar os factos da vida mais comuns e mais óbvios....&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Todos sabemos que podemos prever a acção de certos homens em certos casos, porque conhecemos os homens.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Sabemos que nas mesmas condições Jack Sheppard irá roubar e que Cardinal Manning não irá roubar. Sabemos que nas mesmas condições o marinheiro irá namoriscar com a empregada de balcão e o padre não irá; que o bêbado se embebedará, e o abstémio manter-se-á sóbrio. Sabemos que Wellington recusaria um suborno, que Nelson não fugiria, que Buonaparte agarrar-se-ia ao poder, que Abraham Lincoln seria leal ao seu país, que Torquemada não pouparia um herético. Porquê? Se a vontade é livre, como podemos estar certos, antes de o teste ocorrer, de como a vontade deve agir?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Simplesmente porque sabemos que a hereditariedade e o meio formaram e moldaram de tal modo os homens e as mulheres que em certas circunstâncias a acção das suas vontades é certa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;A hereditariedade e o meio tendo feito de um homem um ladrão, ele irá roubar. A hereditariedade e o meio tendo feito de um homem honesto, ele não irá roubar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Quer dizer, a hereditariedade e o meio decidiram a acção da vontade antes de ter chegado a altura da vontade agir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Sendo as coisas assim ― e todos sabemos que são assim ― o que acontece à soberania da vontade?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Deixemos qualquer homem que acredite que pode "agir como lhe agradar" perguntar a si mesmo &lt;i&gt;por&lt;/i&gt; que lhe &lt;i&gt;agrada&lt;/i&gt; e ele verá o erro da teoria do livre-arbítrio e irá compreender por que a vontade é escrava e não mestre do homem: porque o homem é o produto da hereditariedade e do meio e estes controlam a vontade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Como queremos esclarecer tanto quanto possível este assunto, consideremos um ou dois exemplos familiares da acção da vontade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Jones e Robinson encontram-se e têm um copo de whisky. Jones pergunta a Robinson se quer outro. Robinson diz, "não obrigado, chega um." Jones diz "está bem; tome outro cigarro." Robinson aceita o cigarro. Ora, temos aqui um caso em que um homem recusa uma segunda bebida, mas aceita um segundo cigarro. É porque iria gostar de fumar outro cigarro, mas não iria gostar de beber outro copo de whisky? Não. É porque sabe que é &lt;i&gt;mais seguro&lt;/i&gt; não beber outro copo de whisky.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Como sabe ele que o whisky é perigoso? Ele aprendeu-o ― no seu meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;"Mas ele &lt;i&gt;poderia&lt;/i&gt; ter bebido outro copo se o tivesse desejado."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt; Mas ele não poderia ter desejado beber outro copo, porque havia algo que ele desejava mais ― estar seguro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E por que quer ele estar seguro? Porque ele aprendeu ― no seu meio ― que era prejudicial, inútil, e indecoroso ficar bêbado. Porque ele aprendeu ― no seu meio ― que é mais fácil evitar adquirir um mau hábito do que eliminar um mau hábito uma vez adquirido. Porque ele deu valor à boa opinião dos seus vizinhos e à sua posição e perspectivas de futuro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Estes sentimentos e este conhecimento governaram a sua vontade e fizeram-no recusar o segundo copo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Mas não há nenhum sentimento de perigo, nenhuma lição bem aprendida de risco para impedir a sua vontade de fumar outro cigarro. A hereditariedade e o meio não o previnem contra isso. Assim, para agradar ao seu amigo e a si mesmo, ele aceitou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Agora supõe que Smith oferece a Williams outro copo. Williams aceita, bebe vários copos e vai depois para casa ― como frequentemente vai para casa. Porquê?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Em grande medida porque tem o hábito de beber. Não só a mente repete instintivamente uma acção, como, no caso da bebida, uma grande ânsia física é activada e o cérebro enfraquecido. É mais fácil recusar o primeiro copo do que o segundo; mais fácil recusar o segundo do que o terceiro; e muito mais difícil para um homem que frequentemente se embebeda manter-se sóbrio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Assim, quando o pobre Williams tem de fazer a sua escolha, tem o hábito contra ele, tem uma grande ânsia física contra ele e tem um cérebro enfraquecido com que pensar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;"Mas, Williams poderia ter recusado o primeiro copo."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Não. Porque, no seu caso, o desejo de beber, ou de agradar a um amigo, era mais forte do que o seu medo do perigo. Ou pode não ter tido tanta consciência do perigo quanto Robinson. Ele pode não ter sido tão bem ensinado, ou pode não ter sido tão sensato, ou pode não ter sido tão cuidadoso. De modo que a sua hereditariedade e o seu meio, o seu temperamento e a sua formação, o levaram a tomar a bebida com tanta certeza quanto a hereditariedade e o meio de Robinson o levaram a recusar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E agora é a minha vez de fazer uma pergunta. Se a vontade é "livre", se a consciência é um guia seguro, como é que o livre-arbítrio e a consciência de Robinson o fizeram manter-se sóbrio, enquanto o livre-arbítrio e a consciência de Williams o fizeram embebedar-se?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;A vontade de Robinson foi contida por certos sentimentos que não conseguiram conter a vontade de Williams. Porque no caso de Williams os sentimentos no outro sentido eram mais fortes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Foi a natureza e a formação de Robinson que o fizeram recusar o segundo copo e foi a natureza e a formação de Williams que o fizeram beber o segundo copo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O que teve o livre-arbítrio a ver com isto?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Disseram-nos que &lt;i&gt;todos&lt;/i&gt; os homens têm um livre-arbítrio e uma consciência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Ora, se Williams tivesse sido Robinson, isto é, se a sua hereditariedade e o seu meio tivessem sido exactamente como os de Robinson, ele teria agido exactamente como Robinson agiu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Foi porque a sua hereditariedade e o seu meio não eram o mesmo que o seu acto não foi o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Tinham ambos livre-arbítrio. O que levou um a fazer aquilo que o outro se recusou a fazer? Hereditariedade e meio. Para inverter a sua conduta teríamos de inverter a sua hereditariedade e o seu meio....&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Dois rapazes têm um emprego difícil e desagradável. Um deixa esse emprego e arranja outro, "sobe na vida" e é elogiado por ter subido na vida. O outro mantém-se naquele emprego toda a sua vida, trabalha muito toda a sua vida e é respeitado como um trabalhador honesto e humilde; quer dizer, ele é visto pela sociedade como Mr. Dorgan era visto por Mr. Dooely ― "ele é um excelente homem, mas eu desprezo-o."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O que faz com que estas duas vontades livres sejam tão diferentes? Um rapaz sabia mais do que o outro. Ele "conhecia mais." Todo o conhecimento é meio. Os dois rapazes tinham livre-arbítrio. Era no conhecimento que diferiam: meio!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Aqueles que exaltam o poder da vontade e menosprezam o poder do meio desmentem as suas palavras pelos seus actos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Porque eles não mandariam os seus filhos para o meio de más companhias ou permitiriam que eles lessem maus livros. Não diriam que as crianças têm livre-arbítrio e, portanto, o poder de agarrar o bom e largar o mau.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Sabem muito bem que um mau meio tem o poder de perverter a vontade e que um bom meio tem o poder de a dirigir pelo bom caminho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Eles sabem que as crianças podem ser tornadas boas ou más por uma boa ou má formação e que a vontade segue a formação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Sendo assim, eles devem também admitir que os filhos das outras pessoas podem ser bons ou maus por formação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E se uma criança tem uma má formação, como pode o livre-arbítrio salvá-la? Ou como pode ela ser censurada por ser má? Nunca teve oportunidade de ser boa. Que sabem isto é provado pelo cuidado que colocam em providenciar aos seus próprios filhos um meio melhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Como disse antes, cada igreja, cada escola, cada lição de moral é uma prova de que os pregadores e os professores confiam no bom meio, e não no livre-arbítrio, para tornar as crianças melhores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Nesta, como em muitas outras matérias, as acções falam mais alto do que as palavras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Isto, espero eu, desata os muitos nós com que milhares de homens eruditos ataram o tema simples do livre-arbítrio e destrói a alegação de que o homem é responsável porque a sua vontade é livre. Mas há uma outra causa de erro, relacionada com este assunto acerca da qual gostaria de dizer umas quantas palavras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Ouvimos frequentemente dizer que um homem deve ser censurado pela sua conduta porque "ele conhece melhor."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;É verdade que os homens agem erradamente quando conhecem melhor. Macbeth "conhecia melhor" quando assassinou Duncan. Mas também é verdade que frequentemente pensamos que um homem "conhece melhor" quando ele não conhece melhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Porque não se pode dizer que um homem conhece uma coisa enquanto não acreditar nela. Se me disserem que a Lua é feita de queijo verde, não se pode dizer que &lt;i&gt;sei&lt;/i&gt; que é feita de queijo verde.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Muitos moralistas parecem confundir a palavra "conhecer" com a palavra "ouvir".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Jones lê novelas e toca música de ópera ao Domingo. O Puritano diz que Jones "conhece melhor" quando quer dizer que disseram a Jones que é errado fazer essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Mas Jones não sabe que isso é errado. Ele ouviu alguém dizer que é errado, mas não acredita nisso. Portanto, não é correcto dizer que ele sabe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;E igualmente no que respeita à crença. Alguns moralistas sustentam que é mau não acreditar em certas coisas e que os homens que não acreditam nessas coisas serão punidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Mas um homem não pode acreditar numa coisa que lhe dizem para acreditar; ele pode apenas acreditar numa coisa em que ele &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt; acreditar; e ele pode apenas acreditar naquilo que a sua própria razão lhe diz que é verdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Seria inútil pedir a Sir Roger Ball que acredite que a Terra é plana. Ele &lt;i&gt;não poderia&lt;/i&gt; acreditar nisso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;É inútil pedir a um agnóstico que acredite na história de Jonas e da baleia. Ele &lt;i&gt;não poderia&lt;/i&gt; acreditar nela. Ele pode fingir que acredita. Ele pode tentar acreditar nela. Mas a sua razão não lhe permitiria acreditar nela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Portanto, é um erro dizer que um homem "conhece melhor" quando lhe disseram "melhor" e ele não pode acreditar no que lhe disseram.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Essa é uma questão simples e parece muito banal; mas quanta má-vontade, quanta intolerância, quanta violência, perseguições e assassinatos foram causados pela estranha ideia de que o homem é mau porque a &lt;i&gt;sua&lt;/i&gt; razão &lt;i&gt;não pode&lt;/i&gt; acreditar no que para outra razão humana [é] absolutamente verdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;O livre-arbítrio não tem qualquer poder sobre as crenças de um homem. Um homem não pode acreditar por querer, mas apenas por convicção. Um homem não pode ser forçado a acreditar. Podes ameaçá-lo, feri-lo, bater-lhe, queimá-lo; e ele pode ser assustado, irritado ou atormentado; mas não pode &lt;i&gt;acreditar&lt;/i&gt;, nem se pode obrigá-lo a acreditar. Até que seja convencido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Ora, embora isto possa parecer um truísmo, penso que é necessário dizer aqui que um homem não pode ser convencido nem pela ofensa nem pelo castigo. Ele pode apenas ser convencido pela &lt;i&gt;razão&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Sim. Se queremos que um homem acredite numa coisa, teremos de encontrar umas quantas razões mais poderosas do que um milhão de pragas ou um milhão de baionetas. Queimar um homem vivo por não acreditar que o Sol gira em torno da Terra não é convencê-lo. O fogo é penetrante, mas não lhe parece ser relevante para a questão. Ele nunca duvidou de que o fogo queima; mas talvez os seus olhos moribundos possam ver o Sol a pôr-se no Oeste, à medida que o mundo gira no seu eixo. Ele morre com a sua crença. E não conhece "melhor".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="ptip"&gt;Tradução de Álvaro Nunes&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- CAIXA INFERIOR 60x--&gt; &lt;div class="ptipi"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="boxClara"&gt; &lt;div class="nome"&gt;Robert Blatchford, &lt;em&gt;Not Guilty&lt;/em&gt;, Albert and Charles Boni, Inc., 1913.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-6138746281121446514?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.filedu.com/rblatchfordailusaodolivrearbitrio.html' title='A Ilusão do Livre-arbítrio'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/6138746281121446514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=6138746281121446514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/6138746281121446514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/6138746281121446514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2010/01/ilusao-do-livre-arbitrio.html' title='A Ilusão do Livre-arbítrio'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-5424876528227689282</id><published>2008-08-12T16:37:00.002-03:00</published><updated>2008-08-12T16:39:35.172-03:00</updated><title type='text'>Antônio Correia de Oliveira - A Preguiça</title><content type='html'>Esta poesia me faz lembrar da minha infância:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.obrasileirinho.com.br/2008/02/antnio-correia-de-oliveira-preguia.html"&gt;Antônio Correia de Oliveira - A Preguiça&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-5424876528227689282?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.obrasileirinho.com.br/2008/02/antnio-correia-de-oliveira-preguia.html' title='Antônio Correia de Oliveira - A Preguiça'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/5424876528227689282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=5424876528227689282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/5424876528227689282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/5424876528227689282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2008/08/antnio-correia-de-oliveira-preguia.html' title='Antônio Correia de Oliveira - A Preguiça'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-3205470398983186396</id><published>2008-06-05T09:39:00.004-03:00</published><updated>2008-06-05T09:44:21.097-03:00</updated><title type='text'>Kial ne?!</title><content type='html'>Kial ne?&lt;br /&gt;Kial ne ĵetiĝi haste&lt;br /&gt;en la kirlon de diboĉo,&lt;br /&gt;kial ne mankapti draste&lt;br /&gt;kaj ne trinki ĝojo-vinon? --&lt;br /&gt;Ja la fino&lt;br /&gt;venos mem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venos mem&lt;br /&gt;lasta horo iam gaste,&lt;br /&gt;for nin vokos fata voĉo ...&lt;br /&gt;Fratoj, hej! ne sidu faste!&lt;br /&gt;Verŝu, trinku fajran vinon&lt;br /&gt;ĝis al fino!&lt;br /&gt;Kial ne?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nikolajs Kurzens)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://donh.best.vwh.net/Esperanto/Literaturo/Poezio/dekdu/kurzens/"&gt;Poemoj de N. KURZENS&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-3205470398983186396?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/3205470398983186396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=3205470398983186396' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/3205470398983186396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/3205470398983186396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2008/06/kial-ne.html' title='Kial ne?!'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-178836306317420898</id><published>2008-06-05T09:34:00.003-03:00</published><updated>2008-06-05T09:38:34.936-03:00</updated><title type='text'>Conselhos e Máximas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conselhos e Máximas - Aforismo §1 - Arthur Schopenhauer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;    &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Considero como a regra suprema de toda a sabedoria de vida a sentença enunciada por Aristóteles em sua Moral a Nicômaco (VII. 12): Quod dolore vacat, non quod suave est, persequitur vir prudens. [o sábio busca a ausência de dor, não a felicidade] A verdade dessa sentença se fundamenta no fato de que todo prazer e toda felicidade são de natureza negativa, e a dor é, pelo contrário, de natureza positiva. Pode-se encontrar um exame detalhado do assunto em minha obra capital, vol. I, § 58; não obstante, quero ilustrá-lo também por um fato de observação cotidiana. Quando nosso corpo inteiro está saudável e intacto, exceto por uma parte insignificante ferida ou dolorida, a consciência cessa de perceber a saúde do conjunto, e a atenção se dirige constantemente à dor da parte lesionada, e todo o conforto e prazer da vida desvanecem. Do mesmo modo, quando todos os nossos negócios andam bem, a não ser um só que vá mal, este nos persegue constantemente o cérebro, ainda que seja de mínima importância. Pensamos sobre ele constantemente e damos pouca atenção às demais coisas mais importantes que andam a nosso gosto. Em ambos os casos, a vontade está lesionada, no primeiro, tal como se objetiva no organismo, no segundo, tal como se objetiva nos esforços e aspirações do homem. Vemos em ambos os casos que a satisfação da vontade sempre se produz negativamente e que, em conseqüência, não é sentida diretamente de modo algum; no máximo, chegamos a ter consciência disso através da reflexão. Por outro lado, o que obstrui a vontade é algo positivo e, portanto, sua presença faz-se sentir. Todo prazer consiste apenas em suprimir essa obstrução, em libertar-se dela e, por conseguinte, não pode ser senão de curta duração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aqui, pois, em que se fundamenta a excelente regra de Aristóteles reproduzida anteriormente, a qual afirma que devemos concentrar nossa atenção não nos grandes prazeres e diversões da vida, senão nos meios de evitar, na medida do possível, os seus inumeráveis males. Se esse caminho não fosse o verdadeiro, o aforismo de Voltaire Le bonheur n’est qu’un rêve, et la douleur est reelle [A felicidade é apenas um sonho e a dor é real] seria necessariamente tão falso quanto, na verdade, é exato. Assim, quando se quer fazer o balanço da vida em termos eudemonológicos, não se deve levar em conta os prazeres que se tem saboreado, senão os males que se tem evitado. Na verdade, a eudemonologia deve começar por ensinar-nos que seu próprio nome é um eufemismo e que quando dizemos “viver feliz” deve-se entender somente “ser menos desgraçado”, ou seja, levar uma vida tolerável. E em realidade a vida não é algo a ser desfrutado, mas vencido, superado. Isso pode ser visto em muitas expressões, tais como degere vitam, vita defungi [vive a vida, a vida se acaba]; em italiano, si scampa così [se ao menos escapássemos]; em alemão, man muss suchen, durchzukommen [levar a vida do melhor modo possível]; er wird schon durch die Welt Kommen [passar a vida] e outras semelhantes. Na velhice é um consolo saber que se tem detrás de si o trabalho de viver. O homem mais feliz é, pois, aquele que passa a vida sem grandes dores, tanto moralmente como fisicamente, e não aquele que experimentou as alegrias mais vivas ou os gozos mais intensos. Querer medir por meio disso a felicidade de uma existência é recorrer a uma medida falsa. Pois os prazeres são e permanecem negativos; pensar que nos tornam felizes é uma idéia errônea cultivada apenas pelos invejosos, em seu próprio detrimento. A dor, pelo contrário, é sentida positivamente; logo, sua ausência é a medida da felicidade. Se a um estado livre de dor acrescenta-se a ausência de tédio, então se alcança a felicidade na terra no que tem de essencial; o resto não é mais que quimera. Segue-se daí que nunca se devem comprar prazeres à custa de dores, tampouco do risco, visto que isso seria pagar algo negativo e quimérico com algo positivo e real. Em contrapartida, há benefício em sacrificar prazeres para evitar dores. Em ambos os casos, é indiferente se as dores seguem ou precedem os prazeres. Não existe verdadeiramente loucura maior que querer transformar este teatro de misérias e lamentos em um lugar de prazer e buscar prazeres e alegrias, como tantos fazem, em vez de tratar de evitar a maior quantidade possível de dores. Há alguma sabedoria naquele que, com um olhar sombrio, considera este mundo como uma espécie de inferno, e não se ocupa mais que de proporcionar-se um abrigo onde esteja a salvo das chamas. O tolo corre atrás dos prazeres da vida e colhe desilusões; o sábio evita os seus males. Quando, apesar desses esforços, não se consegue evitá-lo, a culpa é do destino, não de sua tolice; porém, na medida em que o consiga, não será desiludido, porque os males que houver evitado são muito reais. Ainda que seu esforço em evitá-los tenha sido excessivo, sacrificando prazeres desnecessariamente, não perdeu nada realmente; pois todos os prazeres são ilusórios, e lamentar por sua perda seria mesquinho, e mesmo ridículo. A incapacidade – encorajada pelo otimismo – de apreender essa verdade é a fonte de muitas desgraças. Assim, nos momentos em que estamos livres de dores, desejos inquietos fazem brilhar à nossa vista as quimeras de uma felicidade que não tem existência real e nos seduzem a persegui-las; com isso atraímos a dor, que é indiscutivelmente real. Então lamentamos a perda desse estado de ausência de dor que, como um paraíso perdido, ficou para trás, e em vão tentamos reverter o que está feito. Parece que um espírito maligno, com visões de nossos desejos, ocupa-se constantemente em nos distanciar do estado de ausência de sofrimento, da felicidade suprema e real. O jovem irrefletido imagina que o mundo existe para ser desfrutado; que é a morada de uma felicidade positiva; que os homens não a alcançam porque são incapazes de superar as dificuldades. Sua crença é reforçada pelos romances e poesias, e por essa hipocrisia que o mundo exibe onde quer que seja e sempre em favor das aparências, assunto ao qual retornarei em breve. Daí em diante, sua vida é uma busca mais ou menos deliberada de uma felicidade positiva que, como tal, diz-se consistir de prazeres positivos. Não devemos esquecer os perigos aos quais se expõe nessa busca pela felicidade. Isso leva à persecução de coisas que não existem de maneira alguma e, em regra, acaba por conduzir a uma desgraça muito real e positiva, que se manifesta como dores, sofrimentos, enfermidades, perdas, cuidados, pobreza, desonra e outras mil calamidades. O desengano chega tarde demais. Se, pelo contrário, se obedece à regra aqui exposta, se o projeto de vida é dirigido com o fim de evitar o sofrimento, ou seja, se manter afastado da necessidade, da enfermidade e de qualquer outra moléstia, então o objetivo é real. Assim, será possível alcançar algo, e tanto mais na medida em que o plano não for atrapalhado pela persecução dessa quimera da felicidade positiva. Isso concorda com a passagem de Goethe, em Wahlverwandtschaften [as afinidades eletivas], na qual Mittler, que sempre tenta levar felicidade aos demais, diz: Aquele que quer livrar-se de um mal sempre sabe o que quer; aquele que busca mais do que tem, é mais cego que um acometido pela catarata. O que recorda esse belo adágio francês: le mieux est l’ennemi du bien [o melhor é inimigo do bem]. Daí se pode deduzir igualmente a idéia fundamental do cinismo, como demonstrei em minha obra capital, volume II, capítulo 16. Pois o que os levava a rechaçar todos os prazeres senão o pensamento das dores que os acompanham? Evitar a dor lhes parecia muito mais importante que obter prazer. Estavam profundamente penetrados e convencidos da natureza negativa do prazer e da natureza positiva da dor. Faziam todo o possível para evitar os males; mas, para tal fim, julgavam necessário rejeitar íntegra e intencionalmente os prazeres, que consideravam como armadilhas que nos conduziam ao sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida, nascemos todos em Arcádia, como disse Schiller; isto é, começamos a vida cheios de aspirações à felicidade, ao prazer, e abrigamos a insensata esperança de realizá-las. Entretanto, em regra, chega o ponto em que o destino nos agarra bruscamente e nos ensina que nada é nosso, senão seu, visto que tem um direito indiscutível não apenas sobre tudo o que possuímos e adquirimos, sobre mulher e filhos, mas até sobre nossos braços e pernas, nossos olhos e ouvidos, e até sobre o nariz no meio da cara. Em todo caso, a experiência não tarda em fazer-nos compreender que felicidade e prazer são uma fata Morgana, que, visível somente de longe, desaparece quando nos aproximamos. Em contrapartida, compreendemos que o sofrimento e dor são uma realidade, a qual faz sua presença ser sentida sem qualquer intermediário, sem necessidade de ilusões ou expectativas. Se a lição dá seus frutos, desistimos de correr atrás da felicidade e do prazer, dedicando-nos a nos assegurar dos ataques da dor e do sofrimento. Reconhecemos, então, que o melhor que esse mundo pode oferecer-nos é uma existência sem dores, tranqüila, tolerável, na qual restringimos nossos anseios àquilo que estamos mais certos de poder alcançar. Porque o meio mais seguro para não chegar a ser muito infeliz é não desejar ser muito feliz. Merck, o amigo de juventude de Goethe, reconheceu essa verdade, posto que escreveu: Tudo neste mundo é desgraçado pela ânsia excessiva à felicidade, numa medida que, de fato, corresponde aos nossos sonhos. Aquele que pode livrar-se dela e só aspira ao que tem diante de si, esse poderá abrir passagem entre a ralé (Briefe na und von Merck, p. 100). É, pois, prudente reduzir a proporções muito modestas nossas pretensões aos prazeres, às riquezas, às posições, às honras etc., porque essa disputa e luta pela felicidade, pelo esplendor e pelos prazeres é o que nos traz os maiores infortúnios. Reduzir nossas pretensões é prudente e desejável porque é bastante fácil ser completamente desgraçado, enquanto não é apenas difícil ser muito feliz, mas completamente impossível. O poeta da sabedoria de vida disse com razão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auream quisquis mediocritatem&lt;br /&gt;Diligit, tutus caret obsoleti&lt;br /&gt;Sordibus tecti, caret invidenda&lt;br /&gt;                       Sobrius aula.&lt;br /&gt;Saevius ventis agitatur ingens&lt;br /&gt;Pinus: et celsae graviore casu&lt;br /&gt;Decidunt turres: feriuntque summos&lt;br /&gt;                     Fulgura montes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Todo aquele que escolhe a áurea mediana está livre dos cuidados de um teto miserável, e não inveja, sóbrio, os esplendores dos palácios. Acometidos pela tempestade, o alto pinheiro é agitado pelos ventos, as mais elevadas torres desmoronam com estrondo e os cimos dos montes são feridos pelos raios. (Horácio, Odes, II. 10. 5-12.)]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que, imbuído dos ensinamentos da minha filosofia, sabe que toda nossa existência é uma coisa que melhor fora que não existisse e que a suprema sabedoria consiste em negá-la e em rejeitá-la, não nutrirá grandes expectativas em relação a coisa alguma; não perseguirá com paixão nada no mundo, e tampouco levantará grandes queixas quando falhar em qualquer empreendimento. Pelo contrário, reconhecerá a profunda veracidade das palavras de Platão: Nenhuma das coisas humanas é digna de tanta urgência (República, X. 604). Vejamos o lema do Gulistan de Saadi, o poeta persa, traduzido por Graf:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ist einer Welt Besitz für dich zerronnen,&lt;br /&gt;Sei nicht in Leid darüber, es ist nichts;&lt;br /&gt;Und hast du einer Welt Besitz gewonnen,&lt;br /&gt;Sei nicht erfreut darüber, es ist nichts.&lt;br /&gt;Vorüber gehn die Schmerzen und die Wonnen,&lt;br /&gt;Geh an der Welt vorüber, es ist nichts.&lt;br /&gt;                                           Anwari Soheili.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Hás perdido o império do mundo? Não te aflijas; isso não é nada. Hás conquistado o império do mundo? Não te regozijes; isso não é nada. Dores e felicidades, tudo passa, passa ao lado do mundo; isso não é nada.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aumenta particularmente a dificuldade de chegar a essas perspectivas tão elevadas é a hipocrisia do mundo, já mencionada acima, e nada seria tão útil como desmascará-la ainda na juventude. Em sua maioria, as magnificências são, como decorações de teatro, puras aparências, e falta a própria essência da coisa. Navios decorados com bandeiras hasteadas, saudações de canhão, iluminações, tambores e trombetas, gritos de alegria, aplausos etc., tudo isso é o sinal exterior, o indício, a sugestão, o hieróglifo do júbilo ou alegria. Mas é bem aqui onde raramente se encontra a alegria; só ela se recusou a comparecer ao festival. Onde realmente se apresenta, chega, comumente, sem ser convidada ou anunciada, vem por si mesma e sans façon [sem cerimônias]. Freqüentemente, introduz-se, em silêncio, nas ocasiões mais insignificantes e banais, nas circunstâncias mais corriqueiras do dia-a-dia; isto é, em qualquer lugar, exceto na companhia do brilho e da glória. Como o ouro na Austrália, encontra-se dispersa aqui e acolá, segundo o capricho do acaso, sem regra nem lei, as mais das vezes em pequenos grãos, e muito raramente em grandes quantidades. Mas o objetivo de tudo isso é fazer os demais acreditarem que alegria deu as caras; produzir essa ilusão em suas mentes é a intenção. Sucede com a tristeza o mesmo que com a alegria. Como são tristes e melancólicas as longas e vagarosas procissões funerais! Uma fila interminável de carruagens. Porém, olhemos um pouco no interior; estão todas vazias, e o defunto é escoltado até a sepultura apenas pelos coveiros da cidade. Uma imagem eloqüente da amizade e da consideração neste mundo! Isso é o que chamo falsidade, indignidade e hipocrisia da conduta humana. Temos também um exemplo nas recepções solenes com os numerosos convidados em trajes finos; isso quase nos faz acreditar que se trata de companhias nobres e distintas. Mas, em vez disso, os verdadeiros convidados são a compulsão, a dor e o tédio; porque onde há muitos convidados, há muita gentalha, ainda que todos carreguem estrelas no peito. Com efeito, a verdadeira boa sociedade em todo lugar é necessariamente muito restrita. Entretanto, em geral, essas festas espalhafatosas e diversões barulhentas sempre levam em si algo que soa oco, ou, melhor dizendo, que soa falso, pois contradizem escandalosamente a miséria e a aridez de nossa existência, e o contraste ressalta a verdade. Não obstante, visto de fora, tudo isso surte efeito, e é exatamente esse o objetivo. Chamfort fez a excelente observação de que la société, les cercles, les salons, ce qu’on appelle le monde, est une pièce misérable, un mauvais opéra, sans intérêt, qui se soutient un peu par les machines, les costumes et les décorations. [A sociedade, os círculos, os salões, o que se chama alta sociedade, é uma peça miserável, uma ópera ruim, sem interesse, que se sustenta somente pelas máquinas, pelos trajes e as decorações]. Sucede o mesmo em relação às academias e as cadeiras de filosofia; essas são os sinais, o simulacro exterior da sabedoria; mas esse é outro convidado que recusou o convite, e encontra-se num lugar bastante diverso. O constante repique de sinos, os trajes sacerdotais, o porte piedoso e as gesticulações grotescas são o simulacro exterior, o semblante falso da devoção, e assim por diante. Assim, quase todas as coisas deste mundo podem chamadas nozes vazias; a noz é rara por si mesma, e ainda mais raro é encontrá-la dentro da casca. Temos de buscá-la em outros lugares; normalmente só a encontramos por acaso.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-178836306317420898?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/178836306317420898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=178836306317420898' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/178836306317420898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/178836306317420898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2008/06/conselhos-e-mximas.html' title='Conselhos e Máximas'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-3018527817549734950</id><published>2008-05-04T19:11:00.003-03:00</published><updated>2008-12-11T17:19:29.009-03:00</updated><title type='text'>O Poeta da MTV</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/SB408CpI4JI/AAAAAAAAAIg/NDfYlEpw-Ro/s1600-h/Caz%C3%A9.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/SB408CpI4JI/AAAAAAAAAIg/NDfYlEpw-Ro/s400/Caz%C3%A9.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196649226138345618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fico de pau duro&lt;br /&gt;Sinto-me Deus&lt;br /&gt;Não Deus como Zeus no Olimpo&lt;br /&gt;Deus como Jesus&lt;br /&gt;Como o homem no garimpo ao achar a maior pepita&lt;br /&gt;Como o médico que o cardíaco ressuscita&lt;br /&gt;Sinto-me Deus&lt;br /&gt;Sinto-me forte&lt;br /&gt;Sinto o poder&lt;br /&gt;Toda a grandeza de ser de um povo&lt;br /&gt;Sinto-me um ovo fecundado&lt;br /&gt;Como um viado ao dar o rabo&lt;br /&gt;Sinto-me alado&lt;br /&gt;Sinto-me sábio&lt;br /&gt;Sinto-me luz cuspida de meus lábios&lt;br /&gt;Sinto a explosão dos teus&lt;br /&gt;Quando me coloco Deus&lt;br /&gt;No meio de tuas pernas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cazé Peccini)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.semeublogfalasse.blogger.com.br/2005_07_01_archive.html"&gt;Se Meu Blog Falasse&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-3018527817549734950?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/3018527817549734950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=3018527817549734950' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/3018527817549734950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/3018527817549734950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2008/05/adoro-esse-cara.html' title='O Poeta da MTV'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/SB408CpI4JI/AAAAAAAAAIg/NDfYlEpw-Ro/s72-c/Caz%C3%A9.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-7454782597030572916</id><published>2008-04-30T10:12:00.002-03:00</published><updated>2008-04-30T10:21:26.177-03:00</updated><title type='text'>Invictus</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="western"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É de morte &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="western"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;De quem são os versos usados&lt;br /&gt;pelo terrorista McVeigh&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="western"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não é fácil ser poeta. É preciso cortejar as musas, lutar contra a indiferença do público e a maldade dos críticos. Com sorte, alguns de seus versos sobrevivem e chegam às gerações futuras. Mas nem aí sua obra está a salvo. Quando menos se espera, um assassino resolve lançar mão dela. Foi o que ocorreu com o poeta inglês William Ernest Henley (1849-1903) na segunda-feira da semana passada. Nesse dia, pouco antes de ser executado com uma injeção letal, o terrorista americano Timothy McVeigh, responsável pelo atentado que matou 168 pessoas em Oklahoma seis anos atrás, ouviu a pergunta de praxe: "Você quer dizer suas últimas palavras?". Calado, ele estendeu ao policial uma folha com um poema escrito a mão. Em tradução literal, os últimos versos diziam: "Não importa o quão difícil a passagem/ A quantidade de condenações que recaiam sobre mim/ Eu sou o mestre do meu destino/ Eu sou o capitão da minha alma". Não, a iminência da morte não transformou McVeigh em bardo. Na verdade, ele tomou emprestados os versos do poema &lt;i&gt;Invictus,&lt;/i&gt; obra mais famosa de Henley. No fim do século XIX, esse venerável cavalheiro vitoriano era uma das principais figuras do meio literário de seu país. Editou os primeiros escritos de autores como Thomas Hardy, George Bernard Shaw e H.G. Wells. Também foi grande amigo do romancista Robert Louis Stevenson, que se inspirou nele, que havia perdido um pé por causa de uma doença, para criar o pirata aleijado Long John Silver, personagem do livro &lt;i&gt;A Ilha do Tesouro.&lt;/i&gt; De sua própria lavra, o escritor produziu, além de poemas, ensaios – um dos quais, curiosamente, contra Stevenson. Pobre Henley. Dedicou a vida a promover a cultura. Acabou usado para glamourizar um bárbaro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fonte:  VEJA on-lne -  &lt;span style="font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;b&gt;Edição 1 705&lt;/b&gt; - 20 de junho de 2001&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;h1 class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Invictus&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt; &lt;h3 class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;by William E Henley&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Out of the night that covers me,&lt;br /&gt;Black as the Pit from pole to pole,&lt;br /&gt;I thank whatever gods may be&lt;br /&gt;For my unconquerable soul.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;In the fell clutch of circumstance&lt;br /&gt;I have not winced nor cried aloud.&lt;br /&gt;Under the bludgeonings of chance&lt;br /&gt;My head is bloody, but unbowed.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Beyond this place of wrath and tears&lt;br /&gt;Looms but the Horror of the shade,&lt;br /&gt;And yet the menace of the years&lt;br /&gt;Finds, and shall find, me unafraid.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;It matters not how strait the gate,&lt;br /&gt;How charged with punishments the scroll,&lt;br /&gt;I am the master of my fate;&lt;br /&gt;I am the captain of my soul.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Invictus&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;h2 class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(Título Original: "Invictus")&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt; &lt;h3 class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Autor: William E Henley&lt;br /&gt;Tradutor: André C S Masini&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Do fundo desta noite que persiste&lt;br /&gt;A me envolver em breu - eterno e espesso,&lt;br /&gt;A qualquer deus - se algum acaso existe,&lt;br /&gt;Por mi’alma insubjugável agradeço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nas garras do destino e seus estragos,&lt;br /&gt;Sob os golpes que o acaso atira e acerta,&lt;br /&gt;Nunca me lamentei - e ainda trago&lt;br /&gt;Minha cabeça - embora em sangue - ereta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Além deste oceano de lamúria,&lt;br /&gt;Somente o Horror das trevas se divisa;&lt;br /&gt;Porém o tempo, a consumir-se em fúria,&lt;br /&gt;Não me amedronta, nem me martiriza. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por ser estreita a senda - eu não declino,&lt;br /&gt;Nem por pesada a mão que o mundo espalma;&lt;br /&gt;Eu sou dono e senhor de meu destino;&lt;br /&gt;Eu sou o comandante de minha alma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;h6 class="western"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Copyright © André C S Masini, 2000&lt;br /&gt;Todos os direitos reservados. Tradução publicada originalmente&lt;br /&gt;no livro "Pequena Coletânea de Poesias de Língua Inglesa"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/h6&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;h4 class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O Autor:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="western"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;William Ernest Henley&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, nasceu em Gloucester, Inglaterra, em 23 de agosto de 1849, primogênito de seis irmãos, filho de um modesto vendedor de livros. Apesar da difícil condição financeira, seu pai conseguiu enviá-lo para uma escola secundária, Crypt Grammar School, que não pode concluir por motivos de saúde e financeiros. Tinha apenas doze anos de idade quando foi diagnosticada sua artrite decorrente do bacilo da tuberculose. Aos dezesseis teve a perna esquerda amputada abaixo do joelho. Em 1867, perdeu seu pai, tornando-se arrimo de sua mãe viúva e de seus irmãos. Em 1869 mudou-se para Londres onde conseguiu emprego como jornalista autônomo. Em 1872 sua doença o compeliu a viajar em tratamento para Edimburgo, Escócia, onde escreveu a coleção de poemas In Hospital e se apaixonou por Anna Boyle, com quem viria a se casar. Em 1875 tornou-se amigo íntimo de Robert Louis Stevenson que fora levado ao hospital para lhe conhecer. Nesse mesmo ano teve alta e retornou a Londres, onde se tornou editor da revista London. Em 1878 casou-se com Anna Boyle com quem teve sua única filha, Margaret, em 1888, que faleceu de meningite apenas 5 anos depois. Em 1889, tornou-se editor da revista Scots Observer, onde, nesse mesmo ano, escreveu uma crítica desfavorável de O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde que desencadeou uma célebre controvérsia entre ambos. Henley era um homem entusiasmado e apaixonado, com opiniões veementes e emoções intensas, e teve discussões com muitos outros contemporâneos. Permaneceu como editor de Scots Observer (cujo nome havia mudado para “National Observer”) até 1894, após o que morou em várias cidades inglesas com sua esposa. Morreu em 1903 de tuberculose.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Copyright © André C S Masini, 2000&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h6 class="western"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Essa biografia é obra registrada, com todos os direitos reservados, publicada&lt;br /&gt;originalmente no livro "Pequena Coletânea de Poesias de Língua Inglesa"&lt;/span&gt;&lt;/h6&gt; &lt;h4 class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h4&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-7454782597030572916?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/7454782597030572916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=7454782597030572916' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/7454782597030572916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/7454782597030572916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2008/04/invictus.html' title='Invictus'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-1387548160353555542</id><published>2008-04-08T08:06:00.003-03:00</published><updated>2008-12-11T17:19:29.204-03:00</updated><title type='text'>A Felicidade - Tom Jobim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R_uQHt2vLrI/AAAAAAAAAII/e_QYH50jLgI/s1600-h/orvalho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R_uQHt2vLrI/AAAAAAAAAII/e_QYH50jLgI/s400/orvalho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5186897858089922226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2 style="font-family: courier new;"&gt;A Felicidade&lt;/h2&gt; &lt;h2 style="font-family: courier new;" id="sz"&gt;Tom Jobim&lt;/h2&gt; &lt;p style="font-style: italic; font-family: courier new;" id="cmp"&gt;Composição: Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;"&gt;Tristeza não tem fim&lt;br /&gt;Felicidade sim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A felicidade é como a gota&lt;br /&gt;De orvalho numa pétala de flor&lt;br /&gt;Brilha tranquila&lt;br /&gt;Depois de leve oscila&lt;br /&gt;E cai como uma lágrima de amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A felicidade do pobre parece&lt;br /&gt;A grande ilusão do carnaval&lt;br /&gt;A gente trabalha o ano inteiro&lt;br /&gt;Por um momento de sonho&lt;br /&gt;Pra fazer a fantasia&lt;br /&gt;De rei ou de pirata ou jardineira&lt;br /&gt;Pra tudo se acabar na quarta-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tristeza não tem fim&lt;br /&gt;Felicidade sim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A felicidade é como a pluma&lt;br /&gt;Que o vento vai levando pelo ar&lt;br /&gt;Voa tão leve&lt;br /&gt;Mas tem a vida breve&lt;br /&gt;Precisa que haja vento sem parar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha felicidade está sonhando&lt;br /&gt;Nos olhos da minha namorada&lt;br /&gt;É como esta noite&lt;br /&gt;Passando, passando&lt;br /&gt;Em busca da madrugada&lt;br /&gt;Falem baixo, por favor&lt;br /&gt;Prá que ela acorde alegre como o dia&lt;br /&gt;Oferecendo beijos de amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tristeza não tem fim&lt;br /&gt;Felicidade sim &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-1387548160353555542?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/1387548160353555542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=1387548160353555542' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/1387548160353555542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/1387548160353555542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2008/04/felicidade-tom-jobim.html' title='A Felicidade - Tom Jobim'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R_uQHt2vLrI/AAAAAAAAAII/e_QYH50jLgI/s72-c/orvalho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-2368506546367770763</id><published>2008-01-20T15:03:00.000-03:00</published><updated>2008-01-20T15:13:10.082-03:00</updated><title type='text'>O que é Esclarecimento?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O que é Esclarecimento?&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; por Immanuel Kant&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esclarecimento [Aufklärung] é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sapere aude!&lt;/span&gt; Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;naturaliter maiorennes&lt;/span&gt;), continuem no entanto de bom grado menores durante toda a vida. São também as causas que explicam por que é tão fácil que os outros se constituam em tutores deles. É tão cômodo ser menor. Se tenho um livro que faz as vezes de meu entendimento, um diretor espiritual que por mim tem consciência, um médico que por mim decide a respeito de minha dieta etc., então não preciso esforçar-me eu mesmo. Não tenho necessidade de pensar, quando posso simplesmente pagar; outros se encarregarão em meu lugar dos negócios desagradáveis. A imensa maioria da humanidade (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e além do mais perigosa, porque aqueles tutores de bom grado tomaram a seu cargo a supervisão dela. Depois de terem primeiramente embrutecido seu gado doméstico e preservado cuidadosamente estas tranqüilas criaturas a fim de não ousarem dar um passo fora do carrinho para aprender a andar, no qual as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo na verdade não é tão grande, pois aprenderiam muito bem a andar finalmente, depois de algumas quedas. Basta um exemplo deste tipo para tornar tímido o indivíduo e atemorizá-lo em geral para não fazer outras tentativas no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil portanto para um homem em particular desvencilhar-se da menoridade que para ele se tornou quase uma natureza. Chegou mesmo a criar amor a ela, sendo por ora realmente incapaz de utilizar seu próprio entendimento, porque nunca o deixaram fazer a tentativa de assim proceder. Preceitos e fórmulas, estes instrumentos mecânicos do uso racional, ou antes do abuso, de seus dons naturais, são os grilhões de uma perpétua menoridade. Quem deles se livrasse só seria capaz de dar um salto inseguro mesmo sobre o mais estreito fosso, porque não está habituado a este movimento livre. Por isso são muitos poucos aqueles que conseguiram, pela transformação do próprio espírito, emergir da menoridade e empreender então uma marcha segura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que porém um público se esclareça [aufkläre] a si mesmo é perfeitamente possível; mais que isso, se lhe for dada a liberdade, é quase inevitável. Pois econtrar-se-ão sempre alguns indivíduos capazes de pensamento próprio, até entre os tutores estabelecidos da grande massa, que, depois de terem sacudido de si mesmos o jugo da menoridade, espalharão em redor de si o espírito de uma avaliação racional do próprio valor e da vocação de cada homem em pensar por si mesmo. O interessante nesse caso é que o público, que anteriormente foi conduzido por eles a este jugo, obriga-os daí em diante a permanecer sob ele, quando é levado a se rebelar por alguns de seus tutores que, eles mesmos, são incapazes de qualquer esclarecimento. Vê-se assim como é prejudicial plantar preconceitos, porque terminam por se vingar daqueles que foram seus autores ou predecessores destes. Por isso, um público só muito lentamente pode chegar ao esclarecimento. Uma revolução poderá talvez realizar a queda do despotismo pessoal ou da opressão ávida de lucros ou de domínios, porém nunca produzirá a verdadeira reforma do modo de pensar. Apenas novos preconceitos, assim como os velhos, servirão como cintas para conduzir a grande massa destituída de pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para este esclarecimento porém nada mais se exige senão LIBERDADE. E a mais inofensiva entre tudo aquilo que se possa chamar liberdade, a saber: a de fazer um uso público de sua razão em todas as questões. Ouço, agora, porém, exclamar de todos os lados: não raciocineis! O oficial diz: não raciocineis, mas exercitai-vos! O financista exclama: não raciocinei, mas pagai! O sacerdote proclama: não raciocineis, mas crede! (Um único senhor no mundo diz: raciocinai, tanto quanto quiserdes, e sobre o que quiserdes, mas obedecei!). Eis aqui por toda a parte a limitação da liberdade. Que limitação, porém, impede o esclarecimento? Qual não o impede, e até mesmo favorece? Respondo: o uso público de sua razão deve ser sempre livre e só ele pode realizar o esclarecimento entre os homens. O uso privado da razão pode porém muitas vezes ser muito estreitamente limitado, sem contudo por isso impedir notavelmente o progresso do esclarecimento. Entendo contudo sob o nome de uso público de sua própria razão aquele que qualquer homem, enquanto SÁBIO, faz dela diante do grande público do mundo letrado. Denomino uso privado aquele que o sábio pode fazer de sua razão em um certo cargo público ou função a ele confiado. Ora, para muitas profissões que se exercem no interesse da comunidade, é necessário um certo mecanismo, em virtude do qual alguns membros da comunidade devem comportar-se de modo exclusivamente passivo para serem conduzidos pelo governo, mediante uma unanimidade artificial, para finalidades públicas, ou pelo menos devem ser contidos para não destruir essa finalidade. Em casos tais, não é sem dúvida permitido raciocinar, mas deve-se obedecer. Na medida, porém, em que esta parte da máquina se considera ao mesmo tempo membro de uma comunidade total, chegando até a sociedade constituída pelos cidadãos de todo o mundo, portanto na qualidade de sábio que se dirige a um público, por meio de obras escritas de acordo com seu próprio entendimento, pode certamente raciocinar, sem que por isso sofram os negócios a que ele está sujeito em parte como membro passivo. Assim, seria muito prejudicial se um oficial, a que seu superior deu uma ordem, quisesse pôr-se a raciocinar em voz alta no serviço a respeito da conveniência ou da utilidade dessa ordem. Deve obedecer. Mas, razoavelmente, não se lhe pode impedir, enquanto homem versado no assunto, fazer observações sobre os erros no serviço militar, e expor essas observações ao seu público, para que as julgue. O cidadão não pode se recusar a efetuar o pagamento dos impostos que sobre ele recaem; até mesmo a desaprovação impertinente dessas obrigações, se devem ser pagas por ele, pode ser castigada como um escândalo (que poderia causar uma desobediência geral). Exatamente, apesar disso, não age contrariamente ao dever de um cidadão se, como homem instruído, expõe publicamente suas idéias contra a inconveniência ou a injustiça dessas imposições. Do mesmo modo também o sacerdote está obrigado a fazer seu sermão aos discípulos do catecismo ou à comunidade, de conformidade com o credo da Igreja a que serve, pois foi admitido com esta condição. Mas, enquanto sábio, tem completa liberdade, e até mesmo o dever, de dar conhecimento ao público de todas as suas idéias, cuidadosamente examinadas e bem intencionadas, sobre o que há de errôneo naquele credo, e expor suas propostas no sentido da melhor instituição da essência da religião e da Igreja. Nada existe aqui que possa constituir um peso na consciência. Pois aquilo que ensina em decorrência de seu cargo como funcionário da Igreja, expõe-no como algo em relação ao qual não tem o livre poder de ensinar como melhor lhe pareça, mas está obrigado a expor segundo a prescrição de um outro e em nome deste. Poderá dizer: nossa igreja ensina isto ou aquilo; estes são os fundamentos comprobatórios de que ela se serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tira então toda utilidade prática para sua comunidade de preceitos que ele mesmo não subscreveria com inteira convicção, em cuja apresentação pode contudo se comprometer, porque não é de todo impossível que em seus enunciados a verdade esteja escondida. Em todo caso, porém, pelo menos nada deve ser encontrado aí que seja contraditório com a religião interior. Pois se acreditasse encontrar esta contradição não poderia em sã consciência desempenhar sua função, teria de renunciar. Por conseguinte, o uso que um professor empregado faz de sua razão diante de sua comunidade é unicamente um uso privado, porque é sempre um uso doméstico, por grande que seja a assembléia. Com relação a esse uso ele, enquanto padre, não é livre nem tem o direito de sê-lo, porque executa uma incumbência estranha. Já como sábio, ao contrário, que por meio de suas obras fala para o verdadeiro público, isto é, o mundo, o sacerdote, no uso público de sua razão, goza de ilimitada liberdade de fazer uso de sua própria razão e de falar em seu próprio nome. Pois o fato de os tutores do povo (nas coisas espirituais) deverem ser eles próprios menores constitui um absurdo que dá em resultado a perpetuação dos absurdos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não deveria uma sociedade de eclesiásticos, por exemplo, uma assembléia de clérigos, ou uma respeitável classe (como a si mesma se denomina entre os holandeses) estar autorizada, sob juramento, a comprometer-se com um certo credo invariável, a fim de por este modo de exercer uma incessante supertutela sobre cada um de seus membros e por meio dela sobre o povo, e até mesmo a perpetuar essa tutela? Isto é inteiramente impossível, digo eu. Tal contrato, que decidiria afastar para sempre todo ulterior esclarecimento do gênero humano, é simplesmente nulo e sem validade, mesmo que fosse confirmado pelo poder supremo, pelos parlamentos e pelos mais solenes tratados de paz. Uma época não pode se aliar e conjurar para colocar a seguinte em um estado em que se torne impossível para esta ampliar seus conhecimentos (particularmente os mais imediatos), purificar-se dos erros e avançar mais no caminho do esclarecimento. Isto seria um crime contra a natureza humana, cuja determinação original consiste precisamente neste avanço. E a posteridade está portanto plenamente justificada em repelir aquelas decisões, tomadas de modo não autorizado e criminoso. Quanto ao que se possa estabelecer como lei para um povo, a pedra de toque está na questão de saber se um povo se poderia ter ele próprio submetido a tal lei. Seria certamente possível, como se à espera de lei melhor, por determinado e curto prazo, e para introduzir certa ordem. Ao mesmo tempo, se franquearia a qualquer cidadão, especialmente ao de carreira eclesiástica, na qualidade de sábio, o direito de fazer publicamente, isto é, por meio de obras escritas, seus reparos a possíveis defeitos das instituições vigentes. Estas últimas permaneceriam intactas, até que a compreensão da natureza de tais coisas se tivesse estendido e aprofundado, publicamente, a ponto de tornar-se possível levar à consideração do trono, com base em votação, ainda que não unânime, uma proposta no sentido de proteger comunidades inclinadas, por sincera convicção, a normas religiosas modificadas, embora sem detrimento dos que preferissem manter-se fiéis às antigas. Mas é absolutamente proibido unificar-se em uma constituição religiosa fixa, de que ninguém tenha publicamente o direito de duvidar, mesmo durante o tempo de vida de um homem, e com isso por assim dizer aniquilar um período de tempo na marcha da humanidade no caminho do aperfeiçoamento, e torná-lo infecundo e prejudicial para a posteridade. Um homem sem dúvida pode, no que respeita à sua pessoa, e mesmo assim só por algum tempo, na parte que lhe incumbe, adiar o esclarecimento. Mas renunciar a ele, quer para si mesmo quer ainda mais para sua descendência, significa ferir e calcar aos pés os sagrados direitos da humanidade. O que, porém, não é lícito a um povo decidir com relação a si mesmo, menos ainda um monarca poderia decidir sobre ele, pois sua autoridade legislativa repousa justamente no fato de reunir a vontade de todo o povo na sua. Quando cuida de toda melhoria, verdadeira ou presumida, coincida com a ordem civil, pode deixar em tudo o mais que seus súditos façam por si mesmos o que julguem necessário fazer para a salvação de suas almas. Isto não lhe importa, mas deve apenas evitar que um súdito impeça outro por meios violentos de trabalhar, de acordo com toda sua capacidade, na determinação e na promoção de si. Causa mesmo dano a sua majestade quando se imiscui nesses assuntos, quando submete à vigilância do seu governo os escritos nos quais seus súditos procuram deixar claras suas concepções. O mesmo acontece quando procede assim não só por sua própria concepção superior, com o que se expõe à censura: Ceaser non est supra grammaticos, mas também e ainda em muito maior extensão, quando rebaixa tanto seu poder supremo que chega a apoiar o despotismo espiritual de alguns tiranos em seu Estado contra os demais súditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for feita então a pergunta: "vivemos agora uma época esclarecida [aufgeklärten]"?, a resposta será: "não, vivemos em uma época de esclarecimento. Falta ainda muito para que os homens, nas condições atuais, tomados em conjunto, estejam já numa situação, ou possam ser colocados nela, na qual em matéria religiosa sejam capazes de fazer uso seguro e bom de seu próprio entendimento sem serem dirigidos por outrem. Somente temos claros indícios de que agora lhes foi aberto o campo no qual podem lançar-se livremente a trabalhar e tornarem progressivamente menores os obstáculos ao esclarecimento geral ou à saída deles, homens, de sua menoridade, da qual são culpados. Considerada sob este aspecto, esta época é a época do esclarecimento ou o século de Frederico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um príncipe que não acha indigno de si dizer que considera um dever não prescrever nada aos homens em matéria religiosa, mas deixar-lhes em tal assunto plena liberdade, que portanto afasta de si o arrogante nome de tolerância, é realmente esclarecido [aufgeklärt] e merece ser louvado pelo mundo agradecido e pela posteridade como aquele que pela primeira vez libertou o gênero humano da menoridade, pelo menos por parte do governo, e deu a cada homem a liberdade de utilizar sua própria razão em todas as questões da consciência moral. Sob seu governo os sacerdotes dignos de respeito podem, sem prejuízo de seu dever funcional expor livre e publicamente, na qualidade de súditos, ao mundo, para que os examinasse, seus juízos e opiniões num ou noutro ponto discordantes do credo admitido. Com mais forte razão isso se dá com os outros, que não são limitados por nenhum dever oficial. Este espírito de liberdade espalha-se também no exterior, mesmo nos lugares em que tem de lutar contra obstáculos externos estabelecidos por um governo que não se compreende a si mesmo. Serve de exemplo para isto o fato de num regime de liberdade a tranqüilidade pública e a unidade da comunidade não constituírem em nada motivo de inquietação. Os homens se desprendem por si mesmos progressivamente do estado de selvageria, quando intencionalmente não se requinta em conservá-los nesse estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acentuei preferentemente em matéria religiosa o ponto principal do esclarecimento, a saída do homem de sua menoridade, da qual tem a culpa. Porque no que se refere às artes e ciências nossos senhores não têm nenhum interesse em exercer a tutela sobre seus súditos, além de que também aquela menoridade é de todas a mais prejudicial e a mais desonrosa. Mas o modo de pensar de um chefe de Estado que favorece a primeira vai ainda além e compreende que, mesmo no que se refere à sua legislação, não há perigo em permitir a seus súditos fazer uso público de sua própria razão e expor publicamente ao mundo suas idéias sobre uma melhor compreensão dela, mesmo por meio de uma corajosa crítica do estado de coisas existentes. Um brilhante exemplo disso é que nenhum monarca superou aquele que reverenciamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também somente aquele que, embora seja ele próprio esclarecido, não tem medo de sombras e ao mesmo tempo tem à mão um numeroso e bem disciplinado exército para garantir a tranqüilidade pública, pode dizer aquilo que não é lícito a um Estado livre ousar: raciocinais tanto quanto quiserdes e sobre qualquer coisa que quiserdes; apenas obedecei! Revela-se aqui uma estranha e não esperada marcha das coisas humanas; como, aliás, quando se considera esta marcha em conjunto, quase tudo nela é um paradoxo. Um grau maior de liberdade civil parece vantajoso para a liberdade de espírito do povo e no entanto estabelece para ela limites intransponíveis; um grau menor daquela dá a esse espaço o ensejo de expandir-se tanto quanto possa. Se portanto a natureza por baixo desse duro envoltório desenvolveu o germe de que cuida delicadamente, a saber, a tendência e a vocação ao pensamento livre, este atua em retorno progressivamente sobre o modo de sentir do povo (com o que este se torna capaz cada vez mais de agir de acordo com a liberdade), e finalmente até mesmo sobre os princípios do governo, que acha conveniente para si próprio tratar o homem, que agora é mais do que simples máquina, de acordo com a sua dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Immanuel_Kant"&gt;Immanuel Kant - Wikipédia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/kant.htm"&gt;Immanuel Kant - Mundo dos Filósofos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-2368506546367770763?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/2368506546367770763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=2368506546367770763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/2368506546367770763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/2368506546367770763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2008/01/o-que-esclarecimento.html' title='O que é Esclarecimento?'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-5384703887364750421</id><published>2008-01-19T14:14:00.001-03:00</published><updated>2008-12-11T17:19:29.410-03:00</updated><title type='text'>O caráter destrutivo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R5IwJ60LfuI/AAAAAAAAADw/zVkXDSpo-io/s1600-h/rosa_de_hiroshima.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R5IwJ60LfuI/AAAAAAAAADw/zVkXDSpo-io/s400/rosa_de_hiroshima.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5157237470257708770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O caráter destrutivo&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; por Walter Benjamin&lt;/div&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; É possível que alguém, ao fazer um retrospecto de sua vida, verifique que quase todas as ligações mais profundas que ele experimentou, tenham partido de indivíduos sobre cujo "caráter destrutivo" todo o mundo estava de acordo. Esbarraria um dia, talvez casualmente, nesse fato, e quanto mais duro fosse o choque, tanto maiores seriam suas chances de representar o caráter destrutivo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo conhece apenas uma divisa: criar espaço; conhece apenas uma atividade: abrir caminho. Sua necessidade de ar puro e de espaço é mais forte do que qualquer ódio. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo é jovem e sereno. Pois destruir rejuvenesce, porque afasta as marcas de nossa própria idade; reanima, pois toda eliminação significa, para o destruidor, uma completa redução, a extração da raiz de sua própria condição. O que leva a esta imagem apolínea do destruidor é, antes de mais nada, o reconhecimento de que o mundo se simplifica terrivelmente quando se testa o quanto ele merece ser destruído. Este é o grande vínculo que envolve, na mesma atmosfera, tudo o que existe. É uma visão que proporciona ao caráter destrutivo um espetáculo da mais profunda harmonia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo está sempre atuando bem disposto. A natureza lhe prescreve o ritmo, pelo menos indiretamente: pois ele deve adiantar-se a ela, do contrário ela própria assumirá a destruição. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo não se fixa numa imagem ideal. Tem poucas necessidades, e a menos importante delas seria: saber o que ocupará o lugar da coisa destruída. Primeiramente, pelo menos por um instante, o espaço vazio, o lugar onde se encontrava a coisa, onde vivia a vítima. Certamente vai aparecer alguém que precise dele, sem ocupá-lo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo executa seu trabalho, evitando apenas trabalhos criativos. Assim como o criador busca a solidão, assim também o destruidor precisa cercar-se continuamente de pessoas, de testemunhas de sua eficácia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo é um sinal. Assim como um sinal trigonométrico está exposto ao vento, de todos os lados, assim também ele está exposto, por todos os lados, aos boatos. Não tem sentido protegê-lo contra isso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo não tem o mínimo interesse em ser compreendido. Considera superficiais quaisquer esforços nesse sentido. O fato de ser mal entendido não o afeta. Ao contrário, ele provoca mal entendidos, assim como o faziam os oráculos - essas instituições políticas destrutivas. O fenômeno mais pequeno-burguês, o falatório, só acontece porque as pessoas não querem ser mal entendidas. O caráter destrutivo não se importa de ser mal entendido; ele não fomenta o falatório. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo é o inimigo do homem-estojo. O homem-estojo busca sua comodidade, e a caixa é sua essência. O interior da caixa é a marca, forrada de veludo, que ele imprimiu no mundo. O caráter destrutivo elimina até mesmo os vestígios da destruição. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo se alinha na frente de combate dos tradicionalistas. Uns transmitem as coisas na medida em que as tomam intocáveis e as conservam; outros transmitem as situações na medida em que as tornam palpáveis e as liquidam. Estes são chamados destrutivos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo tem a consciência do indivíduo histórico cuja principal paixão é uma irresistível desconfiança do andamento das coisas, e a disposição com a qual ele, a qualquer momento, toma conhecimento de que tudo pode sair errado. Por isso, o caráter destrutivo é a confiabilidade em pessoa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O caráter destrutivo não vê nada de duradouro. Mas, por isso mesmo, vê caminhos por toda a parte. Mesmo onde os demais esbarram em muros ou montanhas, ele vê um caminho. Mas porque vê caminhos por toda a parte, também tem que abrir caminhos por toda a parte. Nem sempre com força brutal, às vezes, com força refinada. Como vê caminhos por toda a parte, ele próprio se encontra sempre numa encruzilhada. Nenhum momento pode saber o que trará o próximo. Transforma o existente em ruínas, não pelas ruínas em si, mas pelo caminho que passa através delas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; O caráter destrutivo não vive do sentimento de que a vida vale a pena ser vivida, e sim de que o suicídio não compensa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; &lt;div style="text-align: right;"&gt;BENJAMIN, Walter. in &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Der Destruktive Charakter&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  Tópicos relacionados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Benjamin"&gt;Walter Benjamin&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;a href="http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/19/Castle_Romeo.jpg/250px-Castle_Romeo.jpg&amp;amp;imgrefurl=http://pt.wikipedia.org/wiki/Destrui%25C3%25A7%25C3%25A3o_M%25C3%25BAtua_Assegurada&amp;amp;h=314&amp;amp;w=250&amp;amp;sz=10&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;start=2&amp;amp;um=1&amp;amp;tbnid=-uQoRhgJ9GQ_zM:&amp;amp;tbnh=117&amp;amp;tbnw=93&amp;amp;prev=/images%3Fq%3Ddestrui%25C3%25A7%25C3%25A3o%26svnum%3D10%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26lr%3Dlang_pt%26sa%3DN"&gt;Destruição Mútua Assegurada&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-5384703887364750421?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/5384703887364750421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=5384703887364750421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/5384703887364750421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/5384703887364750421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2008/01/o-carter-destrutivo.html' title='O caráter destrutivo'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R5IwJ60LfuI/AAAAAAAAADw/zVkXDSpo-io/s72-c/rosa_de_hiroshima.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-4159304210659735702</id><published>2008-01-01T16:47:00.000-03:00</published><updated>2008-12-11T17:19:29.628-03:00</updated><title type='text'>Crisântemos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R3qZLK0LfoI/AAAAAAAAACo/57tKubjIWvs/s1600-h/cris%C3%A2ntemos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R3qZLK0LfoI/AAAAAAAAACo/57tKubjIWvs/s400/cris%C3%A2ntemos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150597541012405890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembrança de uma amiga, já falecida: ela me presenteou com esta corbelha de crisântemos (sobre a arca) por ocasião do meu 46º aniversário, em março de 1997. Procurei o significado espiritual dos crisântemos amarelos. Numa pesquisa, encontrei este poema de Florbela Espanca, que fala justamente sobre essas flores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Crisântemos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sombrios mensageiros das violetas,&lt;br /&gt;De longas e revoltas cabeleiras;&lt;br /&gt;Brancos, sois o casto olhar das virgens&lt;br /&gt;Pálidas que ao luar, sonham nas eiras.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Vermelhos, gargalhadas triunfantes,&lt;br /&gt;Lábios quentes de sonhos e desejos,&lt;br /&gt;Carícias sensuais d´amor e gozo;&lt;br /&gt;Crisântemos de sangue, vós sois beijos!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Os amarelos riem amarguras,&lt;br /&gt;Os roxos dizem prantos e torturas,&lt;br /&gt;Há-os também cor de fogo, sensuais…&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Eu amo os crisântemos misteriosos&lt;br /&gt;Por serem lindos, tristes e mimosos,&lt;br /&gt;Por ser a flor de que tu gostas mais!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.prahoje.com.br/florbela/?p=202"&gt;Crisântemos, de Florbela Espanca&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-4159304210659735702?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/4159304210659735702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=4159304210659735702' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4159304210659735702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4159304210659735702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2008/01/crisntemos.html' title='Crisântemos'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R3qZLK0LfoI/AAAAAAAAACo/57tKubjIWvs/s72-c/cris%C3%A2ntemos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-4868612216279754338</id><published>2007-12-17T08:38:00.000-03:00</published><updated>2008-12-11T17:19:30.028-03:00</updated><title type='text'>O Autômato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R2ZgNq0LflI/AAAAAAAAACU/IgoaoqWmsXk/s1600-h/robot.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R2ZgNq0LflI/AAAAAAAAACU/IgoaoqWmsXk/s320/robot.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144905412265082450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;O Autômato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;por Emil Michel Cioran&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Respiro por preconceito. E contemplo o espasmo das idéias, enquanto que o Vazio sorri a si mesmo... Não há mais suor no espaço, não há mais vida; a menor vulgaridade a fará reaparecer: basta um segundo de espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se percebe existir, experimenta-se a sensação de um demente maravilhado que surpreende sua própria loucura e busca inutilmente dar-lhe um nome. O hábito embota nosso assombro de existir: somos, e vamos além, ocupamos nosso lugar no asilo dos existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conformista, vivo, tento viver, por imitação, por respeito às regras do jogo, por horror à originalidade. Resignação de autômato: simula fervor e ri disso secretamente; só submeter-se às convenções para repudiá-las às escondidas; figurar em todos os registros, mas sem residência no tempo; salvar a cara, quando seria imperioso perdê-la... Aquele que despreza tudo deve assumir um ar de dignidade perfeita, induzir ao erro os outros e até ele mesmo: cumprirá assim mais facilmente sua tarefa de falso vivente. Para que mostrar nossa ruína se podemos fingir a prosperidade? O inferno não tem boas maneiras: é a imagem exasperada de um homem franco e grosseiro, é a terra concebida sem nenhuma superstição de elegância e de civilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceito a vida por cortesia: a revolta perpétua é de tão mau gosto como o sublime do suicídio. Aos vinte anos se rompe em impropérios contra os céus e a imundície que cobrem; depois se cansa. A pose trágica só corresponde à puberdade prolongada e ridícula; mas são necessárias mil provas para alcançar o histrionismo do desapego. Quem, emancipado de todos os princípios de costume, não dispusesse de nenhum dom de comediante, seria o arquétipo do infortúnio, o ser idealmente desgraçado. É inútil construir tal modelo de franqueza: a vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se põe nela. Tal modelo seria a ruína da sociedade, pois a "doçura" de viver em comum reside na impossibilidade de dar livre curso ao infinito de nossos pensamentos ocultos. É porque somos todos impostores que nos suportamos uns aos outros. Quem não aceitasse mentir veria a terra fugir sob seus pés: estamos biologicamente obrigados ao falso. Não há herói moral que não seja ou pueril, ou ineficaz, ou inautêntico; pois a verdadeira autenticidade é o aviltamento na fraude, no decoro da adulação pública e da difamação secreta. Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas opiniões sobre eles, o amor, a amizade, o devotamento seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos, nenhum de nós proferiria um "eu" sem envergonhar-se. A dissimulação arrasta tudo o que vive, desde o troglodita até o cético. Como só o respeito das aparências nos separa dos cadáveres, precisar o fundo das coisas e dos seres é perecer; conformemo-nos a um nada mais agradável: nossa constituição só tolera uma certa dose de verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardemos no fundo mais profundo de nós mesmos uma certeza superior a todas as outras: a vida não tem sentido, não pode tê-lo. Deveríamos nos matar imediatamente se uma revelação imprevista nos persuadisse do contrário. Se o ar desaparecesse, respiraríamos ainda; mas sufocaríamos no mesmo instante se nos fosse roubada a alegria da inanidade...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(fonte: CIORAN, Emil Michel. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;in&lt;/span&gt; Breviário de Decomposição)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-4868612216279754338?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/4868612216279754338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=4868612216279754338' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4868612216279754338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4868612216279754338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/12/o-autmato.html' title='O Autômato'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/R2ZgNq0LflI/AAAAAAAAACU/IgoaoqWmsXk/s72-c/robot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-6646563452723050290</id><published>2007-11-19T14:40:00.000-03:00</published><updated>2007-11-19T14:43:03.969-03:00</updated><title type='text'>Escutatória</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;em&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Rubem Alves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt; &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em &lt;span&gt;silêncio,&lt;/span&gt; [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Em ambos &lt;span&gt;os casos, estou chamando&lt;/span&gt; o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Eu comecei a ouvir. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#6600cc;"&gt;&lt;span&gt;Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-6646563452723050290?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/6646563452723050290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=6646563452723050290' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/6646563452723050290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/6646563452723050290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/11/escutatria.html' title='Escutatória'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-6488509526862730441</id><published>2007-09-03T13:24:00.000-03:00</published><updated>2007-09-04T10:47:38.218-03:00</updated><title type='text'>A Cruz da Estrada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.buenasnuevas.com/recursos/dibujos/lasmelli/cruz.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.buenasnuevas.com/recursos/dibujos/lasmelli/cruz.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Caminheiro que passas pela estrada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Seguindo pelo rumo do sertão,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Quando vires a cruz abandonada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Deixa-a em paz dormir na solidão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Que vale o ramo do alecrim cheiroso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Que lhe atiras nos braços ao passar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Vais espantar o bando buliçoso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Das borboletas, que lá vão pousar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;É de um escravo humilde sepultura,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Deixa-o dormir no leito de verdura,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Não precisa de ti. O gaturamo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Geme, por ele, à tarde, no sertão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;E a juriti, do taquaral no ramo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Povoa, soluçando, a solidão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Dentre os braços da cruz, a parasita,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Num abraço de flores, se prendeu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Chora orvalhos a grama, que palpita;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Lhe acende o vaga-lume o facho seu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Quando, à noite, o silêncio habita as matas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;A sepultura fala a sós com Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Prende-se a voz na boca das cascatas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;E as asas de ouro aos astros lá nos céus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Caminheiro! do escravo desgraçado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;O sono agora mesmo começou!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);" class="postbody"&gt;Não lhe toques no leito de noivado,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Há pouco a liberdade o desposou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 0, 0); font-weight: bold;"&gt;Castro Alves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-6488509526862730441?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/6488509526862730441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=6488509526862730441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/6488509526862730441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/6488509526862730441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/09/cruz-da-estrada.html' title='A Cruz da Estrada'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-6036041650463202489</id><published>2007-09-01T23:23:00.000-03:00</published><updated>2008-12-11T17:19:30.263-03:00</updated><title type='text'>A Coruja de Minerva</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/RtofLlv9yeI/AAAAAAAAAB8/wWP43yUq8cU/s1600-h/coruja_de_minerva.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/RtofLlv9yeI/AAAAAAAAAB8/wWP43yUq8cU/s400/coruja_de_minerva.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105427411550194146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);font-size:100%;" &gt;Quando começam a cair as sombras do anoitecer, então a coruja de Minerva inicia o seu vôo.&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Quando a Filosofia chega, com sua luz crepuscular, a um mundo que declina, é porque alguma manifestação da vida está prestes a desaparecer. Não vem a Filosofia para renová-la, mas apenas para reconhecê-la.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hegel&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-6036041650463202489?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/6036041650463202489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=6036041650463202489' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/6036041650463202489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/6036041650463202489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/09/coruja-de-minerva.html' title='A Coruja de Minerva'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/RtofLlv9yeI/AAAAAAAAAB8/wWP43yUq8cU/s72-c/coruja_de_minerva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-4612678554097963166</id><published>2007-08-18T20:00:00.000-03:00</published><updated>2007-08-23T15:45:57.949-03:00</updated><title type='text'>Eppur si muove.</title><content type='html'>&lt;div&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 1.13cm; page-break-after: avoid;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NÃO&lt;/span&gt; se pode calar um homem. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tirem-lhe a voz, restará o nome. Tirem-lhe o nome, e em nossa boca restará a sua  antiga fome. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Matar, sim, se pode. Se pode matar um homem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas sua voz, como os peixes, nada contra a corrente, a procriar verdades novas na direção contrária à foz. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mente quem fala que quem cala consente. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quem cala, às vezes, &lt;b&gt;&lt;i&gt;re-sente&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Por trás dos muros dos dentes, edifica-se um discurso transparente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um homem não se cala com um tiro ou mordaça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;A ameaça só faz falar nele o que nele está latente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ninguém cala ninguém, pois existe o inconsciente. Só se deixa enganar assim quem age medievalmente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como  se faz para calar o vento, quando ele sopra com a força do  pensamento?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não  se pode caçar a palavra a um homem, como se caça às  feras o pêlo e o chifre na emboscada das savanas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não se pode, como a um pássaro, aprisionar a voz humana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A gaiola só é prisão para quem não entende a liberdade do não.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se a palavra é uma chave, que fala de prisão, o silêncio é uma ave, que canta na escuridão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A ausência da voz é, mesmo assim, um discurso. É como um rio vazio, cujas margens, sem água, dão notícia de seu curso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No princípio era o Verbo – bem se pode interpretar: no silêncio era o Verbo, e o Verbo do silêncio só fazia verberar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na verdade, na verdade vos digo: mais perturbador que a fala do sábio, é seu sábio silêncio, seu silêncio &lt;b&gt;&lt;i&gt;con-sentido&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que fazer de um discurso interrompido? Hibernou? Secou na boca, contido?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ah, o silêncio é um discurso invertido, modo de falar alto o proibido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O silêncio, depois da fala, não é mais inteiro. Passa a ter duplo sentido. É como um fruto proibido. Comido, não pela boca, mas pela fome do nosso ouvido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se um silêncio é demais, quando é de dois, geminado, mais que silêncio, é perigo. É uma forma de ruído.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por isto que o silêncio de algumas consciências, quando passa a ser ouvido, não é silêncio, é estampido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Eppur si muove (*) – Para Leonardo e Clodovis Boff&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Texto de Affonso Romano de Santanna&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(*) "Ainda assim, ela se move" - Frase dita por Galileu, após abjurar (diante da Inquisição) que o planeta Terra girava em torno do sol.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-4612678554097963166?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/4612678554097963166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=4612678554097963166' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4612678554097963166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4612678554097963166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/08/eppur-si-muove.html' title='Eppur si muove.'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-2781303486557960112</id><published>2007-08-10T13:25:00.000-03:00</published><updated>2008-12-11T17:19:30.543-03:00</updated><title type='text'>Ignoto Deo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/RryR5wm1IrI/AAAAAAAAABo/Qofb_uclmXA/s1600-h/l_isola_dei_morti.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/RryR5wm1IrI/AAAAAAAAABo/Qofb_uclmXA/s320/l_isola_dei_morti.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097109299762897586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;br /&gt;IGNOTO DEO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desisti de saber qual é o Teu nome,&lt;br /&gt;Se tens ou não tens nome que Te demos,&lt;br /&gt;Ou que rosto é que toma, se algum tome,&lt;br /&gt;Teu sopro tão além de quanto vemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desisti de Te amar, por mais que a fome&lt;br /&gt;Do Teu amor nos seja o mais que temos,&lt;br /&gt;E empenhei-me em domar, nem que os não dome,&lt;br /&gt;Meus, por Ti, passionais e vãos extremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamar-Te amante ou pai... grotesco engano&lt;br /&gt;Que por demais tresanda a gosto humano!&lt;br /&gt;Grotesco engano o dar-te forma! E enfim,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desisti de Te achar no quer que seja,&lt;br /&gt;De Te dar nome, rosto, culto, ou igreja...&lt;br /&gt;– Tu é que não desistirás de mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-2781303486557960112?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/2781303486557960112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=2781303486557960112' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/2781303486557960112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/2781303486557960112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/08/ignoto-deo.html' title='Ignoto Deo'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/RryR5wm1IrI/AAAAAAAAABo/Qofb_uclmXA/s72-c/l_isola_dei_morti.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-1882701010884373223</id><published>2007-07-30T14:11:00.000-03:00</published><updated>2007-09-08T14:26:55.314-03:00</updated><title type='text'>Círculo Vicioso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www2.vo.lu/homepages/jfaria/images/circulo_vicioso2.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www2.vo.lu/homepages/jfaria/images/circulo_vicioso2.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Círculo Vicioso&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Machado de Assis&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:&lt;br /&gt;        - "Quem me dera que fosse aquela loura estrela,&lt;br /&gt;        Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"&lt;br /&gt;        Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;             -"Pudesse eu copiar o transparente lume,&lt;br /&gt;        Que, da grega coluna à gótica janela,&lt;br /&gt;        Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!"&lt;br /&gt;        Mas a lua, fitando o sol, com azedume:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;             -"Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela&lt;br /&gt;        Claridade imortal, que toda a luz resume:&lt;br /&gt;        Mas o sol, inclinando a rútila capela:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;             - "Pesa-me esta brilhante auréola de nume...&lt;br /&gt;        Enfara-me esta azul e desmedida umbela...&lt;br /&gt;        Por que não nasci eu um simples vaga-lume?"           &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Ocidentais, in Poesias completas, 1901.)&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nota: soneto que expressa a insatisfação universal, na qual cada um está sempre cobiçando a posição ou a situação de outrem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;   &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-1882701010884373223?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/1882701010884373223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=1882701010884373223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/1882701010884373223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/1882701010884373223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/07/crculo-vicioso-machado-de-assis.html' title='Círculo Vicioso'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-857350836428660440</id><published>2007-07-23T11:33:00.000-03:00</published><updated>2007-07-23T11:39:34.296-03:00</updated><title type='text'>Genealogia da Moral</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="postbody"&gt;NIETZSCHE “A genealogia da Moral”. Trad. A.A. Rocha, Rio de Janeiro, Tecnoprint Gráfica S.A. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Prefácio: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; A Genealogia da moral é composta de três partes: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; 1) Da origem e da essência do cristianismo, que consiste na reação e insurreição contra o predomínio dos valores aristocráticos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; 2) A crueldade é um elemento da civilização, que não pode ser reprimido: a consciência é o instinto da crueldade, que se dobra sobre si mesmo depois de não ter podido desafogar-se externamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; 3) Explica a força do ideal ascético-religioso, pois é o único proposto aos homens. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Prefácio: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “Nos os investigadores do conhecimento, desconhecemo-nos.” Nem a respeito de nós mesmos procuramos o conhecimento. 17-18 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; II &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Pergunta pela origem de nossos preconceitos morais, as idéias de bem e de mal, que segundo o autor, brotavam da vontade de conhecimento, que dirige as forças mais íntimas e fala com uma linguagem cada vez mais nítida. 18-19 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;A invenção humana das apreciações bem e mal, são um sintoma funesto de empobrecimento vital, de degeneração? Ou indicam, pelo contrário, a plenitude, a força e vontade de viver. 20 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; IV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “Minha teoria da justiça considerada como equilíbrio de poderes iguais.” 21 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; V &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O altruísmo que Schopenhauer elevara as regiões sobrenaturais, como valores substanciais, nos quais fundou sua negação a vida. Via eu precisamente a tentação a sedução suprema que conduzia ao nada. Esta moral de compaixão era o sintoma mais perigoso da nossa civilização européia. 22-23 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Necessitamos uma crítica dos valores morais, e antes de tudo deve discutir-se o valor destes valores, e por isso é de toda a necessidade conhecer as condições em que nasceram, em que se desenvolveram e deformaram. 23 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; A verdadeira história da moral é Genealogia da moral. 25 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Dissertação Primeira &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Bem e mal, bom e mau. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; I &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Psicólogos ingleses procuram o princípio ativo da evolução na faculdade do esquecimento. Que saibam refrear o coração e sacrificar os seus desejos à verdade, a toda a verdade, suja, repugnante, anticristã e imoral, porque tais verdades existem. 29 - 30 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; II &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;As ações altruístas foram louvadas e reputadas boas por aqueles a quem eram úteis; esqueceu-se a origem deste louvor e chamaram-se boas por costume adquirido, como se fossem boas em si mesmas. 30 - 31 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;A origem da antítese Bom e Mal vem da oposição de uma raça superior a uma raça inferior, como ato de autoridade que emana dos que dominam. 32 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; III &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Herbert Spencer considera os conceitos bom e útil como de essência semelhante. 33 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; IV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Bom nasce da idéia de distinção de nobreza, paralela a noção de vulgar plebeu e mau. O preconceito democrático põe obstáculo a investigação inerente às origens. 33 - 34 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; V &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Na Grécia, os nobres eram os verídicos, por oposição aos embrutecidos da plebe. Em Roma bônus seria o homem da disputa, o guerreiro. 36 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Puro, homem que se lava, não coabita com as mulheres sujas da plebe e que tem horror ao sangue. Há desde o início algo mórbido nestas aristocracias sacerdotais. A metafísica sacerdotal hostil aos sentidos. 37 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Sacerdotes x aristocracias guerreiras. Inimigos mais vingativos, porque mais impotentes os judeus vingaram-se dos dominadores, por uma radical mudança de valores. Atiraram por terra a equação bom, nobre, piedoso, formoso feliz… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VIII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Do ódio saiu um amor novo. “Este Jesus de Nazaré, não era…, a sedução que por um rodeio, havia de conduzir os homens a adotar os valores judaicos.” 41 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; IV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; O povo é que venceu; os escravos, tudo se judaíza, se cristianiza e se aplebéia a olhos vistos. 42 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; X &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Enquanto que toda a moral aristocrática nasce de uma triunfante afirmação de si mesma, a moral dos escravos opõe um não a tudo o que não é seu este não é o seu ato criador. 43 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;A moral dos escravos necessitou sempre de um mundo oposto exterior, sua ação é uma reação. A moral aristocrática cresce espontaneamente. Os aristocratas eram os felizes e não tinham a necessidade de construir artificialmente sua felicidade como os rancorosos. 44 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O aristocrata tira do seu próprio eu a idéia fundamental de bom donde tira por antítese a de mau. O mau do rancoroso é a idéia original. 46 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Perguntai aos escravos qual é o mal, o personagem que para a moral aristocrática é bom, a fera aristocrática. 47 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Se a finalidade da cultura é domesticar a besta humana, são instrumentos da cultura todos estes instintos de reação. São a vergonha da humanidade. 49 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Que os cordeiros tenham horror às aves de rapina, compreende-se; mas não é uma razão para querer mal às aves de rapina. 51 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Os esmagados cheios de impotência se põe a dizer O bom é o que não injuria a ninguém, nem ofende nem ataca, nem usa de represálias, se não que deixa a Deus o cuidado da vingança e vive oculto como nós e evita a tentação e espera pouco da vida como nós os pacientes, os humildes, os justos. 52 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; É um instinto de conservação pessoal. 53 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XIV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Aqui a mentira chama bondade à impotência, humildade à baixeza, obediência à submissão forçada. A covardia chama-se paciência. Agora dizem que não só são melhores do que os poderosos e do que os governantes, cujas pisadas beijam, mas que seu lote de eternidade é muito melhor. Esta oficina onde se fabrica o ideal, cheira-me a mentira, a embuste. 54 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Não pedem represálias, mais justiça e esperam o triunfo do Deus da justiça. 55 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Estes fracos querem ser algum dia os fortes: o seu reino chegará um dia; e são tão humildes que o chamam reino de Deus. 56 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “Os dois valores opostos ‘bom e mau’, ‘bem e mal’ mantiveram durante milhares de anos um combate largo e terrível” 58 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“O símbolo desta luta é Roma contra a Judéia, Judéia contra Roma” Roma via no judeu uma natureza oposta a sua, um antípoda monstruoso, um ser convicto de ódio contra o gênero humano e com razão se é certo que a salvação e o futuro da humanidade consiste no domínio absoluto dos valores aristocráticos, dos romanos.” 59 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “Qual dos povos venceu, Roma ou Judéia? Os judeus. 59 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XVII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Todas as ciências devem preparar ao filósofo a sua tarefa, que consiste em resolver o problema da avaliação, em determinar a hierarquia dos valores.” 62 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; A falta, a má consciência e o que nos afigura: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; I  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; O esquecimento é um poder ativo, uma faculdade moderadora. 63 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “ unicamente, pela moralização dos costumes e pela camisa-de-força social, chegou o homem a ser realmente apreciável.” 64 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; II &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O fruto mais maduro é o indivíduo soberano, senhor de uma vasta e indomável vontade, acha nessa posse a sua tábua de valores para julgar os outros, é dono de sua promessa. 65 - 66 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; III &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Dor auxílio mais poderoso da memória, fixando cinco ou seis não quero. 68 -69 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; IV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Como a consciência da falta veio ao mundo? Antes se castigava pela cólera que o dano excita. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; V &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Concedia-se ao credor certa satisfação e gozo de exercer impunemente o seu poderio com respeito a um ser reduzido a impotência, o deleite de fazer o mal pelo gosto de o fazer.” O credor participa do direito dos amos, e conclui por saborear o sentimento enobrecedor de desprezar e maltratar a quem esteja por baixo dele. A compensação consiste, pois no direito de ser cruel. 73 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;A idéia de vingança torna mais espessa as trevas. “Ver sofrer, alegra, fazer sofrer, alegra mais ainda; há nisso uma antiga verdade humana, demasiado humana”, “Sem crueldade não há gozo, o castigo é uma festa” 75 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;A vida sobre a terra era mais feliz, na sua porfia por converter-se em anjo, o homem conseguiu esta fraqueza de estômago que lhe tornaram insípida e dolorosa a vida. 76 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VIII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Sentimento do dever, tem origem nas relações entre credor e devedor. Tudo tem seu preço, tudo pode ser pago. Este foi o cânon moral da justiça, o mais antigo e mais ingênuo, o começo de toda bondade. 79 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; IX &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; O castigo do inimigo é o grito de guerra, o triunfo em toda a sua inexorável crueldade. 80 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; X &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; O credor humanizou-se conforme foi enriquecendo. 80 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Sem a instituição da lei não pode haver questão de justiça” Uma infração, uma violação, uma espoliação, não podem ser injustas em si procedendo a vida essencialmente por infração, violação e espoliação. As condições de vistas legais são restrições da vontade de viver propriamente dita à qual tende a dominação. A organização jurídica é arma contra a luta. 85 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XII  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Uma vez produzida uma coisa, vê-se submetida necessariamente a potências que usam delas para fins distintos (…) Isso poderá desagradar aos velhos, pois sempre se julgou achar nas causas finais de uma forma ou instituição a sua razão de ser própria.” 86 Se a forma é fluida, a finalidade tanto mais o é. O progresso se mede pelos sacrifícios que requer; a humanidade em massa sacrificada nas aras dos mais fortes, eis um progresso. 87 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XIII  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; O castigo não tem uma só finalidade mais uma síntese de finalidades. 89 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XIV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; O castigo encontra sua utilidade em todas as suas circunstâncias, ser-me-á lícito negar-lhe uma utilidade essencial. 91 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “O castigo endurece concentra e aguça os sentimentos de aversão; aumenta a força de resistência.” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“O castigo foi o que mais atrasou o desenvolvimento do sentimento de culpabilidade, pelo menos entre as vítimas das autoridades repressivas.” 92 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“E o castigado considerava o castigo como também lote do destino, e não sentia outra pena interior, como se fosse vítima de uma catástrofe imprevista”… 93 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Se algum efeito produzia o castigo, era o aumento da perspicácia, o desenvolvimento da memória, a vontade de operar para diante com mais prudência, com mais precaução” O castigo doma o homem, mas não o melhora. 94 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XVI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Estes semi-animais, acostumados a vida selvagem, à guerra, viram-se obrigados de repente a renunciar a todos os seus nobres instintos.” 95 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Os instintos sob a enorme força repressiva, volvem para dentro, a isto se chama interiorização do homem: assim se desenvolve o que mais tarde se há de chamar “alma”. A ira, a crueldade se dirige contra o possuidor de tais instintos; eis a origem da má consciência. 96 Como se o homem não fosse apenas uma transição. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XVII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Tendo começado por um ato de violência, não podia ser levado a cabo senão por outros atos de violência. O Estado primitivo deveu entrar em cena com todo o caráter de uma espantosa tirania. Tal é a origem do Estado; a sua obra consiste em criar formas e imprimir cunho. 98 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Neles não germinou a má consciência, mas sem eles não teria brotado esta planta horrível. 99 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XVIII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;A mesma força que vimos operar nestes organizadores do Estado, atuando para o interior criou a má consciência. ( vontade de alguém se torturar) 99 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XIX &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O temor ao antepassado á medida que a raça vai sendo mais vitoriosa. A decadência da raça diminuem sempre a veneração e temor que inspira o espírito fundador da raça. O antepassado concluirá por tomar a figura de um deus. 102 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XX &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Assim como a humanidade herdou os conceitos “bom e mau” da aristocracia, o sentimento de uma dívida para com a divindade não cessou de crescer, segundo foi crescendo e se foi desenvolvendo a idéia de Deus. 103 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O advento do Deus cristão, que é a expressão mais alta do divino, produziu também o máximo do sentimento de obrigação. O triunfo completo do ateísmo há de libertar a humanidade de todo o sentimento de obrigação com respeito a sua causa prima. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Deus mesmo, oferecendo-se em sacrifício para pagar as dívidas do homem, … o credor oferecendo-se pelo devedor, por amor ao devedor, quem o acreditaria!” 105 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Uma obrigação para com Deus: esta idéia foi, porém o instrumento de Tortura.” (…) “Transformou estes instintos em faltas para com Deus.” “Negou a natureza para afirmar o real, o vivo, o verdadeiro Deus, Deus, santo,… Há uma espécie de demência da vontade nesta crueldade psíquica.” 106 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXIII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Entre os gregos, serviram-se dos seus deuses para se imunizarem contra as veleidades de má consciência, para gozar pacificamente da sua liberdade. 107 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXIV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Em algum tempo mais robusto que o atual, será necessário que venha este homem redentor do grande amor e do grande desprezo, este espírito criador cuja força de impulso o fará ir cada vez mais longe de todo o sobrenatural,”… 109 “Este homem do futuro, que nos há de libertar do ideal do presente e da sua natural conseqüência, o grande tédio, o niilismo.” 110 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Qual é o fim de todo o ideal ascético? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; I &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;O ideal ascético, uma forma sagrada de libertinagem, entre os sacerdotes, a verdadeira fé sacerdotal, o seu melhor instrumento de poder, o seu melhor direito ao governo. 111 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; II &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Entre a castidade e a sensualidade não há necessariamente opção; todo bom matrimônio, toda a boa paixão estão superiores a esta oposição. 112 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; III &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Seguia Wagner a frase de Feuerbach: “só sensualidade” ressoou em toda a Alemanha. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; IV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Se despede com um Parsifal Schpenhaueriano. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; V &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Qual é pois o objeto de todo o ideal ascético? No artista já vimos: nenhum! Foram sempre humildes servidores de uma moral, de uma filosofia, ou de uma religião. 116 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Kant … pelo encanto da beleza, pode olhar-se desinteressadamente uma estátua viva de mulher, hão de permitir-nos que nos riamos um pouco a sua custa. 118 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Schopenhauer nunca deixou de glorificar esta maneira de libertar-se da vontade, esta grande vantagem e utilidade da condição estética. Schopenhauer fez mal em apoiar-se na definição de Kant, posto que lhe agrade a beleza precisamente por um interesse muito pessoal: pelo interesse de se libertar da sua tortura e suplício. 120 -121 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Schopenhauer, que tratou a sexualidade como inimigo pessoal, necessitava de inimigos para estar de bom humor. A sua cólera foi para ele, o mesmo que para os cínicos da antigüidade, um bálsamo, um descanso, o seu remédio contra o tédio, a sua felicidade. 122 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; VIII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Pobreza, humildade, castidade estão presentes em todos os espíritos fecundos e criadores. 125 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“O filósofo distingue-se em evitar três coisas brilhantes e ruidosas: a glória, os príncipes e as mulheres.” O que possui é possuído. 127 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;No que diz respeito a castidade, é evidente que a fecundidade dos filósofos manifesta-se de outro modo que pela procriação. Não há aqui escrúpulo ascético, mas é o que lhe exige seu instinto dominante. 128 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; IX &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Certo ascetismo favorece, segundo vimos, o desenvolvimento de uma espiritualidade superior. 129 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Toda a nossa posição com relação a natureza é híbrida (…) híbrida é a nossa posição com respeito a Deus, essa teia de aranha de imperativo e de finalidade que se oculta por detrás da grande teia, por detrás da causalidade…” 130 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “Todas as coisas boas foram noutro tempo más ; todo pecado original veio a ser virtude original” 131 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;A submissão ao direito; Ho que revolução de consciência em todas as raças aristocráticas… O direito foi instituído com violência e opróbrio.” 131 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; X &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Brâmanes. Estes antigos filósofos sabiam dar à sua existência, ao seu aspecto exterior, um fundo que os tornava temidos. A mortificação foi o meio que empregaram para se convencerem de sua inovação espiritual.” 133 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “O sacerdote tirou do seu ideal ascético não só a sua fé, mas também a sua vontade, o seu poder, o seu interesse” 134 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Há, pois alguma necessidade de ordem superior que dá origem a esta espécie inimiga da vida, há na vida mesma algum interesse da vida, há na vida mesma algum interesse de não deixar perecer esse tipo contraditório”. 135 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “ terá por ilusão a materialidade, a dor e a pluralidade, o sujeito e o objeto” 136 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“ Negar a realidade do eu, que triunfo! Não já um triunfo sobre os sentidos, mas muito mais elevado: o triunfo violento e cruel contra a razão. 156 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“A sua futura objetividade é a faculdade de dominar o pró e o contra, servindo-se de um e de outro para a interpretação dos fenômenos e das paixões.” 137 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Mas eliminar a vontade, suprimir inteiramente as paixões, …  seria suprimir a inteligência.” 137 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XIII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “O ideal ascético é um destes artifícios; é pois, todo o contrário do que os seus adeptos imaginam; nele e por ele, a vida luta contra a morte, a vida conserva a vida.” 138 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“O sacerdote ascético,… é precisamente quem conserva e garante a vida.” …o que luta para reinar sobre os animais, sobre a natureza e sobre os deuses,…” 139 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XIV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “Os doentes são o maior perigo da humanidade; não os maus, não as ‘feras de rapina.’” 140 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;… que querem? Representar a justiça, o amor, a prudência, a superioridade: tal é a ambição destes seres inferiores destes enfermos. E que hábeis os torna esta ambição! Estes incuráveis monopolizam toda a virtude: 141 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“… a sua sensualidade estropiada, adornada com o nome de pureza de coração. Esta é a espécie de onanistas morais, que se satisfazem a si mesmos.” 142 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; Até nos sacrossantos domínios da ciência, se ouvem estes latidos destes cães doentes,” 142 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Quando alcançarão o triunfo sublime e definitivo desta vingança? Indubitavelmente quando conseguirem infundir na consciência dos felizes a sua própria miséria.” 143 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “O sacerdote ascético… defensor do rebanho doente. A dominação sobre os doentes: eis o seu papel,…”144 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Tem que defender o seu rebanho, contra quem? Contra os sãos…” Aos animais de presa fará ele uma guerra de astúcias, mais do que de violência. 144 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Leva consigo o bálsamo e o remédio; mas necessita ferir antes de curar, e ainda ao acalmar a dor da ferida, envenena a chaga.” O sacerdote é um homem que muda a direção do ressentimento. 145 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XVI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“… o estado de pecado no homem não é um fato, senão apenas a interpretação de um fato, a saber: de um mal estar fisiológico, considerado sob o ponto de vista moral e religioso” 147 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Recordem-se os famosos processos da bruxaria; naquela época os juizes mais humanos acreditavam que havia culpabilidade; as bruxas também o acreditavam; contudo, a culpabilidade não existia.” “Um homem forte digere os atos de sua vida como digere o almoço”. 148 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XVII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; O sacerdote ascético só combate o mal-estar, e não a causa da doença 148 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “Os meios que se empregam contra a dor são os que reduzem a vida à sua menor expressão possível:” 150 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “A anestesia, é para os doentes o bem supremo, o valor por excelência, o mais positivo.” 153 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XVIII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“ Remontando-nos ás origens do cristianismo no mundo romano, achamos sociedades de socorros mútuos, associações para socorrer os pobres, para cuidar dos doentes, e para enterrar os mortes;” 154 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XX &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“… Fez-lhe interpretar a sua dor como um castigo… Agora compreende o desgraçado; agora está metido num laço; já não sabe sair; de doente converte-se em pecador…” “Sofrer! Sempre sofrer! Sofrer Mais! Tal foi o grito dos seu discípulos durante séculos” 161 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;Tal terapêutica fêz o homem melhor? Se melhorar significa (…) domesticar, debilitar degradar (…) a melhoria converte-se em aumento da doença.” 162 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “O sacerdote ascético corrompeu a saúde da alma.”  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; A vaidade dos Padres da Igreja quer substituir a literatura grega. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXIII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“O ideal ascético tem um fim tão amplo, que compreende em si, todos os fins da existência humana; para conseguir este fim, empregam-se tempos, povos e homens; é fim exclusivo; não admite outra interpretação senão a sua;” 166 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“… hoje a ciência não tem finalidade, não tem vontade, nem ideal ascético, é o refúgio do descontentamento, da incredulidade, dos remorsos, (…), da má consciência; é precisamente a dor que causa a falta de ideal, a ausência de amor, a carência de liberdade.” 167 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXIV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Nós, que procuramos o conhecimento, que desconfiamos de toda crença, tiramos conclusões diversas; onde vemos uma crença, temo-la por inverossímel.” A fé fará nascer suspeitas, será verossímil, mas não verdade.” 168 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “Nada é verdadeiro, tudo é primitivo. Esta era a verdadeira liberdade de espírito, por em questão a verdade…” 169 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;É a força que leva a este ascetismo, esta vontade absoluta da verdade, é a fé no ideal ascético, é a fé no valor metafísico e eminente da verdade, valor que o ideal ascético garante e consagra.” 170 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;A nossa fé na ciência baseia-se numa crença metafísica… E se eu dissesse que precisamente o divino é o erro e a mentira…” 0 Por quê? É que o ideal ascético dominou em todas as filosofias e a verdade foi posta como essência, como Deus e não como problema.” 170 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “A vontade da verdade necessita de uma crítica; é preciso por em dúvida o valor da verdade.” 171 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXV &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “A ciência se apoia nas mesmas bases que o ideal ascético: ambos são um empobrecimento da energia vital.” 172 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “O que é certo é que todos os filósofos transcendentais, depois de Kant, se emanciparam da tutela teológica.” 174 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXVI &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “Mas tudo isso é ascetismo em alto grau, é niilismo. 174 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; XXVII &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“ O ateísmo é também uma vontade, um resto de ideal ascético, a sua forma mais severa, mais espiritualizada, mais esotérica, mais pura.” 176 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“O interpretar a história em honra de uma razão divina e como prova constante de um finalismo moral; o interpretar o nosso destino… vendo em tudo a mão de Deus… são modos de pensar contra os quais se ergue a voz da nossa consciência, como inconvenientes.” 177 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “A vontade da verdade, uma vez que seja consciente de si mesma, será a morte do mal:” 178 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;“Esta falta de finalidade na dor é a maldição que pesou sempre sobre a humanidade. Agora bem: o ideal ascético apresenta uma finalidade. A interpretação que dava da dor trazia uma dor nova mais profunda, mais íntima, mais envenenada; disse que era o castigo de uma falta.” 178 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; “O homem prefere a vontade do nada ao nada da vontade.” 179.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia mais sobre o autor, na &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche"&gt;Wikipédia.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-857350836428660440?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/857350836428660440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=857350836428660440' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/857350836428660440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/857350836428660440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/07/genealogia-da-moral.html' title='Genealogia da Moral'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-3916734646484981145</id><published>2007-07-19T14:17:00.000-03:00</published><updated>2007-07-19T14:32:31.766-03:00</updated><title type='text'>Excertos - Fernando Pessoa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.universal.pt/scripts/hlp/mm/FHLP300_z.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.universal.pt/scripts/hlp/mm/FHLP300_z.JPG" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Retrado de Fernando Pessoa, da autoria de Almada Negreiros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; [87]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A metafísica pareceu-me sempre uma forma prolongada da loucura latente. Se conhecêssemos a verdade, vê-la-íamos; tudo o mais é sistema e arredores. Basta-nos, se pensarmos, a incompreensibilidade do universo; querer compreendê-lo é ser menos que homens, porque ser homem é saber que se não compreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazem-me a fé como um embrulho fechado numa salva alheia. Querem que o aceite, mas que o não abra. Trazem-me a ciência, como uma faca num prato, com que abrirei as folhas de um livro de páginas brancas. Trazem-me a dúvida, como pó dentro de uma caixa; mas para que me trazem a caixa se ela não tem senão pó?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na falta de saber, escrevo; e uso os grandes termos da Verdade alheios conforme as exigências da emoção. Se a emoção é clara e fatal, falo, naturalmente, dos deuses e assim a enquadro numa consciência do mundo múltiplo. Se a emoção é profunda, falo, naturalmente, de Deus, e assim a engasto numa consciência una. Se a emoção é um pensamento, falo, naturalmente, do Destino, e assim a encosto à parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas vezes o próprio ritmo da frase exigirá Deus e não Deuses: outras vezes, impor-se-ão as duas sílabas de Deuses e mudo verbalmente de universo; outras vezes pesarão, ao contrário, as necessidades de uma rima íntima, um deslocamento do ritmo, um sobressalto de emoção e o politeísmo ou o monoteísmo amolda-se e prefere-se. Os Deuses são uma função do estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[133]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo, monturo de forças instintivas, que em todo o caso brilha ao sol com tons palhetados de ouro claro e escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, se considero, pestes, tormentas, guerras, são produtos da mesma força cega, operando uma vez através de micróbios inconscientes, outra vez através de raios e águas inconscientes, outra vez através de homens inconscientes. Um terremoto e um massacre não têm para mim diferença senão a que há entre assassinar com uma faca e assassinar com um punhal. O monstro imanente nas coisas tanto se serve – para o seu bem ou o seu mal, que, ao que parece, lhe são indiferentes – da deslocação de um pedregulho na altura ou da deslocação do ciúme ou da cobiça num coração. O pedregulho cai, e mata um homem; a cobiça ou o ciúme armam um braço, e o braço mata um homem. Assim é o mundo, monturo de forças instintivas, que todavia brilha ao sol com tons palhetados de ouro claro e escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fazer face à brutalidade de indiferença, que constitui o fundo visível das coisas, descobriram os místicos que o melhor era repudiar.&lt;br /&gt;Negar o mundo, virar-se dele como de um pântano a cuja beira nos encontrássemos. Negar como o Buda, negando-lhe a realidade absoluta; negar como o Cristo, negando-lhe a realidade relativa; negar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pedi à vida mais do que ela me não exigisse nada. À porta da cabana que não tive sentei-me ao sol que nunca houve, e gozei a velhice futura da minha realidade cansada (com o prazer de a não ter ainda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ter morrido ainda basta para os pobres da vida, e ter ainda a esperança para contente com o sonho só quando não estou sonhando, contente com o mundo só quando sonho longe dele. Pêndulo oscilante, sempre movendo-se para não chegar, indo só para voltar, preso eternamente à dupla fatalidade de um centro e de um movimento inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[208]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como, quer o saibamos quer não, temos todos uma metafísica, assim também, quer o queiramos quer não, temos todos uma moral. Tenho uma moral muito simples – não fazer a ninguém nem mal nem bem. Não fazer a ninguém mal, porque não só reconheço nos outros o mesmo direito que julgo que me cabe, de que não me incomodem, mas acho que bastam os males naturais para mal que tenha de haver no mundo. Vivemos todos, neste mundo, a bordo de um navio saído de um porto que desconhecemos para um porto que ignoramos; devemos ter uns para os outros uma amabilidade de viagem. Não fazer bem, porque não sei o que é o bem, nem se o faço quando julgo que o faço. Sei eu que males produzo se dou esmola? Sei eu que males produzo se educo ou instruo? Na dúvida, abstenho-me. E acho, ainda, que auxiliar ou esclarecer é, em certo modo, fazer o mal de intervir na vida alheia. A bondade é um capricho temperamental: não temos o direito de fazer os outros vítimas de nossos caprichos, ainda que de humanidade ou de ternura. Os benefícios são coisas que se infligem; por isso os abomino friamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não faço o bem, por moral, também não exijo que mo façam. Se adoeço, o que mais me pesa é que obrigo alguém a tratar-me, coisa que me repugnaria de fazer a outrem. Nunca visitei um amigo doente. Sempre que, tendo eu adoecido, me visitaram, sofri cada visita como um incômodo, um insulto, uma violação injustificável da minha intimidade decisiva. Não gosto que me dêem coisas; parecem com isso obrigar-me a que as dê também – aos mesmos ou a outros, seja a quem for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou altamente sociável de um modo altamente negativo. Sou a inofensividade encarnada. Mas não sou mais do que isso, não quero ser mais do que isso, não posso ser mais do que isso. Tenho para com tudo que existe uma ternura visual, um carinho da inteligência – nada no coração. Não tenho fé em nada, esperança de nada, caridade para nada. Abomino com náusea e pasmo os sinceros de todas as sinceridades e os místicos de todos os misticismos ou, antes e melhor, as sinceridades de todos os sinceros e os misticismos de todos os místicos. Essa náusea é quase física quando esses misticismos são ativos, quando pretendem convencer a inteligência alheia, ou mover a vontade alheia, encontrar a verdade ou reformar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considero-me feliz por não ter já parentes. Não me vejo assim na obrigação, que inevitavelmente me pesaria, de ter que amar alguém. Não tenho saudades senão literariamente. Lembro a minha infância com lágrimas, mas são lágrimas rítmicas, onde já se prepara a prosa. Lembro-a como uma coisa externa e através de coisas externas; lembro só as coisas externas. Não é sossego dos serões de província que me enternece da infância que vivi neles, é a disposição da mesa para o chá, são os vultos dos móveis em torno da casa, são as caras e os gestos físicos das pessoas. É de quadros que tenho saudades. Por isso, tanto me enternece a minha infância como a de outrem: são ambas, no passado que não sei o que é, fenômenos puramente visuais, que sinto com a atenção literária. Enterneço-me, sim, mas não é porque lembro, mas porque vejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca amei ninguém. O mais que tenho amado são sensações minhas – estados da visualidade consciente, impressões da audição desperta, perfumes que são uma maneira de a humildade do mundo externo falar comigo, dizer-me coisas do passado (tão fácil de lembrar pelos cheiros) –, isto é, de me darem mais realidade, mais emoção, que o simples pão a cozer lá dentro na padaria funda, como naquela tarde longínqua em que vinha do enterro do meu tio que me amara tanto e havia em mim vagamente a ternura de um alívio, não sei bem de quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta a minha moral, ou a minha metafísica, ou eu: Transeunte de tudo – até de minha própria alma –, não pertenço a nada, não desejo nada, não sou nada – centro abstrato de sensações impessoais, espelho caído sentiente virado para a variedade do mundo. Com isto, não sei se sou feliz ou infeliz; nem me importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[303]&lt;br /&gt;O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à ação, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a ação – a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a ação é, por sua natureza, a projeção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projeção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para agir é, pois, preciso que nos não figuremos com facilidade as personalidades alheias, as suas dores e alegrias. Quem simpatiza pára. O homem de ação considera o mundo externo como composto exclusivamente de matéria inerte – ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre que passa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ente humano que, porque não lhe pôde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois, como à pedra, ou se afastou ou se passou por cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exemplo máximo do homem prático, porque reúne a extrema concentração da ação com a sua extrema importância, é a do estratégico. Toda a vida é guerra, e a batalha é, pois, a síntese da vida. Ora o estratégico é um homem que joga com vidas como o jogador de xadrez com peças do jogo. Que seria do estratégico se pensasse que cada lance do seu jogo põe noite em mil lares e mágoa em três mil corações? Que seria do mundo se fôssemos humanos? Se o homem sentisse deveras, não haveria civilização. A arte serve de fuga para a sensibilidade que a ação teve que esquecer. A arte é a Gata Borralheira, que ficou em casa porque teve que ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o homem de ação é essencialmente animado e otimista porque quem não sente é feliz. Conhece-se um homem de ação por nunca estar mal disposto. Quem trabalha embora esteja mal disposto é um subsidiário da ação; pode ser na vida, na grande generalidade da vida, um guarda-livros, como eu sou na particularidade dela. O que não pode ser é um regente de coisas ou de homens. À regência pertence a insensibilidade. Governa quem é alegre porque para ser triste é preciso sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O patrão Vasques fez hoje um negócio em que arruinou um indivíduo doente e a família. Enquanto fez o negócio esqueceu por completo que esse indivíduo existia, exceto como parte contrária comercial. Feito o negócio, veio-lhe a sensibilidade. Só depois, é claro, pois, se viesse antes, o negócio nunca se faria. “Tenho pena do tipo”, disse-me ele. “Vai ficar na miséria.” Depois, acendendo o charuto, acrescentou: “Em todo o caso, se ele precisar qualquer coisa de mim” – entendendo-se qualquer esmola – “eu não esqueço que lhe devo um bom negócio e umas dezenas de contos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O patrão Vasques não é um bandido: é um homem de ação. O que perdeu o lance neste jogo pode, de fato, pois o patrão Vasques é um homem generoso, contar com a esmola dele no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o patrão Vasques são todos os homens de ação – chefes industriais e comerciais, políticos, homens de guerra, idealistas religiosos e sociais, grandes poetas e grandes artistas, mulheres formosas, crianças que fazem o que querem. Manda quem não sente. Vence quem pensa só o que precisa para vencer. O resto, que é a vaga humanidade geral, amorfa, sensível, imaginativa e frágil, e não mais que o pano de fundo contra o qual se destacam estas figuras da cena até que a peça de fantoches acabe, o fundo-chato de quadrados sobre o qual se erguem as peças de xadrez até que as guarde o Grande Jogador que, iludindo a reportagem com uma dupla personalidade, joga, entretendo-se sempre contra si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[313]&lt;br /&gt;Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes. A sua vida humana é cheia de tudo quanto constituiria uma série de angústias para uma sensibilidade verdadeira. Mas, como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma, e vivem uma vida que se pode comparar somente à de um homem com dor de dentes que houvesse recebido uma fortuna – a fortuna autêntica de estar vivendo sem dar por isso, o maior dom que os deuses concedem, porque é o dom de lhes ser semelhante, superior como eles (ainda que de outro modo) à alegria e à dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[314]&lt;br /&gt;Desejaria construir um código de inércia para os superiores nas sociedades modernas. A sociedade governar-se-ia espontaneamente e a si própria, se não contivesse gente de sensibilidade e de inteligência. Acreditem que é a única coisa que a prejudica. As sociedades primitivas tinham uma feliz existência mais ou menos assim. Pena é que a expulsão dos superiores da sociedade resultaria em eles morrerem, porque não sabem trabalhar. E talvez morressem de tédio, por não haver espaços de estupidez entre eles. Mas eu falo do ponto de vista da felicidade humana. Cada superior que se manifestasse na sociedade seria expulso para a ilha dos superiores. Os superiores seriam alimentados, como animais em jaula, pela sociedade normal. Acreditem: se não houvesse gente inteligente que apontasse os vários mal-estares humanos, a humanidade não dava por eles. E as criaturas de sensibilidade fazem sofrer os outros por simpatia. Por enquanto, visto que vivemos em sociedade, o único dever dos superiores é reduzirem ao mínimo a sua participação na vida da tribo. Não ler jornais, ou lê-los só para saber o que de pouco importante e curioso se passa. Ninguém imagina a volúpia que arranco ao noticiário sucinto das províncias. Os meros nomes abrem-me portas sobre o vago. O supremo estado honroso para um homem superior é não saber quem é o chefe de Estado do seu país, ou se vive sob monarquia ou sob república. Toda a sua atitude deve ser colocar-se a alma de modo que a passagem das coisas, dos acontecimentos não o incomode. Se o não fizer terá que se interessar pelos outros, para cuidar de si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[454]&lt;br /&gt;A leitura dos jornais, sempre penosa do ponto de ver estético, é-o freqüentemente também do moral, ainda para quem tenha poucas preocupações morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As guerras e as revoluções – há sempre uma ou outra em curso chegam, na leitura dos seus efeitos, a causar não horror mas tédio. Não é a crueldade de todos aqueles mortos e feridos, o sacrifício de todos os que morrem batendo-se, ou são mortos sem que se batam, que pesa duramente na alma: e a estupidez que sacrifica vidas e haveres a qualquer coisa inevitavelmente inútil. Todos os ideais e todas as ambições são um desvairo de comadres homens. Não há império que valha que por ele se parta uma boneca de criança. Não há ideal que mereça o sacrifício de um comboio de lata. Que império é útil ou que ideal profícuo? Tudo é humanidade, e a humanidade é sempre a mesma – variável mas inaperfeiçoável, oscilante mas improgressiva. Perante o curso inimplorável das coisas, a vida que tivemos sem saber como e perderemos sem saber quando, o jogo de dez mil xadrezes que é a vida em comum e luta, o tédio de contemplar sem utilidade o que se não realiza nunca [...] – que pode fazer o sábio senão pedir o repouso, o não ter que pensar em viver, pois basta ter que viver, um pouco de lugar ao sol e ao ar (2) e ao menos o sonho de que há paz do lado de lá dos montes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[O sensacionista]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste crepúsculo das disciplinas, em que as crenças morrem e os cultos se cobrem de pó, as nossas sensações são a única realidade que nos resta. O único escrúpulo que preocupe, a única ciência que satisfaça são os da sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um decorativismo interior acentua-se-me como o modo superior e esclarecido de dar um destino à nossa vida. Pudesse a minha vida ser vivida em panos de arras do espírito e eu não teria abismos que lamentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pertenço a uma geração – ou antes a uma parte de geração – que perdeu todo o respeito pelo passado e toda a crença ou esperança no futuro. Vivemos por isso do presente com a gana e a fome de quem não tem outra casa. E, como é nas nossas sensações, e sobretudo nos nossos sonhos, sensações inúteis apenas, que encontramos um presente, que não lembra nem o passado nem o futuro, sorrimos à nossa vida interior e desinteressamo-nos com uma sonolência altiva da realidade quantitativa das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos talvez muito diferentes daqueles que, pela vida, só pensam em divertir-se. Mas o sol da nossa preocupação egoísta está no ocaso, e é em cores de crepúsculo e contradição que o nosso hedonismo se arrefecei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convalescemos. Em geral somos criaturas que não aprendemos nenhuma arte ou ofício, nem sequer o de gozar a vida. Estranhos a convívios demorados, aborrecemo-nos em geral dos maiores amigos, depois de estarmos com eles meia hora; só ansiamos por os ver quando pensamos em vê-los, e as melhores horas em que os acompanhamos são aquelas em que apenas sonhamos que estamos com eles. Não sei se isto indica pouca amizade. Porventura não indica. O que é certo é que as coisas que mais amamos, ou julgamos amar, só têm o seu pleno valor real quando simplesmente sonhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gostamos de espetáculos. Desprezamos atores e dançarmos. Todo o espetáculo é a imitação degradada do que havia apenas de sonhar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferentes – não de origem, mas por uma educação dos sentimentos que várias experiências dolorosas em geral nos obrigam a fazer – à opinião dos outros, sempre corteses para com eles, e gostando deles mesmo, através de uma indiferença interessada, porque toda a gente é interessante e convertível em sonho, em outras pessoas, passamos sem habilidade para amar, antecansam-nos aquelas palavras que seria preciso dizer para se tornar amado. De resto, qual de nós quer ser amado? O “on le fatigait en l’aimant” de René não é o nosso rótulo justo. A própria idéia de sermos amados nos fatiga, nos fatiga até ao alarme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha vida é uma febre perpétua, uma sede sempre renovada. A vida real apoquenta-me como um dia de calor. Há uma certa baixeza no modo como apoquenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Sentimento Apocalíptico]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando que cada passo na minha vida era um contato com o horror do Novo, e que cada nova pessoa que eu conhecia era um novo fragmento vivo do desconhecido que eu punha em cima da minha mesa para quotidiana meditação apavorada – decidi abster-me de tudo, não avançar para nada, reduzir a ação ao mínimo, furtar-me o mais possível a que eu fosse encontrado quer pelos homens, quer pelos acontecimentos, requintar sobre a abstinência e pôr a abdicação a bizantino. Tanto o viver me apavora e me tortura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidir-me, finalizar qualquer coisa, sair do duvidoso e do obscuro, são coisas [que] se me figuram catástrofes, cataclismos universais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto a vida um apocalipse e cataclismo. Dia a dia em mim aumenta a incompetência para sequer esboçar gestos, para me conceber sequer em situações claras de realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presença dos outros – tão inesperada de alma a todo o momento – dia a dia me é mais dolorosa e angustiante. Falar com os outros percorre-me de arrepios. Se mostram interesse por mim, fujo. Se me olham, estremeço. Se estou numa defesa perpétua. Dôo-me a vida e a outros. Não posso fitar a realidade frente a frente. O próprio sol já me desanima e me desola. Só à noite, e à noite a sós comigo, alheio, esquecido, perdido – sem liga com a realidade nem parte com a utilidade – me encontro e me dou conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho frio da vida. Tudo é caves úmidas e catacumbas sem luz na minha existência. Sou a grande derrota do último exército que sustinha o último império. Saibo-me a fim de uma civilização antiga e dominadora. Estou só e abandonado, eu que como que costumei mandar outros. Estou sem amigo, sem guia, eu a quem sempre outros guiaram...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer coisa em mim pede eternamente compaixão – e chora sobre si como sobre um deus morto, sem altares no culto, quando a vinda branca dos bárbaros moceou nas fronteiras e a vida veio pedir contas ao império do que ele fizera da alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho sempre receio de que falem em mim. Falhei em tudo. Nada ousei sequer pensar em ser; pensar que o desejaria nem sequer o sonhei, porque no próprio sonho me conheci incompatível para a vida, até no meu estado visionário de sonhador apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem um sentimento levanta a minha cabeça do travesseiro onde a afundo por não poder com o corpo, nem com a idéia de que vivo, ou sequer com a idéia absoluta da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falo a língua das realidades, e entre as coisas da vida cambaleio como um doente de longo leito que se ergue pela primeira vez. Só no leito me sinto na vida normal. Quando a febre chega agrada-me como coisa natural [...] ao meu estado recumbente. Como uma chama ao vento tremo e estonteio-me. Só no ar morto dos quartos fechados respiro a normalidade da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem uma saudade já me resta dos búzios à beira dos mares. Conformei-me com ter-me a minha alma por convento e eu não ser mais para mim do que outono sobre descampados secos, sem mais vida viva do que um reflexo como de uma luz que finda na escuridão endosselada dos tanques, sem mais esforço e cor do que o esplendor violeta-exílio do fim do poente sobre os montes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo nenhum outro prazer do que a análise da dor, nem outra volúpia que a do colear líquido e doente das sensações quando se esmiúçam e se decompõem – leves passos na sombra incerta, suaves ao ouvido, e nós nem nos voltamos para saber de quem são, vagos cantos longínquos, cujas palavras não buscamos colher, mas onde nos embala mais o indeciso do que dirão e a incerteza do lugar donde vêm; tênues segredos de águas pálidas, enchendo de longes leves os espaços e noturnos; guizos de carros longínquos, regressando donde? e que alegrias lá dentro, que não se ouvem aqui, sonolentos no torpor morno na tarde onde o verão se esquece a outono... Morreram as flores do jardim, e, murchas, são outras flores – mais antigas, mais nobres, mais coevas a amarelo morto com o mistério e o silêncio e o abandono. As bolhas de água que afloram nos tanques têm a sua razão para os sonhos. Coaxar distante das rãs! Ó campo morto em mim! Ó sossego rústico passado em sonhos! Ó minha vida fútil como um maltês (1) que não trabalha e dor&lt;br /&gt;me à beira dos caminhos com o aroma dos prados a entrar-lhe na alma como um nevoeiro, num sono translúcido e fresco, fundo e cheio de entender com tudo que nada liga a nada, noturno, ignorado, nômade e cansado sob a compaixão fria das estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo o curso dos meus sonhos, fazendo das imagens degraus para outras imagens; desdobrando, como um leque, as metáforas casuais em grandes quadros de visão interna; desato de mim a vida, e ponho-a de banda como a um traje que aperta. Oculto-me entre árvores longe das estradas. Perco-me. E logro, por momentos que correm levemente, esquecer o gosto à vida, deixar ir-se a idéia de luz e de bulício e acabar conscientemente, absurdamente pelas sensações fora, com um império de ruínas angustiadas, e uma entrada entre pendões e tambores de vitória numa grande cidade final onde não choraria nada, nem desejaria nada e nem a mim próprio pediria o ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doem-me as superfícies das águas (2) dos tanques que criei em sonhos. É minha a palidez da lua que visiono sobre paisagens de florestas. É o meu cansaço o outono dos céus estagnados que recordo e não vi nunca. Pesa-me toda a minha vida morta, todos os meus sonhos faltos, tudo meu que não foi meu, no azul dos meus céus interiores, no tinir à vista do correr dos meus rios na alma, no vasto e inquieto sossego dos trigos nas planícies que vejo e que não vejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma chávena de café, um tabaco que se fuma e cujo aroma nos atravessa, os olhos quase cerrados num quarto em penumbra... não quero mais da vida do que os meus sonhos e isto... Se é pouco? Não sei. Sei eu acaso o que é pouco ou o que é muito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarde de verão lá fora como eu gostaria de ser outro... Abro a janela. Tudo lá fora é suave, mas punge-me como uma dor incerta, como uma sensação vaga de descontentamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma última coisa punge-me, rasga-me, esfrangalha-me toda a alma. É que eu, a esta hora, a esta janela, perante estas coisas tristes e suaves, devia ser uma figura estética, bela, como uma figura num quadro – e eu não o sou, nem isto sou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora que passe e esqueça... A noite que venha, que cresça, que caia sobre tudo e nunca se erga. Que esta alma seja o meu túmulo para sempre, e que se absolute em treva e eu nunca mais possa viver sem sentir ou desejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Via Láctea]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... com meneios de frase de uma espiritualidade venenosa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... rituais de púrpura rota, cerimoniais misteriosos de ritos contemporâneos de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... seqüestradas sensações sentidas noutro corpo que o físico, mas corpo e físico a seu modo, intervalando sutilezas entre complexo e simples...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lagoas onde paira, pelúcida, uma intuição de ouro fosco, tenuemente despida de se ter alguma vez realizado, e sem dúvida por coleantes requintes, lírio entre mãos muito brancas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... patos entre o torpor e a angústia, verde-negros, tépidos à vista, cansados entre sentinelas de tédio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... nácar de inúteis conseqüências, alabastro de freqüentes macerações – ouro, roxo e orlas os entretenimentos com ocasos, mas não barcos para melhores margens, nem pontes para crepúsculos maiores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... nem mesmo à beira da idéia de tanques, de muitos tanques, longínquos através de choupos, ou ciprestes talvez, segundo as sílabas de sentida com que a hora pronunciava o seu nome...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por isso janelas abertas sobre cais, contínuo marulhar contra docas, séqüito confuso como opalas, louco e absorto, entre o que amarantos e terebintos escrevem a insônias de entendimento nos muros obscuros de poder ouvir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... fios de prata rara, nexos de púrpura desfiada, sob tílias sentimentos inúteis, e por áleas onde buxos calam, pares antigos, leques súbitos, gestos vagos, e melhores jardins sem dúvida esperam o cansaço plácido de não mais que áleas e alamedas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quincôncios, caramanchões, cavernas de artifício, canteiros feitos, repuxos, toda a arte ficada de mestres mortos que haviam, entre duelos íntimos de insatisfeito com evidente, decidido procissões de coisas para sonhos pelas ruas estreitas das aldeias antigas das sensações...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;toadas a mármore em longes palácios, reminiscências pondo mãos sobre as nossas, olhares casuais de indecisões, ocasos em céus fatídicos, anoitecendo em estrelas sobre silêncios de impérios que decaem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reduzir a sensação a uma ciência, fazer da análise psicológica um método preciso como um instrumento de micróscopo [sic] – pretensão que ocupa, sede calma, o nexo de vontade da minha vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entre a sensação e a consciência dela que se passam todas as grandes tragédias da minha vida. Nessa região indeterminada, sombria, de florestas e sons de água toda, neutral até ao ruído das nossas guerras, decorre aquele meu ser cuja visão em vão procuro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jazo a minha vida. (As minhas sensações são um epitáfio, por demais extenso (2), sobre a minha vida morta.) Aconteço-me a morte e ocaso. O mais que posso esculpir é sepulcro meu a beleza interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portões do meu afastamento abrangem para parques de infinito, mas ninguém passa por eles, nem no meu sonho – mas abertos sempre para o inútil e de ferro eternamente para o falso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfolho apoteoses nos jardins das pompas interiores e entre buxos de sonho piso, com uma sonoridade dura, as áleas que conduzem a Confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acampei Impérios no Confuso, à beira de silêncios, na guerra fulva em que acabará o Exato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem de ciência reconhece que a única realidade para si é ele próprio, e o único mundo real o mundo como a sua sensação lho dá. Por isso, em lugar de seguir o falso caminho de procurar ajustar as suas sensações às dos outros, fazendo ciência objetiva, procura, antes, conhecer perfeitamente o seu mundo, e a sua personalidade. Nada mais objetivo do que os seus sonhos. Nada mais seu do que a sua consciência de si. Sobre essas duas realidades requinta ele a sua ciência. É muito diferente já da ciência dos antigos científicos, que, longe de buscarem as leis da sua própria personalidade e a organização dos seus sonhos, procuravam as leis do “exterior” e a organização daquilo a que chamavam “Natureza”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em mim o que há de primordial é o hábito e o jeito de sonhar. As circunstâncias da minha vida, desde criança sozinho e calmo, outras forças talvez, amoldando-me, de longe, por hereditariedades obscuras a seu sinistro corte, fizeram do meu espírito uma constante corrente de devaneios. Tudo o que eu sou está nisto, e mesmo aquilo que em mim mais parece longe de destacar o sonhador, pertence sem escrúpulo à alma de quem só sonha, elevada ela ao seu maior grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero, para meu próprio gosto de analisar-me, ir, à medida que a isso me ajeite, ir pondo em palavras os processos mentais que em mim são um só, esse, o de uma vida devotada ao sonho, de uma alma educada só em sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo-me de fora, como quase sempre me vejo, eu sou um inapto à ação, perturbado ante ter que dar passos e fazer gestos, inábil para falar com os outros, sem lucidez interior para me entreter com o que me cause esforço ao espírito, nem seqüência física para me aplicar a qualquer mero mecanismo de entretenimento trabalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é natural que eu seja. O sonhador entende-se que seja assim. Toda a realidade me perturba. A fala dos outros lança-me numa angústia enorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade das outras almas surpreende-me constantemente. A vasta rede de inconsciências que é toda a ação que eu vejo parece-me uma ilusão absurda, sem coerência plausível, nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se se julgar que desconheço os trâmites da psicologia alheia, que erro a percepção nítida dos motivos e dos íntimos pensamentos dos outros, haverá engano sobre o que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque eu não só sou um sonhador, mas sou um sonhador exclusivamente. O hábito único de sonhar deu-me uma extraordinária nitidez de visão interior. Não só vejo com espantoso e às vezes perturbante relevo as figuras e os décors dos meus sonhos, mas com igual relevo vejo as minhas idéias abstratas, os meus sentimentos humanos – o que deles me resta –, os meus secretos impulsos, as minhas atitudes psíquicas diante de mim próprio. Afirmo que as minhas próprias idéias abstratas, eu as vejo em mim, eu com uma interior visão real as vejo num espaço interno. E assim os seus meandros são-me visíveis nos seus mínimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso conheço-me inteiramente, e, através de conhecer-me inteiramente, conheço inteiramente a humanidade toda. Não há baixo impulso, como não há nobre intuito que me não tenha sido relâmpago na alma; e eu sei com que gestos cada um se mostra. Sob as máscaras que as más idéias usam, de boas ou indiferentes, mesmo dentro de nós eu pelos gestos as conheço por quem são. Sei o que em nós se esforça por nos iludir. E assim à maioria das pessoas que vejo conheço melhor do que eles a si próprios. Aplico-me muitas vezes a sondá-los, porque assim os torno meus. Conquisto o psiquismo que explico, porque para mim sonhar é possuir. E assim se vê como é natural que eu, sonhador que sou, seja o analítico que me reconheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as poucas coisas que às vezes me apraz ler, destaco, por isso, as peças de teatro. Todos os dias se passam peças em mim, e eu conheço a fundo como é que se projeta uma alma na projeção de Mercator, planamente. Entretenho-me pouco, aliás, com isto; tão constantes, vulgares e enormes são os erros dos dramaturgos. Nunca nenhum drama me contentou. Conhecendo a psicologia humana com uma nitidez de relâmpago, que sonda todos os recantos com um só olhar, a grosseira análise e construção dos dramatistas fere-me, e o pouco que leio neste gênero desgosta-me como um borrão de tinta atravessado (3) na escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas são a matéria para os meus sonhos; por isso aplico uma atenção distraidamente sobreatenta a certos detalhes do Exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dar relevo aos meus sonhos preciso conhecer como é que as paisagens reais e as personagens da vida nos aparecem relevadas. Porque a visão do sonhador não é como a visão do que vê as coisas. No sonho, não há o assentar da vista sobre o importante e o inimportante de um objeto que há na realidade. Só o importante é que o sonhador vê. A realidade verdadeira dum objeto é apenas parte dele; o resto é o pesado tributo que ele paga à matéria em troca de existir no espaço. Semelhantemente, não há no espaço realidade para certos fenômenos que no sonho são palpavelmente reais. Um poente real é imponderável e transitório. Um poente de sonho é fixo e eterno. Quem sabe escrever é o que sabe ver os seus sonhos nitidamente (e é assim) ou ver em sonho a vida, ver a vida imaterialmente, tirando-lhe fotografias com a máquina do devaneio, sobre a qual os raios do pesado, do útil e do circunscrito não têm ação, dando negro na chapa espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em mim esta atitude, que o muito sonhar me enquistou, faz-me ver sempre da realidade a parte que é sonho. A minha visão das coisas suprime sempre nelas o que o meu sonho não pode utilizar. E assim vivo sempre em sonhos, mesmo quando vivo na vida. Olhar para um poente em mim ou para um poente no Exterior é para mim a mesma coisa, porque vejo da mesma maneira, pois que a minha visão é talhada mesmamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso a idéia que faço de mim é uma idéia que a muitos parecerá errada. De certo modo é errada. Mas eu sonho-me a mim próprio e de mim escolho o que é sonhável, compondo-me e recompondo-me de todas as maneiras até estar bem perante o que exijo do que sou e não sou. Às vezes o melhor modo de ver um objeto é anulá-lo; mas ele subsiste, não sei explicar como, feito de matéria de negação e anulamento; assim faço a grandes espaços reais do meu ser, que, suprimidos no meu quadro de mim, me transfiguram para a minha realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como então me não engano sobre os meus íntimos processos de ilusão de mim? Porque o processo que arranca para uma realidade mais que real um aspecto do mundo ou uma figura de sonho, arranca também para mais que real uma emoção ou um pensamento; despe-o portanto de todo o apetrecho de nobre ou puro quando, o que quase sempre acontece, o não é. Repare-se que a minha objetividade é absoluta, a mais absoluta de todas. Eu crio o objeto absoluto, com qualidades de absoluto no seu concreto. Eu não fugi à vida propriamente, no sentido de procurar para a minha alma uma cama mais suave, apenas mudei de vida e encontrei nos meus sonhos a mesma objetividade que encontrava na vida. Os meus sonhos – noutra página estudo isto – erguem-se independentes da minha vontade e muitas vezes me chocam e me ferem. Muitas vezes o que descubro em mim me desola, me envergonha (talvez por um resto de humano em mim – o que é a vergonha?) e me assusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em mim o devaneio ininterrupto substituiu a atenção. Passei a sobrepor às coisas vistas, mesmo quando já sonhadamente vistas, outros sonhos que comigo trago. Desatento já suficientemente para fazer bem aquilo a que chamei ver as coisas em sonho, ainda assim, porque essa desatenção era motivada por um perpétuo devaneio e uma, também não exageradamente atenta, preocupação com o decurso dos meus sonhos, sobreponho o que sonho ao sonho que vejo e intersecciono a realidade já despida da matéria com um imaterial absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a habilidade que adquiri em seguir várias idéias ao mesmo tempo, observar as coisas e ao mesmo tempo sonhar assuntos muito diversos, estar ao mesmo tempo sonhando um poente real sobre o Tejo real e uma manhã sonhada sobre um Pacífico interior; e as duas coisas sonhadas intercalam-se uma na outra, sem se misturar, sem propriamente confundir mais do que o estado emotivo diverso que cada um provoca, e sou como alguém que visse passar na rua muita gente e simultaneamente sentisse de dentro as almas de todos – o que teria que fazer numa unidade de sensação – ao mesmo tempo que via os vários corpos – esse tinha que os ver diversos – cruzar-se na rua cheia de movimentos de pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja mais sobre Fernando Pessoa, na &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa"&gt;Wikipédia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-3916734646484981145?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/3916734646484981145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=3916734646484981145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/3916734646484981145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/3916734646484981145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/07/excertos-fernando-pessoa.html' title='Excertos - Fernando Pessoa'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-4269898115524155178</id><published>2007-03-30T16:22:00.001-03:00</published><updated>2011-04-27T13:13:33.143-03:00</updated><title type='text'>Sobre a loucura - Edward Bond</title><content type='html'>&lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/39/Angelo_Bronzino_003.jpg/490px-Angelo_Bronzino_003.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/39/Angelo_Bronzino_003.jpg/490px-Angelo_Bronzino_003.jpg" style="cursor: pointer; 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&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-4269898115524155178?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/4269898115524155178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=4269898115524155178' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4269898115524155178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4269898115524155178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/03/sobre-loucura-edward-bond_30.html' title='Sobre a loucura - Edward Bond'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-852618651184000007</id><published>2007-03-05T12:57:00.000-03:00</published><updated>2007-03-05T13:10:57.510-03:00</updated><title type='text'>Felicidade Solitária</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;por Arthur Schopenhauer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solidão concede ao homem intelectualmente superior uma vantagem dupla: primeiro, a de estar só consigo mesmo; segundo, a de não estar com os outros. Esta última será altamente apreciada se pensarmos em quanta coerção, quantos estragos e até mesmo quanto perigo toda a convivência social traz consigo. «Todo o nosso mal provém de não podermos estar a sós», diz La Bruyère. A sociabilidade é uma das inclinações mais perigosas e perversas, pois põe-nos em contacto com seres cuja maioria é moralmente ruim e intelectualmente obtusa ou invertida. O insociável é alguém que não precisa deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, ter em si mesmo o bastante para não precisar da sociedade já é uma grande felicidade, porque quase todo o sofrimento provém justamente da sociedade, e a tranquilidade espiritual, que, depois da saúde, constitui o elemento mais essencial da nossa felicidade, é ameaçada por ela e, portanto, não pode subsistir sem uma dose significativa de solidão. Os filósofos cínicos renunciavam a toda a posse para usufruir a felicidade conferida pela tranquilidade intelectual. Quem renunciar à sociedade com a mesma intenção terá escolhido o mais sábio dos caminhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.niilista.com.br/forum/images/uploads/solidao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://www.niilista.com.br/forum/images/uploads/solidao.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="postbody"&gt; (SCHOPENHAUER, Arthur. in &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aforismos para a Sabedoria de Vida&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-852618651184000007?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/852618651184000007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=852618651184000007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/852618651184000007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/852618651184000007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/03/felicidade-solitria.html' title='Felicidade Solitária'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-4355750215103526061</id><published>2007-01-26T13:21:00.000-03:00</published><updated>2007-03-23T10:50:40.485-03:00</updated><title type='text'>O Gênio da Multidão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/4/43/CharlesBukowski.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/4/43/CharlesBukowski.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;(1920 - 1994)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Genius Of The Crowd &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por Charles Bukowski&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;there is enough treachery, hatred violence absurdity in the average&lt;br /&gt;human being to supply any given army on any given day&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;and the best at murder are those who preach against it&lt;br /&gt;and the best at hate are those who preach love&lt;br /&gt;and the best at war finally are those who preach peace&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;those who preach god, need god&lt;br /&gt;those who preach peace do not have peace&lt;br /&gt;those who preach peace do not have love&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;beware the preachers&lt;br /&gt;beware the knowers&lt;br /&gt;beware those who are always reading books&lt;br /&gt;beware those who either detest poverty&lt;br /&gt;or are proud of it&lt;br /&gt;beware those quick to praise&lt;br /&gt;for they need praise in return&lt;br /&gt;beware those who are quick to censor&lt;br /&gt;they are afraid of what they do not know&lt;br /&gt;beware those who seek constant crowds for&lt;br /&gt;they are nothing alone&lt;br /&gt;beware the average man the average woman&lt;br /&gt;beware their love, their love is average&lt;br /&gt;seeks average&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;but there is genius in their hatred&lt;br /&gt;there is enough genius in their hatred to kill you&lt;br /&gt;to kill anybody&lt;br /&gt;not wanting solitude&lt;br /&gt;not understanding solitude&lt;br /&gt;they will attempt to destroy anything&lt;br /&gt;that differs from their own&lt;br /&gt;not being able to create art&lt;br /&gt;they will not understand art&lt;br /&gt;they will consider their failure as creators&lt;br /&gt;only as a failure of the world&lt;br /&gt;not being able to love fully&lt;br /&gt;they will believe your love incomplete&lt;br /&gt;and then they will hate you&lt;br /&gt;and their hatred will be perfect&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;like a shining diamond&lt;br /&gt;like a knife&lt;br /&gt;like a mountain&lt;br /&gt;like a tiger&lt;br /&gt;like hemlock&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;their finest art&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tradução&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O Gênio da Multidão&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;(The Genius of the Crowd, por Charles Bukowski)&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Há bastante traição, ódio, violência, absurdidade no ser humano medíocre para suprir qualquer tipo de exército num determinado dia.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E o máximo do assassinato são aqueles que pregam contra ele.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E o máximo do ódio são aqueles que pregam o amor.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E o máximo da guerra são aqueles que pregam a paz.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Aqueles que pregam Deus, necessitam de Deus.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Aqueles que pregam a paz não têm paz.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Aqueles que pregam a paz não têm amor.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cuidado com os pregadores.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cuidado com os conhecedores.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cuidado com aqueles que estão sempre a ler livros.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cuidado com aqueles que ou detestam a pobreza ou estão orgulhosos dela.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cuidado com aqueles que são pressurosos em elogiar,&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;pois eles necessitam de louvores em troca.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cuidado com aqueles que são pressurosos em censurar: eles temem o que não conhecem.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cuidado com aqueles que procuram constantemente multidões porque não estão nada sozinhos.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cuidado com o homem medíocre, com a mulher medíocre.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cuidado com o amor deles; o amor deles busca a mediocridade.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Mas há gênio em seu ódio.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Há bastante gênio em seu ódio para matar-te,&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;para matar qualquer um.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Por não querer a solidão,&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;por não compreender a solidão,&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;tentarão destruir qualquer coisa que difira deles próprios.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Por não serem capazes de criar arte,&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;eles considerarão sua própria falha como criadores&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;somente como defeitos do mundo.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Não sendo capazes de amar plenamente,&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;acreditarão o teu amor incompleto&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E então irão odiar-te.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E o ódio deles será perfeito.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Como um diamante brilhante&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Como uma faca&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Como uma montanha&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Como um tigre&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Como uma erva daninha.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Sua mais fina arte&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-4355750215103526061?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/4355750215103526061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=4355750215103526061' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4355750215103526061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4355750215103526061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/01/genius-of-crowd.html' title='O Gênio da Multidão'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-4597617861711983182</id><published>2007-01-17T09:38:00.000-03:00</published><updated>2007-01-26T14:42:59.847-03:00</updated><title type='text'>A moral da criação e a moral da domesticação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://aetos.it.teithe.gr/%7Ekongeor/temp/Nietzsche.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://aetos.it.teithe.gr/%7Ekongeor/temp/Nietzsche.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="OpenOffice.org 1.1.4  (Linux)"&gt;&lt;meta name="AUTHOR" content="Eustaquio Maia"&gt;&lt;meta name="CREATED" content="20060412;13432400"&gt;&lt;meta name="CHANGEDBY" content="Eustaquio Maia"&gt;&lt;meta name="CHANGED" content="20070117;10343500"&gt;              &lt;style&gt;  &lt;!--   @page { margin: 2cm }   P { margin-bottom: 0.21cm }  --&gt;&lt;/style&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nietzsche (1844 - 1900)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A moral da criação e a moral da domesticação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;por Friedrich Nietzsche&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moral da criação e a moral da domesticação são plenamente dignas uma da outra, no que concerne aos meios de se impor. Podemos apresentar como princípio mais elevado o seguinte: para levar a termo a moral é necessário ter a vontade incondicionada do contrário. Este é o grande problema, o problema sinistro, ao qual persegui mais longamente: a psicologia dos "melhoradores" da humanidade. Um fato diminuto e no fundo modesto, este da assim chamada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pia fraus&lt;/span&gt;, abriu-me um primeiro acesso a este problema. A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pia fraus&lt;/span&gt; foi a herança de todos os filósofos e sacerdotes que “melhoraram” a humanidade. Nem Manu, nem Platão, nem Confúcio, nem as doutrinas hebréias e cristãs jamais duvidaram de seu direito à mentira. Eles duvidaram de direitos totalmente diversos... Expresso em uma fórmula, poder-se-ia dizer: todos os meios, através dos quais até aqui a humanidade deveria se tornar moral, foram fundamentalmente imorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;b&gt;NIETZSCHE&lt;/b&gt;, Friedrich. in &lt;i&gt;Crepúsculo dos Ídolos&lt;/i&gt;, 5.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Algumas opiniões coletadas sobre o tema acima tratado:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Moral: "Conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada." (dic. Aurélio)&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Quando um comportamento será válido? Quando a sociedade presente o aceitar como correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o que é aceito muda de acordo com a sociedade, a moral é relativa a esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mentira é aceita pela sociedade? Em uma sociedade que, por princípios, for intolerante à mentira, a mentira é sempre imoral. Logo, uma sociedade contra a mentira cujos preceitos morais sejam baseados nesta, terá uma moral contraditória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, se a mentira é aceita ou ao menos tolerada, mesmo uma mentira pode se constituir uma das bases da moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Pia fraus&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;: "mentira ou logro perpetrado com boa intenção&lt;/span&gt;"&lt;/span&gt;. Comentário pessoal: antes uma verdade funesta.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Uma mentira, por ser creditada, não deixa de ser mentira.&lt;br /&gt;E algo não ser provado como falso não quer dizer que esse algo é verdadeiro.&lt;br /&gt;Provem que não foi o Monstro Spaguetti Voador quem criou o Universo...!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;- Concordo com vocês e com Nietzsche, tudo o que foi tido até hoje como certo, como verdade moral, não passa de distorção da realidade, dos instintos humanos.&lt;br /&gt;Moral=repressão dos instintos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;- A partir do momento em que o homem sente a extrema necessidade de ser mandado, ele se torna crente.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;- senhores, cubro-vos de razao. A verdade está dependente da moral e esta da sociedade...&lt;br /&gt;no entanto, lembro-vos que só o estado de anomia se apresenta em alternativa ao da sociedade, pelo que vos proponho que averigueis qual o mais propício aos vossos fins, isto é, a vocês próprios.&lt;br /&gt;em sociedade as organizações mais igualitárias são a anarquia e a democracia. Mas a anarkia não é possível nesta forma, e não é igualitária nas suas outras, e a democracia acarreta certas imposições, tais como a liberdade e vontade soberanas dos restantes membros, que nos restringem a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[posso expor a natureza dos regimes totalitários ou absolutos]&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;“Não é habilidade nenhuma ser compreensível a todos quando se desistiu de todo o exame em profundidade” - KANT, Fundamentação da Metafísica dos Costumes&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/nietzsche.htm"&gt;Nietzsche - Vida e Obra&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-4597617861711983182?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/4597617861711983182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=4597617861711983182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4597617861711983182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/4597617861711983182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/01/moral-da-criao-e-moral-da-domesticao.html' title='A moral da criação e a moral da domesticação'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-816088636561940634</id><published>2007-01-11T08:02:00.000-03:00</published><updated>2007-01-12T09:58:54.885-03:00</updated><title type='text'>Schopenhauer: Do pensar por si</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.schopenhauer.org/gr/schopenhauer02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.schopenhauer.org/gr/schopenhauer02.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="OpenOffice.org 1.1.4  (Linux)"&gt;&lt;meta name="AUTHOR" content="Eustaquio Maia"&gt;&lt;meta name="CREATED" content="20060713;9085400"&gt;&lt;meta name="CHANGEDBY" content="Eustaquio Maia"&gt;&lt;meta name="CHANGED" content="20060713;11243500"&gt;              &lt;style&gt;  &lt;!--   @page { margin: 2cm }   P { margin-bottom: 0.21cm }  --&gt;  &lt;/style&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="center"&gt;&lt;b&gt;Arthur Schopenhauer (1788 - 1860)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Do pensar por si - Schopenhauer&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Uma biblioteca pode ser muito grande, mas desordenada não é tão útil quanto uma pequena e bem organizada. Do mesmo modo, um homem pode possuir uma grande quantidade de conhecimento, mas se não o tiver trabalhado em sua mente por si, tem muito menos valor que uma quantidade muito menor que foi cuidadosamente considerada. Pois é somente quando um homem analisa aquilo que sabe em todos os aspectos, comparando uma verdade com outra, que se dá conta por completo de seu próprio conhecimento e adquire seu poder. Um homem só pode ponderar a respeito daquilo que sabe – portanto, deveria aprender algo; todavia, um homem só sabe aquilo sobre o que ponderou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler e aprender são coisas que qualquer indivíduo pode fazer por seu próprio livre-arbítrio – mas pensar não. O pensar deve ser incitado como o fogo pelo vento; deve ser sustentado por algum interesse no assunto em questão. Esse interesse pode ser puramente objetivo ou meramente subjetivo. O último existe em questões que nos dizem respeito pessoalmente. O interesse objetivo encontra-se somente nas cabeças que pensam por natureza, para as quais pensar é tão natural quanto respirar – mas são muito raras; por isso há tão pouco dele na maioria dos homens do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre o efeito do pensar por si e da leitura sobre a mente é incrível. Por isso está continuamente desenvolvendo a diferença original na natureza de duas mentes, que leva uma a pensar e a outra a ler. Ler força pensamentos alheios sobre a mente – pensamentos que são alheios ao estado e temperamento em que esta possa estar no momento, como o selo está para a cera, na qual estampa sua marca. A mente, deste modo, está inteiramente sob compulsão externa; é levada a pensar isto ou aquilo, apesar de que, no momento, talvez não tenha o menor impulso ou inclinação de fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando um homem pensa por si, segue o impulso de sua própria mente – seja pelo seu ambiente ou alguma lembrança particular determinada pelo momento. O mundo visível do ambiente de um homem não imprime – como a leitura faz – um único pensamento definido sobre sua mente, mas apenas o proporciona o material e a ocasião que o levam a pensar naquilo que é apropriado à sua natureza e temperamento presentes. Por esse motivo, muita leitura retira toda a elasticidade da mente; é como manter uma fonte continuamente sob pressão. Se um homem não quer pensar por si, o plano mais seguro é pegar um livro toda vez que não tiver nada para fazer. É esta prática que explica por que erudição torna a maior parte dos homens mais estúpidos e tolos do que são por natureza, e previnem que seus escritos obtenham qualquer nível de sucesso. Estes permanecem, como o papa disse, “Para sempre lendo, nunca para serem lidos” [Dunciad iii. 194].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens do conhecimento são aqueles que leram páginas de livros. Pensadores e homens de gênio são aqueles que foram diretamente ao livro da Natureza; foram estes que esclareceram o mundo e levaram a humanidade um passo adiante. De fato, apenas os pensamentos fundamentais de um homem têm veracidade e vida em si, pois estes são os únicos que compreende realmente e completamente. Ler os pensamentos de outrem é como recolher os restos de uma refeição para a qual não fomos convidados ou colocar as roupas que um estranho abandonou. O pensamento que lemos está para o pensamento que surge em nós assim como a impressão fossilizada de alguma planta pré-histórica está para uma planta florescendo na primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler não é mais que um substituto para o pensar por si; significa permitir que sejam colocadas guias nos pensamentos. Ademais, muitos livros servem apenas para demonstrar quantos caminhos errôneos existem, e quão amplamente um homem pode ser descaminhado se se permitir guiar por estes. Mas aquele que é guiado pelo seu gênio, aquele que pensa por si, que pensa espontaneamente e precisamente, possui a única bússola pela qual pode se orientar corretamente. Portanto, um homem somente deveria ler quando a fonte de seus pensamentos estagnam – algo que ocorre freqüentemente mesmo com as melhores mentes. Por outro lado, pegar um livro com o propósito de afugentar os próprios pensamentos é um pecado contra o Espírito Santo. É como fugir da Natureza para observar um museu de plantas secas ou estudar uma bela paisagem em uma gravura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem pode ter alcançado alguma verdade ou sabedoria após ter devotado um grande tempo pensando por si sobre o assunto, interligando seus vários pensamentos, quando poderia ter encontrado o mesmo em um livro, poupando-o desse esforço. Mesmo assim, é cem vezes mais valioso que tenha o alcançado pensando por si. Pois é apenas quando alcançamos nosso conhecimento desse modo que este se introduz como uma parte integral, como um membro vivo no todo de nosso sistema de pensamento; que permanece em uma relação forte e completa com aquilo que sabemos; que é compreendido cabalmente com todas as suas implicações; que carrega a cor, a precisa sombra, a marca distintiva de nosso próprio modo de pensar; que chega precisamente na hora certa – quando dele sentimos necessidade; que se estabelece rapidamente e não pode ser esquecido. Esta é a perfeita aplicação – ou melhor, interpretação – do conselho de Goethe, de ganharmos nossa herança para que possamos realmente possui-la:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que o homem herda só o pode chamar seu quando o utiliza.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[“Was du ererbt von deinen Vätern hast&lt;br /&gt;Erwirb es um es zu besitzen.” Faust I. 329.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que pensa por si forma suas opiniões e apenas posteriormente aprende as autoridades sobre estas, quando servem somente para fortalecer sua crença nelas e em si. Mas o filósofo livresco parte das autoridades; lê os livros de outrem, coleta suas opiniões, e assim constitui um todo para si – de tal forma que se assemelha a um autômato, cuja composição não compreendemos. Contrariamente, aquele que pensa por si se empenha como um homem vivente feito pela Natureza. A mente pensante é alimentada pelo ambiente, a qual então forma e dá origem à sua criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade que foi aprendida meramente como um membro artificial, um dente falso, um nariz de cera – ou, no melhor caso, um nariz feito de carne de outrem – adere em nós apenas porque foi encaixada; mas a verdade obtida através do próprio pensamento é como um membro natural – pertence-nos por si só. Esta é a diferença fundamental entre o pensador e o mero homem do conhecimento. Deste modo, as aquisições intelectuais do homem que pensa por si são como uma pintura refinada cheia de vida – na qual a luz e a sombra estão corretas, o tom é contínuo e a cor perfeitamente harmonizada. Por outro lado, as aquisições intelectuais do mero homem do conhecimento são como uma grande paleta cheia de todos os tipos de cores que, no máximo, estão organizadas sistematicamente, mas sem harmonia, relação e significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler é pensar com a cabeça de outrem em vez da própria. Pensar por si é esforçar-se para desenvolver um todo coerente – um sistema, mesmo que não seja estritamente completo; nada atrapalha mais esse objetivo que fortalecer a corrente de pensamento de outrem, como acontece por meio da leitura contínua. Esses pensamentos, surgindo cada qual de mentes distintas, pertencentes a diferentes sistemas, trazendo diferentes cores, nunca confluem para um todo intelectual; nunca constituem uma unidade de conhecimento, insight ou convicção; pelo contrário, abarrotam a mente com uma confusão babilônica de línguas. Conseqüentemente, a mente sobrecarrega-se de pensamentos alheios, perdendo toda a clareza conceitual e tornando-se predominantemente desorganizada. Esse estado de coisas é observável em muitos homens do conhecimento, o que os torna inferiores em compreensão sólida, julgamento correto e diplomacia prática a muitos indivíduos iliteratos que, por meio da experiência, conversação e alguma leitura, adquiriram um modesto conhecimento independentemente – e sempre o fizeram subordinado e incorporado aos seus próprios pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro pensador científico faz o mesmo que esses indivíduos iliteratos, mas em uma escala muito maior. Mesmo necessitando de muito conhecimento e tendo de ler bastante, sua mente é poderosa o suficiente para dominar isso tudo – assimilá-lo e incorporá-lo ao seu sistema de pensamento, e assim subordiná-lo à unicidade orgânica de sua compreensão que, apesar de vasta, está sempre crescendo. Por meio desse processo seu pensamento, como o grave em um órgão, sempre domina tudo e nunca se perde entre os outros tons, como acontece com mentes que estão repletas de conhecimentos antiquados – onde todos os tipos de passagens musicais se misturam e o tom fundamental perde-se completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que passaram suas vidas lendo e obtiveram seu conhecimento de livros são como pessoas que conseguiram informações precisas sobre um país a partir da descrição de muitos viajantes. Tais pessoas podem falar muito sobre muitas coisas; mas, em seu íntimo, não têm um conhecimento conectado, claro e profundo da verdadeira condição do país. Aqueles que passaram suas vidas pensando são como os próprios viajantes; apenas estes sabem de fato do que estão falando – compreendem o assunto inteiramente e nisso sentem-se em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensador está para o filósofo livresco assim como a testemunha ocular está para o historiador; o primeiro fala a partir de sua própria compreensão direta do assunto. É esse o motivo pelo qual todos aqueles que pensam por si, no fundo, chegam em grande parte às mesmas conclusões; quando divergem, isso ocorre porque adotam diferentes pontos de vista – e quando esses não afetam a questão, todos falam o mesmo. Estes simplesmente exprimem o resultado de sua compreensão objetiva das coisas. Há muitas passagens em minhas obras que apenas concedi ao público após alguma hesitação devido à sua natureza paradoxal; posteriormente tive a agradável surpresa de encontrar as mesmas opiniões registradas nos trabalhos de grandes homens de épocas anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo livresco meramente relata o que um indivíduo disse e o que outro quis dizer, ou as objeções levantadas por um terceiro, e assim por diante. Compara opiniões distintas, pondera, critica e tenta chegar à verdade da questão; nesse aspecto, assemelhando-se ao historiador crítico. Tentará, por exemplo, descobrir se Leibnitz foi por algum tempo um seguidor de Spinoza, e questões dessa natureza. O estudante curioso de tais assuntos encontrará exemplos notáveis do que quero dizer no Analytical Elucidation of Morality and Natural Right [Elucidação Analítica da Moralidade e do Direito Natural] de Herbart e no Letters on Freedom [Cartas sobre a Liberdade] do mesmo autor. É surpreendente que tal homem dê-se esse tipo de trabalho; pois é evidente que se houvesse fixado sua atenção no assunto teria logo apreendido seu objeto pensando por si. Mas há uma pequena dificuldade a ser superada – isso não depende de nossa vontade. Um homem sempre pode sentar-se e ler – mas não pensar. Pensamentos são como homens: não podemos invocá-los segundo nossa vontade – temos de esperar que venham. O pensamento sobre um assunto deve manifestar-se espontaneamente como uma feliz e harmoniosa combinação de estímulos externos com o temperamento mental e a atenção; e é justamente isso que nunca parece acontecer com tais pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta verdade pode ser ilustrada pelo que acontece em questões que concernem nosso interesse próprio. Quando é necessário chegar a uma resolução numa questão desse gênero, não podemos simplesmente sentar a qualquer momento, considerar as razões do caso e chegar a uma conclusão; pois, se tentamos fazê-lo, freqüentemente nos vemos incapazes, naquele momento particular, de manter nossa mente focada naquele assunto; esta vagueia a outras coisas; um repúdio pelo assunto às vezes é responsável por isso. Em tal caso, não devemos usar a força, mas aguardar que o estado mental adequado manifeste-se por si só; com freqüência este chega inesperadamente e mesmo repete-se; e a variedade de temperamentos nos quais o analisamos em diferentes momentos sempre coloca o assunto sob uma nova luz. Este é um longo processo que é compreendido pelo termo resolução madura. Pois a tarefa de chegar a uma conclusão precisa ser distribuída; no processo, muito daquilo que foi ignorado em um momento nos ocorre em outro; o repúdio desaparece quando percebemos – como ocorre comumente numa inspeção mais minuciosa – que as coisas não são tão ruins quando pareciam à primeira vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta regra aplica-se à vida do intelecto assim como às questões práticas – o homem deve aguardar pelo momento certo; nem a maior das mente é capaz de pensar por si todas as vezes. Portanto, uma grande mente faz bem em gastar seu tempo livre com leitura que, como disse, é um substituto para o pensamento próprio; novos materiais são importados à mente ao permitirmos que outrem pense por nós, apesar de que isso sempre seja feito de um modo distinto do nosso. Assim, um homem não deve ler em demasia a fim de que sua mente não se torne acostumada ao substituto e, conseqüentemente, esqueça a realidade; a fim de que não se acostume a seguir caminhos que já foram trilhados, seguindo um curso de pensamento alheio e esquecendo o próprio. De maneira nenhuma um homem deveria desviar sua atenção do mundo real em prol da leitura, pois o impulso e o estado que levam alguém a pensar por si procedem muito mais freqüentemente do mundo da realidade que do mundo dos livros. A vida real que um homem vê diante de si é o objeto natural do pensamento; e, em sua força como elemento primário da existência, pode com a maior facilidade incitar e influenciar a mente pensante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após essas considerações, não será surpreendente que um homem que pensa por si pode ser facilmente diferenciado do filósofo livresco pelo próprio modo como fala, pela sua acentuada honestidade e a originalidade, retidão e convicção pessoal que marcam todos seus pensamentos e expressões. O filósofo livresco, por outro lado, deixa evidente que tudo nele é de segunda mão; suas idéias são como uma coleção de farrapos coletados de todos os cantos; mentalmente, é vagaroso e sem sentido – uma cópia de uma cópia. Seu estilo literário é repleto de frases convencionais, ou melhor, vulgares, e termos correntes; neste particular, assemelha-se muito a um pequeno Estado onde todo o dinheiro em circulação é estrangeiro, pois não há cunhagem própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mera experiência toma o lugar do pensamento com a mesma precariedade da leitura. O simples empirismo está para o pensamento assim como comer está para a digestão e assimilação. Quando a experiência alardeia que sozinha, por meio de suas descobertas, promoveu o avanço do conhecimento humano, está a proceder como uma boca que alega possuir todo o crédito por manter a saúde do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trabalhos das mentes realmente capazes se diferenciam pelo caráter de decisão e definição pelos quais se livram da obscuridade. Uma mente realmente capaz sempre sabe precisamente e claramente aquilo que deseja expressar – seja na forma de prosa, verso ou música. Outras mentes deixam a desejar em termos de decisão e clareza, e assim podem ser prontamente identificadas pelo que são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sinal característico de uma mente de primeira ordem é a retidão de seu julgamento – sempre julga em primeira mão. Tudo que profere é resultado do pensamento próprio; e isso se mostra patente pelo modo como exprime seus pensamentos. Tal mente é como um príncipe – no reino do intelecto sua autoridade é imperial, enquanto a autoridade das outras mentes é meramente delegada, como pode ser visto pelo seu estilo, que não tem um traço próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, todo aquele que realmente pensa por si é como um monarca – sua posição é absoluta, não reconhece ninguém acima de si. Seus julgamentos, como decretos reais, advêm de seu próprio poder soberano e procedem diretamente dele. Aceita a autoridade tão pouco quanto um monarca admite um comando; nada é válido a não ser que tenha autorizado pessoalmente. Por outro lado, a multidão de mentes vulgares, influenciadas por todos os tipos de opiniões populares, autoridades e preconceitos são como as pessoas que, em silêncio, obedecem a lei e aceitam ordem de superiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que são ávidos e impacientes por resolver questões polêmicas citando autoridades realmente se satisfazem quando conseguem colocar a compreensão e o insight de outrem no campo – no lugar de seus próprios, que são precários. Seu número é legionário. Pois, como Sêneca diz, todos homens preferem acreditar a exercitar o julgamento – unusquisque mavult credere quam judicare. Em suas controvérsias, tais pessoas comumente fazem um uso promíscuo do artifício da autoridade – atacam-se mutuamente com esta. Se alguém se envolver em tal disputa, não obterá sucesso utilizando a razão e argumentação como defesa; pois contra uma arma desse gênero essas pessoas são como Siegfrieds*1 com pele espinhosa, submersos numa enchente de incapacidade de pensar e julgar. Estes atacarão levantando suas autoridades na tentativa de rebaixar o adversário – argumentum ad verecundiam [apelo à autoridade], e então gritam victoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo real, seja este justo, favorável e agradável como for, sempre vivemos sujeitos à lei da gravidade, a qual temos de superar constantemente. Mas no mundo intelectual somos espíritos livres, sem o controle da lei da gravidade e livres da penúria e aflição. Por essa razão não há felicidade na terra como aquela que, no momento propício, uma mente refinada e frutuosa encontra em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presença de um pensamento é como a presença da mulher amada. Imaginamos que nunca esqueceremos esses pensamentos nem nos tornaremos indiferentes à amada. Mas fora da vista, fora da mente! O pensamento mais refinado corre o risco de ser irrecuperavelmente esquecido se não for anotado, e a amada de ser abandonada se com esta não nos casarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos pensamentos que são valiosos ao homem que os pensa; mas poucos deles têm força para produzir uma ação repercussiva ou reflexiva – isto é, ganhar a simpatia do leitor após ter sido colocado no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não se deve esquecer que o verdadeiro valor está apenas no que um homem pensou diretamente para seu próprio caso. Pensadores podem ser classificados da seguinte forma: aqueles que predominantemente pensam para seu próprio caso e aqueles que pensam para o caso de outrem. Os primeiros são os genuínos pensadores independentes – estes de fato pensam e são de fato independentes; são os verdadeiros filósofos – somente estes a sério; o prazer e a felicidade de sua existência consiste em pensar. Os outros são sofistas; desejam parecer aquilo que não são, e buscam sua felicidade naquilo que esperam receber do mundo – é nisso que consiste sua seriedade. Pode-se ver a qual das duas classes um homem pertence através de todo o seu estilo e conduta. Lichtenberg é um exemplo da primeira classe, enquanto Herder obviamente pertence à segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém considera quão vasto e quão próximo de nós está o problema da existência – esta nossa equívoca, atormentada, fugaz e onírica existência –, tão vasto e próximo que tão rapidamente quanto alguém o percebe, este ofusca e obscurece todos os outros problemas e objetivos; e quando alguém vê como todos os homens – com poucas e raras exceções – não têm uma consciência clara do problema – ou melhor, mal percebem sua presença –, mas ocupam-se com tudo, menos isso, e vivem a pensar somente para o dia presente e dificilmente para além da duração de seu futuro pessoal, enquanto explicitamente desistem do problema ou estão prontos para aceitá-lo com o auxílio de algum sistema metafísico popular, satisfazendo-se com isso; quando alguém reflete sobre isso, pode adotar a opinião de que o homem só pode ser considerado um ser pensante num sentido muito remoto, e assim não sentir qualquer surpresa especial ante quaisquer traços de irreflexão ou tolice humanas; mas sabendo que, até certo ponto, a amplitude da visão intelectual de um homem normal de fato supera a do animal – cuja existência inteira assemelha-se a um presente contínuo sem qualquer consciência do futuro ou do passado –, mas não numa distância imensurável como normalmente se supõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é, de fato, corroborado pelo modo como a maior parte dos homens conversa; vemos que seus pensamentos são podados, tornando impossível que desenvolvam a linha de seu discurso em qualquer sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esse mundo fosse povoado por seres realmente pensantes, o barulho de todo tipo não seria permitido até limites tão generosos, como é o caso com a maioria de suas formas horríveis e ao mesmo tempo inúteis.*2 Se a Natureza tivesse feito o homem para pensar, não lhe teria dado ouvidos; ou lhe teria equipado com abas de isolamento acústico – que são as invejáveis posses do morcego. Mas, na verdade, o homem é um pobre animal como o resto, e suas capacidades têm o único propósito de mantê-lo na luta pela existência; deste modo, precisa manter seus ouvidos sempre abertos para anunciar, dia e noite, a aproximação do perseguidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) – Ver &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Siegfried" target="_blank"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Siegfried&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sigurd." target="_blank"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Sigurd.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) – Ver o ensaio On Noise em Studies in Pessimism de Schopenhauer.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-816088636561940634?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/816088636561940634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=816088636561940634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/816088636561940634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/816088636561940634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/01/schopenhauer-do-pensar-por-si.html' title='Schopenhauer: Do pensar por si'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-366269693194602232</id><published>2007-01-10T13:32:00.000-03:00</published><updated>2007-01-10T19:39:43.257-03:00</updated><title type='text'>Leituras recomendadas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;por &lt;a href="http://www.geocities.com/heliopereiriano/"&gt;HelioPereiriano&lt;/a&gt;, da &lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/index.htm"&gt;Homepage de Olavo de Carvalho&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Recomendo fortemente estes textos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pensamento e Atualidade em Aristóteles&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/pensaris1_1.htm"&gt;PRIMEIRA AULA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/pensaris2_1.htm"&gt;SEGUNDA AULA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/pensaris3_1.htm"&gt;TERCEIRA AULA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/pensaris4_1.htm"&gt;QUARTA AULA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ser e Conhecer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/serconhecer.htm"&gt;Ser e Conhecer 1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/presenca.htm"&gt;Ser e Conhecer 2 (Conhecimento e Presença)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teoria dos 4 Discursos - Uma das mais belas teorias filosóficas que já li. E brasileira !"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/livros/4discursos.htm"&gt;ARISTÓTELES: OS QUATRO DISCURSOS&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-366269693194602232?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/366269693194602232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=366269693194602232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/366269693194602232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/366269693194602232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/01/leituras-recomendadas.html' title='Leituras recomendadas'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-2811935331354997692</id><published>2007-01-10T08:04:00.000-03:00</published><updated>2008-12-11T17:19:31.058-03:00</updated><title type='text'>Niilismo felino</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.mundogatos.com/images/siames-2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://www.mundogatos.com/images/siames-2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM RECORTE DE JORNAL:&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Jornal &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Estado de Minas&lt;/span&gt; – BH, 11/06/1995&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span&gt;A superioridade malandra do gato &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu o livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Akhenaton: a história do homem contada por um gato&lt;/span&gt;, do historiador francês Gérard Vincent. É coisa fina. Começa divertido, como sugere o título, e termina numa sinfonia de pessimismo erudito. A tradução é salgada ( a certa altura diz que uma lâmpada “foi jazer por terra”), mas são 182 páginas de pura irreverência e sabedoria. Quem conta a história é Akhenaton, um gato siamês que sustenta não só a supremacia divina de sua espécie como demonstra que a divindade, sendo felina, criou os homens para servir os gatos. Com 278 graus de campo visual e a capacidade de ampliar a luz 50 vezes durante a noite, o gato seria fisiologicamente superior ao homem. Com a palavra Akhenaton, que não gosta muito do gênero humano, salvo os bípedes que gostam de gatos, como o cardeal Richelieu, John Kennedy, Paulo Francis e o professor João Manuel Cardoso de Melo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao gato Deus deu suas qualidades: indolência, lucidez e um sofisticado sistema sensorial. Ao homem Ele deu neurose, paixão pelo trabalho e vaidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim como os cães, os homens gostam de ter donos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mamífero ao mesmo tempo herbívoro e carnívoro, o homem ainda não conseguiu construir sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A sociedade se compõe de duas classes, a dos que têm mais jantares do que apetite e a dos que têm mais apetite do que jantares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Akhenaton não gosta de pobres e tem horror a socialistas. Diz que eles queriam descer o céu à Terra e fizeram subir o inferno. Atribui ao fato dos gatos comerem os ratos tanto a descoberta da América quanto à sobrevivência da espécie humana. É obra de um historiador que domina seu ofício e se meteu no pêlo do gato para compor um divertimento libertino, cético e ateu. Não se recomenda a leitura da catilinária de Akhenaton a pessoas que gostam de livros com historinhas de gatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/Rao2mk_S3BI/AAAAAAAAABI/pTiDYLygjhI/s1600-h/Akhenaton.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/Rao2mk_S3BI/AAAAAAAAABI/pTiDYLygjhI/s400/Akhenaton.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5019884771049921554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/Rao3H0_S3CI/AAAAAAAAABQ/MuvMKxyUcWg/s1600-h/Akhenaton2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/Rao3H0_S3CI/AAAAAAAAABQ/MuvMKxyUcWg/s400/Akhenaton2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5019885342280571938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Capas: frente e verso, respectivamente                    &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EXCERTOS DO LIVRO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Akhenaton: a história do homem contada por um gato&lt;/span&gt; – traduzido do siamês por Gérard Vincent&lt;br /&gt;Tradução: Joana Angélica d'Avila Melo&lt;br /&gt;EDITORA SICILIANO, 1995, São Paulo&lt;br /&gt;ISBN 85-267-0720-5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Notas da capa &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu, Akhenaton, jamais respondo quando me chamam, a não ser que isso me convenha. Não sou daqueles que atendem à convocação por uma sineta. E não transfiro a ninguém o cuidado de planificar minha felicidade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A dificuldade de ser - sem dúvida - obriga o homem a dopar-se perpetuamente: ele fuma, toma café, bebe aguardente ou água de Vittel. Insatisfeito com seu corpo, o homem o veste de modo a mascarar-lhe as imperfeições(...) E os homens não ficam mais felizes; e contudo morrem(...) Mamífero ao mesmo tempo herbívoro e carnívoro, o homem não conseguiu construir sua indentidade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Notas da contra-capa &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Akhenaton, o gato narrador deste livro, percorre os séculos que compõem a História comentando através de sua sábia perspectiva felina os acontecimentos e as tragédias causados pela espécie humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vasta cultura adquirida pelo siamês Akhenaton ao longo de muitos anos dormindo sobre livros está presente aqui não para exibir, gratuitamente, erudição, mas para mostrar seu profundo ceticismo quanto à melhora desta insensata raça de bípedes, “mamífero dotado de alguma inteligência mas bastante medíocre no plano sensorial”, que os gatos, desde o tempo do antigo Egito, vêm salvando dos ratos - “o que talvez tenha sido um erro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imbuído de um senso crítico mordaz, Akhenaton observa a inútil batalha travada pelos homens contra o tempo e conclui que a insatisfação inerente à espécie humana a leva a contestar e alterar a própria natureza através de métodos paliativos que modificam a aparência. Em decorrência dessa dificuldade de ser, o homem acaba se dopando com aguardente, fumo e café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Akhenaton, em sua elevada e lúcida posição de gato, analisa o comportamento humano ressaltando a irracionalidade intrínseca à espécie e afirma, ainda, que não sente rancor por aquele que tantos males causou a todos os outros seres vivos. Como, afinal, nutrir ressentimento por alguém que se frustrou na busca da própria felicidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cronista do nosso tempo, será nosso gato pessimista? Cáustico e realista, responderá ele. Niilista por natureza, Akhenaton não crê em nada, não tem esperança em nada, não aguarda nada. É nisso que consiste a sabedoria felina? Para o saber, demos nossa língua ao gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gérard Vincent, historiador, ensinou no Instituto de Estudos Políticos de Paris. Autor de várias obras, escreveu, entre elas, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Le peuple lycéen &lt;/span&gt;(Gallimard, 1974), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;D'ambition à Zizanie &lt;/span&gt;(Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1983) e organizou o volume 5 da coleção História da vida privada. Traduz eventualmente e vive entre os gatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Akhenaton: a história do homem contada por um gato&lt;/span&gt; – por Gérard Vincent&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo I – Língua de gato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome é Akhenaton e eu sou gato. De minha existência compartilham Amenófis IV, meu irmão gêmeo – mas dizigoto –, e o pintor Édouard. Há muitos anos – dez, quinze? -, um garoto louro de olhos azul-marinho deu a Édouard uma caixa de papelão vermelha, cheia de buracos. Ele levantou a tampa e descobriu dois gatinhos de olhos entreabertos. Tínhamos cinco semanas. “Um presente para o senhor”, disse a criança. Não podendo diferenciar-nos – o olhar humano é de débil acuidade -, Édouard nos batizou de Akhenaton e Amenófis IV por uma razão evidente que o leitor já compreendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O faraó cujo nome eu uso tencionou impor o monoteísmo ao povo egípcio e confiar à arte a missão de representar o real, sem compromisso nem indulgência, a começar com sua própria pessoa, que se pode ver em Karnac: máscara cavalar, braços delgados, peito esquelético, ventre intumescido, quadris femininos, uma verdadeira escultura expressionista. Talvez meu nome tenha contribuído para dar-me a vocação de escrever a história do homem. Talvez me tenha sensibilizado para a percepção do imutável, visto que, durante três milênios, os egípcios construíram, esculpiram, gravaram, pintaram segundo as mesmas normas. Talvez, enfim, me tenha incitado à demasiada indulgência em relação aos animais, havendo Diodoro constatado, com estupefação, que durante uma época de fome os egípcios preferiram devorar-se entre si a comer os animas sagrados. E quase todos os animais o eram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos gatos, que os intrigam e inquietam, os homens consagraram inumeráveis obras. Pousaram sobre nós seu olhar, mas não se preocuparam muito com o que nós lançamos sobre eles. A meta deste livro é preencher tal lacuna. Mas, informo, apesar do título aparentemente lúdico, ele não pretende fazer rir. Não se dirige apenas aos beberrões muito ilustres e malinados muito preciosos, mas a todas aquelas e todos aqueles que se preocupam em conhecer a origem de seus preconceitos e superstições, se não sua própria origem, em suma. Sei quanto os homens são curiosos por sua genealogia. Sei que muitos, nesta terra, imperadores, reis, presidentes, enarcas(1), inspetores, nomenklaturistas, descendem de alguns carregadores de xepa e de cestos, de cordoeiros ou de lavadores de tripas. De igual modo sei que mendigos e mendigas, enfermiços e miseráveis, que a gente vê dormir sob as pontes, pedir esmolas à porta dos hotéis de luxo, acabar sua triste existência no asilo de Ivry, às vezes descendem da raça e linhagem dos imperadores, reis, presidentes, enarcas, inspetores, nomenklaturistas, levando-se em conta a admirável transferência dos reinos e dos impérios. A mim, Akhenaton, acontece-me pensar que descendo daqueles gatos faraônicos que, do alto das pirâmides, olhavam escoarem-se os séculos e desabarem os impérios. Qual Morandi, a consagrar sua vida à contemplação de vasos e garrafas, ocupo a minha na observação das agitações humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas são sempre ritmadas pela dialética do senhor e do escravo. Não existem na animalidade. Nós combatemos para sobreviver e acontece-nos ter como repasto a carne de espécies que não odiamos. Mas não as guardamos como reserva em rebanhos, como fazem os homens ao cercarem seus carneiros, vacas, aves, dos mais atentos cuidados antes de os degolar e devorar . E o homem leva às últimas conseqüências o aproveitamentos dos restos: nós deixamos aos abutres as partes não-comíveis de nossas vítimas, os homens com elas fazem casacos, vestidos, bugigangas, egretes para ornar os chapèus das senhoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem atira-se aos títulos e às coisas. O gato satisfaz-se com o que é, contenta-se com o que tem. Ignora a inveja. A grama é sempre mais verde na margem fronteira, diz o japonês. Nossa própria margem nos basta. Sabemos que a idade de ouro não está atrás de nós, que o eldorado não está adiante. Não somos desesperados. Não esperamos nada, senão repetição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que os povos felizes não têm história. Não existe povo feliz. Portanto só existe história. Convém escrevê-la. Vou tentar, mas entendo, modestamente, ser como Deus no universo, presente em toda parte, visível em nenhum lugar. Não trago mensagem alguma. É preciso, se se quer viver, renunciar a ter uma idéia nítida do que quer que seja. A humanidade é assim, não se trata de modificá-la, mas de conhecê-la. A maneira pela qual falam de Deus todas as religiões me revolta, eis que o tratam com certeza, leviandade, familiaridade. Irritam-me sobretudo os padres, que têm sempre esse nome na boca. É uma espécie de espirro que lhes é habitual: a bondade de Deus, a cólera de Deus, ofender a Deus, eis suas palavras. É considerá-lo como um homem e, pior ainda, como um burguês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouso dirigir-me ao leitor e lembrar-lhe que a História que ele está acostumado a ler não é factual, que não passa de uma série de julgamentos admitidos, que a ignorância é a primeira necessidade da História, visto que simplifica e clarifica, escolhe e omite. Estás convencido de que teus ancestrais que viveram na Idade Média ocidental eram cristãos. Mas fica sabendo que as fontes sobre as quais se baseia tal afirmação são os textos dos clérigos, os únicos que, naquela época, saberiam ler e escrever, e ainda era preciso que seus escritos estivessem conformes aos prejulgados do momento. Antes de leres um livro de história, não privilegies os fatos que relata, mas a pessoa do historiador. Lê sua biografia, depois a de seu biógrafo, e por fim a do biógrafo de sua biografia. Podes fazê-lo? Não, certamente. Portanto, só conhecerás o julgamento de um certo homem, num certo momento, quadro de uma certa época da qual subsistem apenas traços incompletos. O historiador é o produto de uma historia que tu não podes conhecer melhor do que aquela que ele expõe. E, a depender de sua idade, o mesmo historiador pode relatar a mesma história de maneiras diferentes, tanto quanto ninguém se banha duas vezes no mesmo rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ingenuidade de certos historiadores, os que dão um 'sentido' à História – mas trata-se de direção ou de significação? -, consiste em crer (e fazer crer) que os acontecimentos se empilham como pratos que formariam uma torre capaz de atingir o céu da felicidade. É o que denominam progresso. Um deles, britânico e bastante sábio, vivendo no século dito 'das luzes', não hesitou em escrever: “Podemos concluir com segurança que, desde o começo do mundo, cada século aumentou e continua a aumentar as riquezas reais, a felicidade, a inteligência, e talvez mesmo as virtudes da raça humana.” Não insistamos em tal estupidez. Para nós, gatos, a História é 'quase' imóvel e praticamente não percebemos 'progresso' entre o massacre dos dez mil cristãos ordenado pelo rei Sopor e pintado por Dürer e a combustão de milhões de judeus em Auschwitz. Também não pensamos que o nariz de Cleópatra tenha mudado o mundo nem que um pouco de humor acre, ao afetar uma única fibra de um único homem, possa suspender as infelicidades e as ruínas das nações. Os homens julgam as sociedades a partir deles. Declaram 'bárbaros' os francos, que puniam o roubo com morte e o assassínio com multa. Mas são os mesmos a acharem normal morrer nas estradas e nelas matar o próximo. Somente os gatos, exteriores à sociedade humana e não pertencentes a qualquer outra – pois não existe sociedade felina -, são capazes de chegar à objetividade. Este livro é o primeiro livro de história, não sendo os outros mais do que coletâneas de histórias, tanto quanto a história-narração é um acerto de contas e de contos. Os historiadores, mesmo os mais legitimados, só percebem uma pequena parte daquilo que foi, prisioneiros que são da opacidade do real e da exigência profissional de afirmar a transparência dessa opacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era tempo de que viesse o gato para dizer aos homens o que eles foram, o que eles são. Estranhos mamíferos bípedes capazes do melhor e do pior, a aperfeiçoarem a arte de destruir seus semelhantes e as técnicas de sua proliferação: trezentos milhões de homens há dois mil anos; seguramente mais de seis bilhões no ano 2000; eles dominam este pequeno planeta, explorando-o talvez até a total destruição. Não se pode investir nem os carrascos nem as vítimas do encargo de relatar a história das execuções capitais. Estou aqui para tentar fazer isso. Não mergulharei minha pena no sangue das vítimas dos inumeráveis genocídios perpetrados pelos homens, porque também penso naquelas e naqueles – geralmente anônimos – que deram seu tempo e às vezes suas vidas para que alguns otimistas pudessem inventar a palavra 'felicidade'. Denunciarei os verdugos dos gatos pretos, mas farei o elogio de São Filipe Neri, que instalava sua gata branca sobre o altar onde celebrava a missa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha memória carrega pegadas de tudo o que viu, viveu, sofreu minha raça. Sou testemunha absoluta. Vivo (ou morro) quando dezenas de milhões de homens e mulheres são aniquilados pelas epidemias pestosas. Vivo, espectador das festas galantes cantadas e pintadas por Lulli e Watteau. Vivo nas garçonnières dos ricos e nos bordéis para pobres, nas saunas e nas termas. Vivo (ou morro) nas trincheiras de Argonne, em Stalingrado sitiada, em Dresden incendiada, em Hiroshima aniquilada. Tudo isso, eu o relatarei numa língua que não excluirá certo preciosismo. Nós dormimos tanto sobre os dicionários que lhes conhecemos todas as palavras, não confundindo, claro, ataraxia e enteléquia, errância e erro, avatar e acidente e, sempre, entre duas palavras, escolhendo a menor. Visto que nos falta imaginação (não inventamos nada depois de Bastet), nenhuma fantasia se intercala entre aquilo que é e aquilo que nós percebemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós percebemos mais o que se reproduz do que o que se modifica. Quarenta mil escravos massacrados em 71 a.C. Na batalha de Brundusium e os sobreviventes da revolta de Spartacus crucificados ao longo das vias romanas; cristãos entregues a leões esfomeados nos circos, sob aplauso da multidão; cátaros e outros 'heréticos' queimados aos milhares nas fogueira erguidas pela Inquisição; judeus massacrados em seus guetos pelos cruzados; astecas vítimas de um genocídio e de um etnocídio, militantes comunistas mártires sob Hitler e carrascos sob Stálin – alguns exemplos, entre muitos outros, da 'repetição'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quiçá em virtude de minhas origens asiáticas (sou um gato siamês), sinto-me poroso nesta manhã de 1º de agosto, quando se cruzam os que saem de férias e os que dela retornam, a matarem-se vez por outra nas auto-estradas superlotadas. Nas praias mediterrâneas, as preocupações cotidianas tentam transformar-se em iscas de felicidade. Os corpos se desnudam e se bronzeiam; nada-se; veleiros passam sossegadamente; as lanchas arrebentam alguns crânios; o ronco de seus motores abafa o conteúdo insípido das conversas; sai-se á noite para dançar ou jogar no cassino. Por que se agitam eles sem parar? Penso naquele painel de laca que encimava o trono dos imperadores da China e no qual se podia ler: “Não aja”. Faço minhas estas palavras de Confúcio: “Aquele que governa um povo dando-lhe o bom exemplo é como a Estrela Polar, que permanece imóvel enquanto todas as outras se lhe movem em torno.” Nós somos a Estrela Polar dos homens, a lembrar-lhes que quem se conduz verdadeiramente como chefe não toma parte da ação. Deixamos os melhores dos humanos – os menos piores – tentarem conhecer os outros, primeiro passo em direção à sabedoria, concentrando-nos para nos conhecermos a nós mesmos, segundo passo em direção a uma sabedoria superior. Vemos os homens de cima, empoleirando-nos numa árvore, num teto, numa sacada, num revelim. Eles vivem no rés do chão, afigurando-se, porque participantes dessa contigüidade horizontal, ver a totalidade do espetáculo. Os cães, a trotarem ao nível das nádegas humanas, partilham a mesma ilusão. Uns e outros vangloriam-se de haver tudo visto e tudo compreendido. A ingenuidade deles nos leva a sorrir, mas o sorriso de um gato, contrariamente às alegações de Alice, deixa-lhe imóvel o focinho, que se mantém úmido e fresco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada dura que não mude e não venha a ser, por que tentar compreender o universo? Nossa felina preguiça é total, não tencionamos perturbar a ação pela ação, dado que ela já se desfaz enquanto se cumpre. No século passado, um certo Hung Hsih-chuan pretendeu realizar o &lt;span&gt;T'ai-P'ing&lt;/span&gt;, 'a grande harmonia'. Para facilitar sua empresa, proclamou-se segundo filho de Deus, igual a Cristo em dignidade. Desencadeou a maior guerra camponesa da historia da humanidade. Houve milhões de mortos e tudo voltou a ser como antes. Por que agir? Os alemães dominaram a Europa pela força das armas; foram vencidos. Dominam-na agora pela força econômica. Por que agir? Os japoneses conquistaram uma parte do mundo com seus camicases e outros soldados; foram vencidos. Hoje ocupam-lhe uma parte muito maior com seus veículos, suas cadeias hi-fi e seus computadores. Por que agir? O yang é a luz, o calor, a atividade, o homem, o dominador, a esquerda do corpo; o yin é a escuridão, o frio, a passividade, a mulher, o dominado, o dorso e a parte direita do corpo. Um e outro são ao mesmo tempo o bem e o mal; são esses dois sopros que nos permitem continuar nosso caminho. E nosso caminhar, o de nós outros, gatos, não é mais do que rodear incessantemente nosso território, defendê-lo sem tentar estendê-lo, distrair-nos a observar a insignificância dos homens, esperar a morte que nos trará a paz. Sim, na alvorada deste 1º de agosto, sinto-me poroso. Impor a própria vontade aos outros é deveras ilusório. Impô-la a si mesmo é conformar-se à lei da Natureza. Tratemos de desfrutar deste acaso – ou de evitar sofrer dele por demais – e obedeçamos a essa lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, interrogo-me sobre a origem de nossa preguiça. O professor Jacques Sternberg, da Universidade Católica de Louvain, antropólogo, zoólogo e teólogo de reputação mundial, adianta uma hipótese interessante. Segundo ele, Deus teria criado o gato à sua imagem. O gato fez-se, portanto, preguiçoso, visto que Deus, todo poderoso, não necessitara fatigar-se para criar o universo. Não querendo o gato fazer nada, criou Deus o homem para o servir. Ao gato ele dera suas qualidades: indolência, lucidez, sistema sensorial sofisticado; ao homem ele deu neurose, dom da bricolagem, paixão pelo trabalho e vaidade. Graças a tais qualidades subsidiárias, o homem, ao longo dos séculos, edificou uma série de civilizações baseadas na invenção, na produção, no consumo intensivo, as quais edificaram-se, combateram-se, destruíram-se todas uma à outra mas assumiram, apesar de suas impiedosas e sangrentas lutas, a missão de que haviam sido investidas pela potência divina: oferecer ao gato o conforto, a toca e a coberta. Assim é que o homem inventou milhões de objetos inúteis, freqüentemente absurdos, tais como o barbeador elétrico, a bomba atômica, o automóvel, o avião a jato e o TGV, a maioria destinada a matar o tempo, muito embora o homem, obsedado pela inevitabilidade da morte, quisesse que o tempo vivesse. Mas (e isto deve ser dito em louvor ao homem) também inventou alguns utensílios indispensáveis ao bem-estar do gato: o aquecedor de ambiente, a almofada, a tigela, a caixa de serragem, o tapete, o cesto de vime e o rádio para os gatos melômanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa hipótese cientificamente nova valeu ao professor Sternberg a convocação a Roma pelo cardeal Ratzinger, responsável pela Congregação da Doutrina da Fé. Ele teve a insolência de comparecer, um gato preto sobre cada ombro. Licenciado da Universidade Católica de Louvain, percorreu o mundo metido num hábito de burel e de corda ao pescoço, a repetir: “Um homem é civilizado na medida em que compreende o gato.” o escândalo emocionou as senhoras donas de gatos e os poetas. Os meios de comunicação mobilizaram-se. O Vaticano cedeu. Por meio da encíclica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Feles amici hominibus sunt&lt;/span&gt;, João Paulo II selou para a eternidade (esperemo-lo) a reconciliação entre a Igreja e o gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os noticiários das 20 horas nos informam que, por ocasião do plano governamental de duplicação das auto-estradas e das vias de TGV no Hexágono, o INSEE e o INED, conjugando esforços, coordenaram uma grande pesquisa sobre a relação dos homens com a velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À pergunta “Por que deseja andar cada vez mais depressa?” as respostas foram as seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para chegar mais rápido até a frente da tela de tevê: 20%;&lt;br /&gt;- Para me bronzear por mais tempo quando saio de férias: 12%;&lt;br /&gt;- Para encontrar a pessoa amada: 8%;&lt;br /&gt;- Para ler: 0,01%;&lt;br /&gt;- Não sei: 40%;&lt;br /&gt;- Não responderam: 19,99%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos que responderam “para me bronzear por mais tempo”, fez-se a seguinte pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que gosta de bronzear-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respostas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para não pensar mais: 70%;&lt;br /&gt;- Para ficar mais bonito (ou mais bonita): 20%;&lt;br /&gt;- Não responderam: 10%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àquelas e àqueles cuja resposta foi “Para não pensar mais”, perguntou-se (questão aberta):&lt;br /&gt;Quando pensa, em que pensa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respostas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em nada: 80%;&lt;br /&gt;- Em meus problemas profissionais:10%;&lt;br /&gt;- Em meus problemas familiares: 8%;&lt;br /&gt;- No sentido da História: 1%;&lt;br /&gt;- Na história do sentido: 1%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como recomenda Epicuro, desprendo-me de todas as preocupações triviais, que são outros tantos obstáculos à conquista da beatitude. Não creio na existência da alma, mas, se se entende assim a uma certa aptidão para sofrer, para pensar o mundo e pensar-se no mundo, sei que ela desaparecerá comigo. Não tendo necessidade nem de suportes políticos nem de proteções complacentes, não busco a amizade de ninguém; aceito as que se apresentam. Contrariamente aos cães, aos asnos e aos homens, rejeito qualquer humilhação, podendo sempre partir e encontrar o necessário para sobreviver. Não escreverei certamente, após haver recebido uma palmada, que “a execução foi menos terrível do que fora a espera, que o castigo me afeiçoou ainda mais àquela que mo havia imposto, pois eu encontrara na dor, na vergonha mesma, uma mistura de sensualidade que me deixara mais desejo do que temor”. E não admito que Malebranche tenha dado pontapés no ventre de sua gata prenhe, atribuindo os gritos dela aos 'espíritos animais'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso dormir 20 horas por dia e gozar assim de uma quietude catastemática. Quanto aos desejos, são de três espécies. Desejos naturais e necessários: beber, comer, dormir, estar aquecido, vez por outra conhecer Nefertiti. Desejos naturais e não-necessários, que diversificam o prazer e que tento satisfazer: prefiro, ao camundongo de passagem, as iguarias requintadas que Édouard me prepara. Quanto aos desejos nem necessários, nem naturais, como a riqueza, as honrarias, a glória, de que são tão ávidos os homens, não os experimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É principalmente no que se refere à morte que me separo dos homens. Ela é para mim desaparecimento total e fim absoluto da vida. Todo bem e todo mal residem na sensação, e a morte é o desaparecimento desta. A morte faz fremerem os homens mas nada é para mim, pois, enquanto eu existo, ela não é e, quando é, eu não sou mais. Fantasma e quimera, só existe quando não existe. Por isso, Demócrito, Epicuro, Lucrécio, Montaigne e Swift, esses pessimistas absolutos, são meus mestres de pensamento. São Jerônimo afirmava que Lucrécio, havendo enlouquecido, se teria suicidado para infligir-se o castigo reservado aos ímpios. Lucrécio não acreditava nos deuses. Para ele, o homem era nada em relação ao todo, e um todo em relação ao nada. Criança, como o marujo que as vagas furiosas rejeitam sobre a orla, o homem jaz por terra, impotente para falar, desprovido de qualquer meio de viver, desde o primeiro instante em que, confrontado com o ritmo da luz, a Natureza o arranca à força ao ventre de sua mãe. Jamais se recuperará dessa miséria inicial e permanecerá, vida afora, estrangeiro num mundo para ele ininteligível. Vindo do nada, a ele o homem retornará de corpo e alma, depois de consagrar sua vida ao temor da morte e à invenção de uma existência no além, para adaptar-se à sua perpétua ansiedade. Para suportar tal espera, alimentar-se-á de ilusões: ilusão do progresso; ilusão de uma possível sabedoria trazida pela filosofia; ilusão de uma eventual comunicação com seu próximo; ilusão do amor, que não passa de uma luta da carne, sem saída e sem alegria, não sendo o amplexo senão a realidade trágica do fracasso. Como não existe nenhum mundo antes, depois, em outro lugar, a única coisa a fazer é não fazer nada e contemplar, imóvel, impassível, sereno, o trágico desenrolar-se dessa deambulação que conduz do nada ao nada. Tal é a atitude dos gatos. Os átomos, por um momento agregados para me constituir, a mim, Akhenaton, espalhar-se-ão depois de minha morte, e só restarão estas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acabo de escrever, leitoras, leitores, parecer-vos-á talvez brutal, mas os príncipes, em sua felicidade, parecem-me sobremaneira dignos de lástima por serem privados de ouvir a verdade e forçados a escutar aduladores, e não amigos. Há os que pensam que se pode mudar o homem e os que se resignam a tomá-lo pelo pouco que ele é. Estou entre estes últimos. Quanto ao leitor que se indignasse com minha pretensão, retorquir-lhe-ia: “Por humildade, não temo ninguém”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) enarcas – irônico neologismo para designar os ex-alunos da E.N.A., École Nationale d'Administration (N. da T.).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-2811935331354997692?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/2811935331354997692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=2811935331354997692' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/2811935331354997692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/2811935331354997692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/01/niilismo-felino.html' title='Niilismo felino'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4XSRzJnVfvs/Rao2mk_S3BI/AAAAAAAAABI/pTiDYLygjhI/s72-c/Akhenaton.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7721800594693014769.post-641143213315623626</id><published>2007-01-09T14:30:00.000-03:00</published><updated>2007-01-10T19:38:12.793-03:00</updated><title type='text'>2001: uma odisséia no espaço</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.vinyltap.co.uk/gallery/20/2001as5237973943253250.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.vinyltap.co.uk/gallery/20/2001as5237973943253250.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só para inaugurar este blog:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqueles que assistiram ao filme &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2001: uma odisséia no espaço&lt;/span&gt; mas não compreenderam muito bem a mensagem que Stanley Kubrick quis passar, eis aqui  uma animação em flash que tenta explicá-lo enfocando alguns pontos-chaves do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.kubrick2001.com/"&gt;A odisséia no espaço explicada&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7721800594693014769-641143213315623626?l=cybercoruja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cybercoruja.blogspot.com/feeds/641143213315623626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7721800594693014769&amp;postID=641143213315623626' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/641143213315623626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7721800594693014769/posts/default/641143213315623626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cybercoruja.blogspot.com/2007/01/2001-uma-odissia-no-espao.html' title='2001: uma odisséia no espaço'/><author><name>Eustáquio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04574114897225171121</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://www.idec.org.br/images/coruja.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
